Inscrições fechadas para a nova temporada 2019/2020

O Clube de Leitura em Voz Alta é agora Coro de Leitura em Voz Alta. Continua a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.


o livro do dia



foi trazido pela Virgínia.



As memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar


12 outubro 2010 - FLORESTA



Leituras:

O João falou-nos das sequóias
100 Maravilhas do Mundo

Como curiosidade e porque falámos nelas # As sequóias de Sintra

A Mila leu-nos um poema retirado do filme da Disney;
Pocahontas

Mariana
O Génio da Floresta
Texto de Maria de Lurdes Marcelo
Ilustração de Maria João Lopes

Alexandra Justino
A cidade e as serras - Eça de Queirós

Helena Ramos
O homem que plantava árvores - Jean Gionno

Helena Machado
Poema da árvore - António Gedeão

A Cecília leu-nos um texto seu
Os mistérios do outono
Aqui está o blog:
As coisas malucas da Sissi

Helena Policarpo
O bosque chileno
Confesso que vivi - Pablo Neruda

António
Para Walt Whitman nos tempos do macartismo - Alexandre O´Neill

Curiosidade:
Sabem que a biblioteca do Alexandre O`Neill foi doada à Biblioteca Municipal de Constância, está disponível para o público e ainda não foi "tratada"?
Pode ser um passeio bonito, podem folhear-se os livros, ver anotações que provavelmente nunca ninguém leu, encontrar inéditos, ver imensos livros autografados pelos próprios autores... enfim... pode ser uma aventura


Atenção NÃO CLIQUES AQUI


Paula
A árvore generosa - Shel Silverstein

Daniel
A floresta - Sophia de Mello Breyner Andresen

O Augusto leu-nos um poema de sua autoria
O que digo na floresta quando o meu amor me dói

Fernando
A selva - Ferreira de Castro

Virgínia
O físico prodigioso - Jorge de Sena

A Cristina falou-nos do Chico Mendes através das palavras de
Zuenir Ventura

Um herói trágico

O país que produziu alguns dos mitos olímpicos e dionisíacos do século XX - Pelé, Tom Jobim, Ayrton Senna, Ronaldo - criou também um herói trágico e transformou-o no proto-mártir da causa ecológica, um homem que precisou morrer para ser conhecido em sua pátria, ele que já era, como escreveu o New York Times, “um símbolo de todo o planeta”.

De fato, o seringueiro Chico Mendes foi quem mobilizou não só o Brasil, mas também o mundo para a defesa da floresta amazônica, à qual acabaria dando sua vida. Certo de que estava marcado para morrer, ele não só denunciou a trama, como achava que morreria em vão. “Se descesse um enviado dos céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta, até que valeria a pena. Mas ato público e enterro numeroso não salvarão a Amazônia. Quero viver”.

Ele disse isso e pouco depois, às 18h45 do dia 22 de dezembro de 1988, foi assassinado, aos 44 anos, na porta da cozinha de sua casa em Xapuri, uma pequena cidade de cinco mil habitantes no estado amazônico do Acre. “Ele vinha com as mãos na cabeça, todo vermelho de sangue”, contou Ilzamar, que ouviu um estouro e correu para o marido. “Quando eu quis pegar no seu braço, ele caiu e ficou se debatendo. Aí vi que estava morrendo”.

(...)O autor confesso do disparo, Darci, era filho de Darli Alves da Silva, o fazendeiro mandante do crime.

Só então e diante da grande repercussão internacional, é que o Brasil começou a desconfiar, cheio de culpa, de que tinha perdido o que se custa tanto a construir: um verdadeiro líder.

Como um Gandhi dos trópicos, Chico organizou pacificamente os seringueiros para lutar pela preservação da floresta, que vinha sendo derrubada no Acre desde a década de 70 para dar lugar às grandes pastagens de gado. O movimento de resistência usava uma tática simples e eficaz: o empate, que consistia em impedir os desmatamentos, colocando os seringueiros, seus filhos e mulheres, todos desarmados, entre os peões armados de serras e as árvores.

Também hábil político e homem de diálogo, Chico conseguiu desfazer uma inimizade histórica entre seringueiros e índios. que sob sua influência se aliaram numa grande frente conhecida pelo nome de Povos da Floresta. Condecorado pela ONU e respeitado pelas organizações internacionais de proteção ao meio ambiente, Chico demonstrou que era possível promover um desenvolvimento racional para a floresta amazônica, sem transformá-la em santuário intocável, mas também sem devastá-la.

(...)

Chico sabia que precisava de aliados, não podia ficar isolado em Xapuri lutando contra poderosos interesses de fazendeiros e pecuaristas. Alguns antropólogos e representantes de entidades ambientalistas dos Estados Unidos e da Europa se encarregaram de projetá-lo no circuito internacional.

Em 1987, ele foi o primeiro brasileiro a receber o prêmio Global 500 das Nações Unidas, em Londres. No ano seguinte foi convidado a participar da reunião do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

(...)

A fama que ele alcançara junto a instituições e entidades estrangeiras, o seu carisma, tudo isso aliado aos incômodos empates que organizava em Xapuri, devem ter dado a seus inimigos a certeza de que a única maneira de barrar sua ação catalisadora era a morte.

Por isso ele sabia que ia ser assassinado e denunciou incansavelmente a ameaça. “Não quero flores no meu enterro, pois sei que vão arrancá-las da floresta”, escreveu no dia 5 de dezembro numa mensagem-despedida. “Quero apenas que meu assassinato sirva para acabar com a impunidade dos jagunços, sob a proteção da Polícia Federal do Acre e que, de 1975 para cá, já mataram mais de 50 pessoas”.

Poucas vezes a polícia brasileira contou com uma lista tão completa de acusados, fornecida pela própria vítima. Nem isso, porém, serviu para impedir a morte anunciada.

Chico Mendes acertou quando anunciou que ia ser morto, mas errou ao achar que sua morte poderia ser inútil. Se ela não salvou a Amazônia, serviu pelo menos para intensificar o debate planetário sobre o destino da região. E mais: esse assassinato - antecedido por dezenas de execuções de outros líderes rurais - terá servido para denunciar que em um rico e extenso país ainda se mata por questões de terra.

Aquele estouro que Ilzamar ouviu chegou ao mundo todo. Nunca um tiro dado no Brasil ecoou tão longe.

Zuenir Ventura - Jornalista, ganhador do Prêmio Esso com a série de reportagens sobre Chico Mendes publicada no Jornal do Brasil, e autor de vários livros, entre os quais “Chico Mendes – Crime e Castigo”, publicado em 2003 pela editora Companhia das Letras.


Chico Mendes: crime e castigo - Zuenir Ventura

"A permanência de Chico Mendes quinze anos depois de sua morte só reforça um mistério que não consegui decifrar: como foi possível nascer e crescer no meio da floresta, num pequeno canto verde que cremos mais propício aos bichos e às plantas, um exemplar tão fecundo da espécie humana?"


EM MEMÓRIA DE CHICO MENDES

Chegam notícias do Brasil,o Chico
Mendes foi assassinado,a morte
enrola-se agora nos primeiros frios,
nem sequer a tristeza tem sentido,
a bola continua em órbita,um dia
estoira,o universo ficará mais limpo.

de Eugénio de Andrade

e por fim aqui fica a ligação para a Biblioteca da Floresta

Floresta (uma leitura diferente)

Depois do desafio achei que uma maneira diferente de ler seria ... pegar num livro e sem mais nem porquê lê-lo ali mesmo em voz alta. Era no Metro... voltei a mim e disse "sozinha? nem pensar!" Uns dias mais tarde recolhi estas imagens para ilustrar propositadamente o poema Cidade. Tinha-o descoberto no Verão e achei que quando o tema da "Floresta" saísse seria uma boa escolha. O som não tem grande qualidade por isso deixo aqui a transcrição...

Cidade



Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética I
Caminho

Floresta ( leitura como sempre )

Esta vai ser a minha leitura "como sempre". Aqui fica a versão completa do conto "O homem que plantava árvores" de Jean Gionno. É um texto que todos deviam conhecer. O autor libertou-o de todos os direitos de reprodução para que pudesse ser divulgado por toda a parte, sem restrições.

O HOMEM QUE PLANTAVA ÁRVORES

Para que o carácter de um ser humano revele qualidades verdadeiramente excepcionais, necessitamos da boa fortuna de poder observar as suas acções durante longos anos. Se essa acção for despojada de todo o egoísmo, se a ideia que a dirige é de uma generosidade sem exemplo, se é absolutamente certo que não se procurava qualquer recompensa e que tenha deixado sobre o mundo marcas visíveis, então, sem risco de errarmos, estamos perante um indivíduo inesquecível.

Há cerca de uns quarenta anos, fiz uma longa caminhada a pé por altitudes absolutamente desconhecidas dos turistas, nessa muito antiga região dos Alpes que penetra na Provença.

Esta região está delimitada a sudoeste e a sul pelo curso médio do Durance, entre Sisteron e Mirabeau; a norte pelo curso superior do Drôme, desde a sua nascente até ao rio Die; a oeste pelas planícies de Comtat Venaissin e os contrafortes de Mont-Ventoux. Compreende toda a parte norte da região dos Baixos Alpes, o sul da Drôme e um pequeno enclave de Vaucluse.

Era, na altura em que empreendi o meu longo passeio por estes desertos, terreno nu e monótono até aos 1200 a 1300 metros de altitude. Nada lá crescia a não ser alfazemas selvagens.

Atravessei esta região na sua maior largura e depois de três dias de marcha, encontrei-me face a uma desolação exemplar. Acampei ao lado de um esqueleto de aldeia abandonada. Já não tinha mais água e eu precisava de encontrar alguma. Estas casas aglomeradas, em ruínas como um velho ninho de vespas, fizeram-me pensar que deveria ter havido ali, em tempos, uma fonte ou poço. E sim, havia uma fonte, mas seca. As cinco ou seis casas, sem telhado, roídas de vento e de chuva e a pequena capela com o sino em colapso, estavam alinhadas como as casas e capelas nas aldeias vivas, mas toda a vida tinha desaparecido.

Era um belo dia de Junho, muito solarengo, mas sobre estas terras sem abrigo e a tocar o céu, o vento soprava com uma brutalidade insuportável. Os seus grunhidos nas carcassas das casas eram os de uma fera perturbada durante a sua refeição.

Tive que levantar o acampamento. A cinco horas de marcha ainda não tinha encontrado água e nada me dava a esperança de a encontrar. Por todo lado a mesma secura, as mesmas ervas lenhosas. Ao longe apercebi-me de uma pequena silhueta negra, de pé. Tomei-a por um tronco de árvore solitário. Um pouco ao acaso dirigi-me para ela. Era um pastor. Uma trintena de ovelhas, deitadas sobre a terra escaldante, repousavam perto dele.
Deu-me de beber do seu cantil, e um pouco mais tarde conduziu-me ao redil, numa ondulação do planalto. Retirava a sua água - excelente - de uma nascente natural, muito profunda, sobre a qual tinha instalado um guincho rudimentar.

Este homem falava pouco. É comum, entre os solitários, mas era seguro de si e confiante nessa segurança. Era insólito, nesta terra despojada de tudo. Não habitava uma cabana, mas uma verdadeira casa de pedra onde se podia ver como o seu esforço pessoal tinha remendado a ruína que tinha encontrado à sua chegada. O telhado era sólido e estanque. O vento que o fustigava fazia sobre as telhas o ruído do mar na praia.

A sua casa estava em ordem, a louça lavada, o soalho varrido, o fuzil oleado; a sopa borbulhava na lareira. Reparei também que estava bem barbeado, que todos os seus botões estavam solidamente cosidos, que as suas roupas estavam remendadas com o cuidado minucioso que torna os remendos invisíveis. Fez-me partilhar a sua sopa e quando lhe ofereci tabaco, disse-me que não fumava. O seu cão, silencioso como ele, era amigável, sem ser bajulador.

Decidiu-se que eu passaria lá a noite; a aldeia mais próxima ainda estava a mais de um dia e meio de marcha. E eu conhecia perfeitamente o carácter das raras aldeias desta região. Há umas quatro ou cinco, dispersas, longe umas das outras, sobre os flancos destas alturas, nos bosques de carvalhos brancos, nas extremidades dos caminhos transitáveis. São habitadas por madeireiros, que fazem carvão. São lugares onde se vive mal. As famílias lutam umas contras as outras, num clima que é de uma rudeza excessiva, seja no Verão ou no Inverno, e que exacerba o egoísmo. A ambição irracional torna-se desmesurada, num desejo contínuo de sair dali.

Os homens levam o carvão à cidade com os seus camiões e depois voltam. As mais sólidas qualidades vergam sob este perpétuo duche escocês. As mulheres destilam ressentimentos. Há concorrência para tudo, seja pela venda do carvão, ou pelo banco da igreja, pelas virtudes que disputam entre elas, pelos vícios que disputam entre eles e pela livre circulação de vícios e virtudes, sem descanso. Também lá o vento não repousa, irritando os nervos. Há epidemias de suicídios e numerosos casos de loucura, quase sempre mortais.

O pastor que não fumava foi procurar um pequeno saco e espalhou na mesa um monte de bolotas. Pôs-se a examiná-las, uma após outra, com muita atenção, separando as boas das más. Eu fumava o meu cachimbo. Propus-me ajudá-lo. Ele disse-me que a tarefa era sua. De facto: vendo o cuidado que punha nesta tarefa, não insisti. Foi toda a nossa conversa. Quando ele tinha separado, para o lado das boas, um monte de bolotas bastante grande, juntou-as em montes de dez. E fazendo isto eliminou ainda as mais pequenas, ou as que estavam fendidas ligeiramente, pois agora examinava-as ainda com mais atenção. Quando tinha à frente dele um cento de glandes perfeitas, parou e fomos deitar-nos.

A convivência com este homem dava paz. Pedi-lhe, no dia seguinte, permissão para descansar todo o dia junto dele. Ele achou isso natural, ou mais exactamente, deu-me a impressão de que nada o perturbaria. Este repouso não era absolutamente obrigatório, mas eu estava intrigado e queria saber mais. Fez sair o seu rebanho e levou-o à pastagem. Antes de partir, mergulhou num balde de água o pequeno saco onde tinha colocado as bolotas cuidadosamente escolhidas e contadas.

Reparei que em jeito de bastão, ele transportava uma barra de ferro da espessura de um polegar e com cerca de metro e meio de comprimento. Fiz como se vagueasse em repouso e segui uma rota paralela à sua. A pastagem dos seus animais era no fundo de um vale. Deixou o pequeno rebanho à guarda do cão e subiu para o lugar onde eu estava. Tive algum receio que viesse para me repreender da minha indiscrição, mas não: era o seu caminho e convidou-me a acompanhá-lo se não tivesse melhor que fazer. Ia a duzentos metros dali, para o cume.

Chegados ao seu destino, pôs-se a furar a terra com o seu bastão de ferro. Fazia um buraco no qual colocava uma glande, depois cobria-o. Plantava carvalhos. Perguntei-lhe se a terra lhe pertencia. Respondeu-me que não. Sabia de quem era? Ele não sabia. Supunha que seria terra baldia, ou talvez fosse propriedade de alguém que não se importasse? Ele não se importava de não conhecer os proprietários. E plantou assim um cento de bolotas com um cuidado extremo.

Depois da refeição do meio-dia, recomeçou a escolher as sementes. Acho que coloquei tanta insistência nas minhas perguntas que ele respondeu. Desde há três anos que plantava árvores nesta solidão. Já tinha plantado cem mil. Dessas, vinte mil tinham vingado. Das vinte mil contava perder metade, devido aos roedores ou a tudo quanto seja impossível de prever nos desígnios da providência. Sobrariam dez mil carvalhos que iriam crescer nesta região onde antes nada existia.

Foi nesta altura que me perguntei sobre a idade deste homem. Tinha visivelmente mais de cinquenta anos. Cinquenta e cinco, disse-me ele. Chamava-se Elzéard Bouffier. Tinha possuído uma quinta na planície. Tinha feito a sua vida. Perdeu o filho único, depois a esposa. Retirou-se para a solidão onde tirava prazer de viver lentamente, com as suas ovelhas e o seu cão. Ele tinha concluído que esta região morria por falta de árvores. Acrescentou que como não tinha tarefas muito importantes, tinha resolvido remediar este estado de coisas.

Levando eu próprio nessa altura, apesar da minha jovem idade, uma vida solitária, sabia tocar com delicadeza as almas dos solitários. No entanto cometi um erro. Precisamente a minha jovem idade me forçava a imaginar o futuro em função de mim próprio e de uma certa busca de felicidade. Disse-lhe que em trinta anos esses dez mil carvalhos seriam magníficos. Respondeu-me simplesmente que, se Deus lhe permitisse viver, dentro de trinta anos já teria plantado tantas outras que estas dez mil não seriam mais do que uma gota de água no oceano.

Ele já estudava a reprodução das faias e tinha perto de sua casa um viveiro. As plantinhas, que tinha protegido das suas ovelhas por uma barreira de rede, eram belíssimas. Disse-me que também estava a pensar em bétulas para as zonas mais profundas, onde me disse que uma certa humidade dormia a alguns metros abaixo da superfície.

Separámo-nos no dia seguinte.

No ano seguinte começou a guerra de 14 e fui engajado durante cinco anos. Um soldado de infantaria não podia pensar em árvores. Para dizer a verdade, a coisa em si não me tinha marcado profundamente: tinha-a considerado como uma diversão, uma colecção de selos, e esqueci-a.
Saído da guerra tive direito a um prémio de desmobilização minúsculo, e um grande desejo de respirar um pouco de ar puro. Foi sem outra ideia pré-concebida - excepto esta - que retomei o caminho destas regiões desertas.

A região não tinha mudado. No entanto, para além da aldeia morta, percebi ao longe uma espécie de névoa cinzenta que recobria as alturas como um tapete. Desde a véspera, tinha-me posto a pensar no pastor que plantava árvores. « Dez mil carvalhos, dizia eu, devem ocupar um espaço muito grande. ».

Tinha visto morrer tanta gente durante os cinco anos que podia imaginar facilmente a morte de Elzéar Bouffier, até porque, quando temos vinte anos, consideramos que os homens de cinquenta são velhos a quem já nada resta senão morrer. Ele não estava morto. Estava ainda muito ágil. E tinha mudado de profissão. Já só tinha quatro ovelhas, mas possuía agora uma centena de colmeias. Tinha-se desembaraçado do rebanho que punha em perigo as suas plantações de árvores. Porque, disse ele (e eu verifiquei) que não se tinha preocupado muito com a guerra. Tinha continuado imperturbavelmente a plantar.

Os carvalhos de 1910 tinham agora dez anos e estavam mais altos que eu e ele. O espectáculo era impressionante. Eu estava literalmente privado de palavras e como ele não falava, passámos todo o dia em silêncio a passear na floresta. Ela tinha, em três secções, onze quilómetros de comprimento e três quilómetros na maior largura. Se tudo tinha saído das mãos deste homem - sem meios técnicos - compreende-se que os homens possam ser tão eficazes quanto Deus em domínios que não a destruição.

Tinha perseguido a sua ideia e as faias que me chegavam aos ombros, a perder de vista eram prova disso. Os carvalhos eram grossos e já tinham ultrapassado a idade em que estavam à mercê dos roedores; quanto aos desígnios da Providência, para destruir a obra criada ela precisaria agora de recorrer aos ciclones. Mostrou-me admiráveis bosques de vidoeiros que tinham já cinco anos, eram de 1915, da época em que eu combatia em Verdun. Plantou-as em todas as zonas mais fundas onde supunha, com razão, que havia humidade à flor da terra. Eram tenras como jovens, e muito decididas.
A criação parecia, aliás, operar em cadeia. Ele não se importava com isso e prosseguia obstinadamente a sua tarefa, muito simplesmente. Mas a descer para a aldeia, vi correr água nos regatos que estavam secos desde que havia memória. Foi a mais formidável operação de reacção que me foi dado ver.

Estes riachos tinham tido água em tempos antigos. Algumas destas aldeias tristes de que vos falei no início foram construídas sobre antigas aldeias galo-romanas de que subsistiam ainda alguns traços, nas quais os arqueólogos tinham encontrado anzóis em lugares onde no século vinte seria necessário o recurso a cisternas para ter um pouco de água.

O vento também dispersava algumas sementes. Ao mesmo tempo que a água reaparecia, reapareciam os salgueiros, os choupos, os prados, os jardins e as flores e uma certa razão de viver.

Mas a transformação operava-se tão lentamente que entrava no hábito, sem provocar espanto. Os caçadores, que subiam à solidão, à procura de lebres ou javalis, já tinham constatado a abundância de pequenas árvores, mas atribuíam isso à magia natural da terra. É por isso que ninguém havia tocado no trabalho deste homem. Se houvesse alguma suspeita, tê-lo-iam contrariado. Era inimaginável. Quem poderia pensar, nessas aldeias e na administração, uma tal obstinação na generosidade mais magnífica?

A partir de 1920, nunca mais passei um ano sem visitar Elzéard Bouffier. Nunca o vi hesitar ou duvidar. Só Deus saberá, pois o próprio Deus ali cresce! Não contabilizei os seus problemas. Podemos imaginar que para este resultado teve que vencer a adversidade; que para assegurar a vitória de uma tal paixão, teve que lutar contra o desespero. Ele tinha, durante um ano, plantado dez mil bordos. Morreram todos. No ano seguinte, abandonou os bordos para retomar as faias, que se desenvolviam melhor que os carvalhos.

Para dar uma ideia da singularidade desta pessoa, é preciso não esquecer que ele trabalhava numa solidão absoluta; tão absoluta que para o final da sua vida tinha perdido o hábito de falar. Ou talvez não visse nisso qualquer necessidade?

Em 1933, recebeu a visita de um guarda-florestal atónito. Este funcionário intimou-o a não fazer fogo fora de casa, para não colocar em perigo o crescimento desta floresta natural. Era a primeira vez, disse-lhe este homem ingénuo, que se via uma floresta nascer sozinha. Nesta altura ele ia plantar faias a 12 kilómetros de sua casa. Para evitar o trajecto de ida e volta - pois agora ele já tinha setenta e cinco anos - pensou construir uma cabana de pedra nos locais das suas plantações. Um ano mais tarde tinha-o feito.

Em 1935, uma verdadeira delegação administrativa veio examinar a «floresta natural». Havia uma alta figura dos serviços de Águas e Florestas, um deputado, vários técnicos. Pronunciaram-se muitas palavras inúteis. Decidiu-se que se iria fazer qualquer coisa e, felizmente, não se fez nada senão a única coisa útil: pôr a floresta sob salvaguarda do Estado e interditar que se fizesse carvão. Porque era impossível não ser subjugado pela beleza destas jovens árvores em pleno crescimento. E até no deputado ela exerceu o seu poder de sedução.

Eu tinha um amigo entre os representantes dos serviços florestais que foram na delegação. Expliquei-lhe o mistério. Um dia, na semana seguinte, fomos ambos à procura de Elzéard Bouffier. Encontrámo-lo em pleno trabalho, a vinte kilómetros de onde a inspecção tinha estado. Este guarda-florestal era meu amigo por alguma razão. Conhecia o valor das coisas. Soube permanecer silencioso. Ofereci os ovos que tinha levado de presente. Partilhámos o lanche entre os três e algumas horas passaram na contemplação muda da paisagem.

A encosta de onde vínhamos estava coberta de árvores com seis a sete metros de altura. Lembrei-me do aspecto do campo em 1913: o deserto... o trabalho pacífico e continuado, o ar vivo da altitude, a frugalidade e sobretudo a serenidade da alma, tinham dado a este velho uma santidade quase solene. Era um atleta de Deus. Perguntei-me quantos hectares ele iria cobrir ainda de árvores.

Antes de partir, o meu amigo fez simplesmente uma breve sugestão acerca de certas espécies às quais o terreno onde estávamos parecia convir. Mas não insistiu. «Por uma boa razão, disse-me ele mais tarde, pois este homem sabe mais do que eu.» Ao fim de uma hora de marcha - a ideia tinha feito o caminho com ele - acrescentou: «Ele sabe mais que qualquer pessoa. Encontrou um meio de ser feliz!»

Foi graças a este meu amigo que não só a floresta, mas a felicidade deste homem foram protegidas. Fez nomear três guardas florestais para sua protecção e aterrorizou-os de tal modo que eles foram sempre insensíveis a todas as garrafas de vinho que os madeireiros pudessem propor.

A obra só correu um risco grave durante a guerra de 1939. Os automóveis circulavam a gasogénio, e não havia matas que chegassem - Começaram a fazer-se cortes nos carvalhos de 1910, mas esta zona era tão longe das estradas circuláveis que a empresa se revelou um desastre financeiro. Foi abandonada. O pastor já nada viu. Estava a trinta quilómetros dali, continuando pacificamente o seu trabalho, ignorando a guerra de 39 como tinha ignorado a de 14.

Vi Elzéard Bouffier pela última vez em Junho de 1945. Tinha na altura oitenta e sete anos. Tomei de novo a estrada do deserto, mas agora, apesar da devastação em que a guerra tinha deixado o país, havia um carro que fazia o serviço entre o vale do Durance e a montanha. Achei que tinha sido este meio de transporte relativamente rápido que me tinha impedido de reconhecer os locais dos meus antigos passeios. Também me pareceu que o itinerário tinha passado por locais novos. Precisei de um nome de uma aldeia para concluir que estava mesmo nesta região outrora tão arruinada e desolada. O carro deixou-me em Vergons.

Em 1913, este casal de dez ou doze habitações tinha três habitantes. Eram selvagens, detestavam-se, viviam da caça com armadilhas: um pouco no estado físico e moral dos homens da pré-história. As urtigas cresciam em volta das casas abandonadas. A sua condição era de desespero. Só lhes faltava esperar a morte: situação que não dispõe à virtude.

Tudo estava mudado. O próprio ar. Em lugar do vento seco e brutal que me tinha acolhido nesse tempo, soprava uma brisa suave carregada de aromas. Um ruído semelhante ao da água descia das alturas: era o do vento na floresta. Enfim, a coisa mais espantosa, foi ouvir o verdadeiro barulho da água correndo para uma bacia. Tinham feito uma fonte, e ela era abundante e, aquilo que mais me tocou, tinham plantado ao pé dela uma tília que devia ter quatro anos, já crescida, símbolo incontestável de uma ressurreição.

Além disso, Vergons tinha os traços de trabalho para o qual era necessário esperança. A esperança tinha renascido. Tinham-se limpo as ruínas, deitado abaixo os muros quebrados e reconstruído cinco casas. O casal contava agora com vinte e oito habitantes, e quatro novas famílias. As casas novas, rebocadas de fresco, eram rodeadas de hortas e jardins, misturados mas alinhados, os legumes e as flores, as couves e as roseiras, as pereiras e as bocas-de-lobo, a salsa e as anémonas. Era um lugar onde apetecia morar.

A partir daí, fiz o meu caminho a pé. A guerra de que saíramos com dificuldade não tinha permitido o completo desenvolvimento da vida, mas Lázaro tinha saído do túmulo. Sobre os flancos mais baixos da montanha havia campos de cevada e centeio; ao fundo dos vales estreitos verdejavam prados.

Não foram precisos mais de oito anos para que toda a região resplandecesse de saúde. Sobre as ruínas que eu tinha visto em 1913, elevam-se agora limpas fazendas, que denotam uma vida feliz e confortável. As velhas nascentes, alimentadas pela chuva e pela neve que a floresta retinha, puseram-se de novo a correr. Canalizaram-se as águas. Ao lado de cada quinta, nos bosques de bordos, as bacias das fontes transbordam para tapetes de menta fresca. As aldeias foram reconstruídas pouco a pouco. Uma população vinda das planícies onde a terra se vende cara, fixou-se na região e trouxe juventude, movimento, espírito de aventura. Pelos caminhos, encontram-se homens e mulheres bem nutridos, rapazes e raparigas que sabem rir e retomou-se o gosto das festas camponesas. Se olharmos para a antiga população, irreconhecível desde que vive em abundância e somarmos os recém-chegados, mais de dez mil pessoas devem a sua felicidade a Elzéard Bouffier.

Quando penso que um só homem, reduzido aos mais simples recursos físicos e morais passou, para fazer surgir do deserto esta região de Canaa, acho que apesar de tudo, a condição humana é admirável. Mas quando eu levo em conta toda a magnanimidade da dedicação abnegada, toda a generosidade para obter tal resultado, sou tomado por um imenso respeito por este velho camponês sem cultura que soube levar a cabo esta obra digna de Deus.

Elzéard Bouffier faleceu pacificamente em 1947 no asilo de Banon.

NAMOROS LIVRESCOS

Pensem num membro do clube.

Já pensaram? Óptimo.

Agora pensem que livro é que conhecem (e adoram) que gostariam muito que aquela pessoa lesse.

Já está?

Agora tentem convencê-lo(a) a ler.

Como no amor não há nada melhor que dar e receber, é provável que essa pessoa vos faça o mesmo. E até se pode namorar com várias pessoas ao mesmo tempo.

Para quem quiser e lhe apetecer. Não é uma rubrica do Clube, é uma proposta de jogo e de descoberta de novos livros e autores e momentos de prazer.

P R O P O S T A

Ler em voz alta de outra maneira, sem medo de experimentar outra forma. A sós ou acompanhados.
O próximo texto para a próxima sessão (sobre o tema Floresta) já podia ser, para quem quiser, claro, uma experiência nova.

Exemplos tontos:
ler ao pé coxinho; ler em câmara lenta; ler ao ouvido; etc.

Inventem e arrisquem, não têm nada a perder.

Próxima sessão - 12 de outubro



e o livro do dia estará a cargo da Virgínia

livro do dia



esteve a cargo da Patrícia e da Irene

O Pássaro da Alma de Michal Snunit

Pode ler-se aqui: (não sei se o texto está correcto)

A Patrícia trouxe-nos também um livro que a marcou:
Prenatal Yoga and Natural Childbirth de Jeannine Parvati Baker

28 setembro 2010 - AS FLORES





Leituras:

Mariana:

A Flor - Almada Negreiros

Pede-se a uma criança. Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.
Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase não resistiu.
Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais.
Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor!
As pessoas não acham parecidas esta linhas com as de uma flor!
Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas, são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!

in A invenção do dia claro


***

Isabel:
Se às vezes digo que as flores sorriem... - Alberto Caeiro


***

Helena Ramos:
Já calma nos deixou - Luís de Camões


***

Alexandra Ferreira
A Flor - Gallimard Jeunesse, Claude Delafosse, René Mettler


***

Helena Policarpo:
Excerto de "Este é o teu reino" de Abilio Estévez


***

Fernando:
Excerto do conto

Íris - Hermann Hesse

Na primavera da sua infância, Anselmo andava pelo jardim verdejante. Entre as flores de sua mãe, havia uma que especialmente o atraía, o lírio. Ele colava a bochecha ao verde- -claro das folhas altas, apertava entre os dedos as suas negras pontas aguçadas, para senti-las, aspirava o perfume da grande e encantadora corola e olhava demoradamente no seu interior. Ali, havia longas filas de dedos amarelos erguendo-se de um fundo azul desmaiado e, por entre eles, corria um caminho claro para trás e para o fundo, penetrando pelo cálice e o mistério azul da flor adentro. Gostava muito delas e olhava longamente aquele interior, e os membros amarelo-delgados pareciam-lhe já uma sebe doirada em redor do jardim de um rei, já uma dupla fileira de belas árvores de sonho que nenhum vento agita, e por entre elas, claro e percorrido por vidrinas artérias vitais, seguia o misterioso caminho para o seu interior. Monstruosamente, a abóbada distendia-se para trás, o caminho perdia-se por entre as árvores doiradas, infinitamente, para o fundo da incomensurável garganta, e por sobre ele, régia e abobadando-se, a curvatura violeta depositava ténues sombras mágicas sobre o silente milagre que permanecia aguardando. Anselmo sabia que era ali a boca da flor, que por detrás das fulgurantes excrescências amarelas, na garganta azul, moravam o coração dela e os seus pensamentos, e que era por sobre aquele gracioso e claro caminho de vítreas artérias que a respiração e os seus sonhos entravam e saíam. (...)

in Contos Maravilhosos


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Cecília:
Rosa sem espinhos - Almeida Garrett



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Paula:
A Flor e o Colibri - José Jorge Letria


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Mila:
De tarde - Cesário Verde


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Patrícia:
Excerto de: Viagem sem regresso - Katy Gardner


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Cristina:
Poema das Flores - António Gedeão

Se com flores se fizeram revoluções
que linda revolução daria este canteiro!

Quando o clarim do sol toca a matinas
ei-las que emergem do nocturno sono
e as brandas, tenras hastes se perfilam.
Estão fardadas de verde clorofila,
botões vermelhos, faixas amarelas,
penachos brancos que se balanceiam
em mesuras que a aragem determina.
É do regulamento ser viçoso
quando a seiva crepita nas nervuras
e frenética ascende aos altos vértices.

São flores e, como flores, abrem corolas
na memória dos homens.

Recorda o homem que no berço adormecia,
epiderme de flor num sorriso de flor,
e que entre flores correu quando era infante,
ébrio de cheiros,
abrindo os olhos grandes como flores.
Depois, a flor que ela prendeu entre os cabelos,
rede de borboletas, armadilha de unguentos,
o amor à flor dos lábios,
o amor dos lábios desdobrado em flor,
a flor na emboscada, comprometida e ingénua,
colaborante e alheia,
a flor no seu canteiro à espera que a exaltem,
que em respeito a violem
e em sagrado a venerem.

Flores estupefacientes, droga dos olhos, vício dos sentidos.

Ai flores, ai flores das verdes hastes!
A César o que é de César. Às flores o que é das flores.


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Cristina:
O quê? Valho Mais que uma Flor - Alberto Caeiro

O quê? Valho mais que uma flor
Porque ela não sabe que tem cor e eu sei,
Porque ela não sabe que tem perfume e eu sei,
Porque ela não tem consciência de mim e eu tenho consciência dela?
Mas o que tem uma coisa com a outra
Para que seja superior ou inferior a ela?
Sim tenho consciência da planta e ela não a tem de mim.
Mas se a forma da consciência é ter consciência, que há nisso?
A planta, se falasse, podia dizer-me: E o teu perfume?
Podia dizer-me: Tu tens consciência porque ter consciência é uma qualidade humana
E só não tenho uma porque sou flor senão seria homem.
Tenho perfume e tu não tens, porque sou flor...

Mas para que me comparo com uma flor, se eu sou eu
E a flor é a flor?

Ah, não comparemos coisa nenhuma, olhemos.
Deixemos análises, metáforas, símiles.
Comparar uma coisa com outra é esquecer essa coisa.
Nenhuma coisa lembra outra se repararmos para ela.
Cada coisa só lembra o que é
E só é o que nada mais é.
Separa-a de todas as outras o facto de que é ela.
(Tudo é nada sem outra coisa que não é).

in Poemas Inconjuntos



próximo clube - dia 28 de Setembro




o livro do dia estará a cargo da Patrícia

foi assim...



As fotos seguintes foram tiradas pelo Paulo Filipe.
Para quem não sabe, o Paulo é o pai do nosso membro mais novo, a Irene.
A Teresa Pedrosa (quase) não aparece, provavelmente o Paulo teve de dar atenção à Irene.
Quem tiver acesso a outras fotos, ponha aqui ou envie para nós, enfim, partilhe :)





































próxima sessão

A próxima sessão será já quinta-feira, dia 9 de setembro, à mesma hora de sempre, 20h30.

O objectivo será fazer um ensaio geral.

É MUITO IMPORTANTE que cada um tenha o seu livro, com o seu texto, com a sua frase e com as restantes anotações que necessitar (entradas, saídas, marcações, etc).