Inscrições fechadas para a nova temporada 2019/2020
O Clube de Leitura em Voz Alta é agora Coro de Leitura em Voz Alta. Continua a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.
Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.
Livro do Dia - Ana Rita
Já aconteceu antes... nem sempre o nosso "livro" está onde queremos no dia em que o procuramos. Por isso a Ana Rita, que ia trazer outro, trouxe "Deste Mundo e do Outro", um livro de crónicas de José Saramago.
Etiquetas:
CLeVA 1.0,
livro do dia
2 de Novembro de 2010 - Miguel Torga
A leitura do António foi uma magnífica introdução:
MIGUEL TORGA
Miguel Torga é o pseudónimo de Adolfo Correia Rocha, nascido em São Martinho da Anta, concelho de Sabrosa, distrito de Vila Real, província de Trás-os-Montes e Alto Douro em 12 de Agosto de 1907 e falecido em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995. Durante esse intervalo de tempo foi seminarista em Lamego, tendo desistido ao fim de dois anos e emigrado para o Brasil em 1920, onde um tio era fazendeiro de café. Em 1925 regressa a Portugal, pois o tio resolvera pagar-lhes os estudos. Acabou o liceu em dois anos e em 1928 entra para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra onde se formou em 1933, mas só em 1939 é que viria a exercer a profissão. O pseudónimo nasce em 1934. A sua obra desdobra-se entre poesia, contos, diário e teatro e está traduzida para mais de uma dezenas de línguas, tendo recebido vários prémios nacionais e estrangeiros.
Mas afinal o que diz Miguel Torga?
Do 1º volume do DIÁRIO:
Sobre Miguel Torga, falta dizer dizer que evitava o contacto com as elites pedantes coimbrãs, que o consideravam como tendo péssimo feitio e como o rei dos chatos.
E , entretanto, o que fazia o Adolfo Correia Rocha? Instalado no seu consultório médico no centro de Coimbra, dava consultas grátis aos pobres. Os seus clientes consideravam-no de trato afável e bom conversador.
A Helena tinha preparado os versos de entrada do "Cântico do Homem", mas infelizmente não se pôde juntar a nós nesta sessão.
A Mila trouxe-nos dos Bichos a história de Bambo, o sapo. Podem lê-la aqui.
Já repararam na abóbora? Pois foi... depois do "Tio Arruda" (arruda é nome de erva mágica) e do Bambo (os sapos são muito usados em bruxaria) a Helena R. leu o Bruxedo dos Contos da Montanha
A Mariana trouxe-nos A Ceia
A Cecília leu um excerto de um dos prefácios: "Na tua ideia, o que escrevo é para te regalar e, se possível, te comover. Mas quero que saibas que ousei partir desse regalo e dessa comoção para te responsabilizar na salvação da casa que, por arder, te deslumbra os sentidos". Já agora, mais uma sugestão para "ler de maneira diferente..."
O Daniel leu Perfil
in Poesia Completa -Publicações Dom Quixote
A Paula leu o prefácio da Criação do Mundo e um excerto do mesmo livro
A Isabel leu Súplica:
E o João foi aos Novos Contos da Montanha buscar Fronteira.
Do livro Libertação o Augusto trouxe Meditação:
... e ainda Os ciganos
A Ana Rita leu Lei também do mesmo livro!
E a Teresa leu o prefácio à 2ª edição dos Novos Contos da Montanha e terminou, como começaram a Cristina e o Fernando, com Sísifo:
MIGUEL TORGA
Miguel Torga é o pseudónimo de Adolfo Correia Rocha, nascido em São Martinho da Anta, concelho de Sabrosa, distrito de Vila Real, província de Trás-os-Montes e Alto Douro em 12 de Agosto de 1907 e falecido em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995. Durante esse intervalo de tempo foi seminarista em Lamego, tendo desistido ao fim de dois anos e emigrado para o Brasil em 1920, onde um tio era fazendeiro de café. Em 1925 regressa a Portugal, pois o tio resolvera pagar-lhes os estudos. Acabou o liceu em dois anos e em 1928 entra para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra onde se formou em 1933, mas só em 1939 é que viria a exercer a profissão. O pseudónimo nasce em 1934. A sua obra desdobra-se entre poesia, contos, diário e teatro e está traduzida para mais de uma dezenas de línguas, tendo recebido vários prémios nacionais e estrangeiros.
Mas afinal o que diz Miguel Torga?
Do 1º volume do DIÁRIO:
Coimbra, 8 de Agosto de 1941 – Morreu ontem Rabindranath Tagore. Nos jornais, entre peças de artilharia e aviões, a sua máscara cheia de humanidade e santidade veio acicatar em mim este danado problema da salvação. Não da salvação em Deus ou em qualquer paraíso. Da salvação neste mundo, de terra, com homens e com paixões. Veio agudamente dizer-me que ou uma ou outra. Ou se escolhe como ideal um S. Francisco de Assis a rasgar-se nas silvas e a tratar de tordos, ou não há outro remédio senão a gente integrar-se no movimento universal desta gigantesca máquina moderna, e fazer nela de parafuso, como mostrou Chaplin. Assim divididos com luz e sombra na alma, vestidos e despidos, ao mesmo tempo como frutos mal descascados, é que não. Assim é morrer todos os dias.
Sobre Miguel Torga, falta dizer dizer que evitava o contacto com as elites pedantes coimbrãs, que o consideravam como tendo péssimo feitio e como o rei dos chatos.
E , entretanto, o que fazia o Adolfo Correia Rocha? Instalado no seu consultório médico no centro de Coimbra, dava consultas grátis aos pobres. Os seus clientes consideravam-no de trato afável e bom conversador.
A Helena tinha preparado os versos de entrada do "Cântico do Homem", mas infelizmente não se pôde juntar a nós nesta sessão.
Já repararam na abóbora? Pois foi... depois do "Tio Arruda" (arruda é nome de erva mágica) e do Bambo (os sapos são muito usados em bruxaria) a Helena R. leu o Bruxedo dos Contos da Montanha
A Mariana trouxe-nos A Ceia
A Cecília leu um excerto de um dos prefácios: "Na tua ideia, o que escrevo é para te regalar e, se possível, te comover. Mas quero que saibas que ousei partir desse regalo e dessa comoção para te responsabilizar na salvação da casa que, por arder, te deslumbra os sentidos". Já agora, mais uma sugestão para "ler de maneira diferente..."
O Daniel leu Perfil
Não. Não tenho limites.Coimbra, 2 de Março de 1979
Quero de tudo
Tudo.
O ramo que sacudo
Fica varejado.
Já nascido em pecado,
Todos os meus pecados são mortais.
Todos tão naturais
À minha condição.
Que, quando por excepção,
Os não pratico
É que me mortifico.
Alma perdida
Antes de se perder,
Sou uma fonte incontida
De viver,
E o que redime a vida
É ela não caber
Em nenhuma medida.
in Poesia Completa -Publicações Dom Quixote
A Paula leu o prefácio da Criação do Mundo e um excerto do mesmo livro
A Isabel leu Súplica:
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
E o João foi aos Novos Contos da Montanha buscar Fronteira.
Do livro Libertação o Augusto trouxe Meditação:
Monte
Uma palavra, sol e a sensação
De que é um largo horizonte
O fosso que nos mede o coração.
Cobrem-se de balidos e ternura
Os tojos onde o corpo se rasgou;
Uma brisa de paz e de frescura
Ondula o que há-de vir e que passou.
Mas um moinho ao longe mói a vida...
Sem se deter, o malmequer da vela
Desfolha sobre a alma ressequida
A poeira do sonho que esfarela.
... e ainda Os ciganos
Tudo o que voa é ave.
Desta janela aberta
A pena que se eleva é mais suave
E a folha que plana é mais liberta.
Nos seus braços azuis o céu aquece
Todo o alado movimento.
É no chão que arrefece
O que não pode andar no firmamento.
Outro levante, pois, ciganos!
Outra tenda sem pátria mais além!
Desumanos
São os sonhos, também...
A Ana Rita leu Lei também do mesmo livro!
Nascer e ficar aqui
Onde os pés sentem firmeza.
Subir ao céu em beleza,
Mas em sonhos, em mentira,
Não vá deixar-nos a lira
De mal com a natureza.
Ser homem como outros homens
Na terra onde se alimenta
O sangue que nos sustenta
A pele e o coração.
Lutar por todo aquele pão
Que corre da placenta.
Dar a alma a um deus dos nossos,
Por uma religião
Com bases na condição
E na dureza dos ossos.
E não rezar padre-nossos
Qualquer que seja a razão.
Trabalhar quanto é preciso
Com alegria e justiça.
Ter um pouco de preguiça
Quando o sol se descobrir.
E dar o sexo à mulher
Que mais fundo nos pedir
E mais fundo nos souber.
E a Teresa leu o prefácio à 2ª edição dos Novos Contos da Montanha e terminou, como começaram a Cristina e o Fernando, com Sísifo:
Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...
Etiquetas:
CLeVA 1.0,
Miguel Torga
namoros livrescos
e eis que começaram a surgir os primeiros namoros
A Teresa Pedrosa trouxe " O homem que lia romances de amor" de Luis Sepúlveda para a Alexandra Justino
(como a Alexandra não veio ontem, ainda não sabemos se o pedido será aceite)
A Helena Policarpo enamorou-se do livro "Histórias da terra e do mar" da Sophia de Mello Breyner Andresen, trazido pela Mila e saiu muito contente levando-o pelo braço.
A Ana Rita foi mais descarada e dedicou o seu "Pescador" à Virgínia que de bom grado aceitou.
A Cristina namorou por interposta pessoa e enviou o " Casos do Beco das Sardinheiras" de Mário de Carvalho para o Rodrigo. Veremos se o Rodrigo se enamora...
A Cristina namorou por interposta pessoa e enviou o " Casos do Beco das Sardinheiras" de Mário de Carvalho para o Rodrigo. Veremos se o Rodrigo se enamora...
Etiquetas:
CLeVA 1.0,
namoros livrescos
21 outubro 2010 - Mar
Leituras:
Mila
Excerto do conto "A casa do mar" de Sophia de Mello Breyner Andresen do livro "Histórias da terra e do mar"
Mariana
Da "Mensagem" de Fernando Pessoa,
Mar Portuguez
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
![]() | |||||
| Helena Policarpo, Isabel, João, Ana Rita, Cecília |
Teresa Pedrosa
Excerto de "O velho e o mar" de Ernest Hemingway
![]() |
| Helena Ramos, Teresa Pedrosa |
Helena Ramos
Estrela do mar de Jorge Palma
a Isabel
leu-nos poema feito "a meias" com a sua irmã
também a Ana Rita
nos leu um poema da sua autoria; "Pescador"
Virgínia (para levantar a moral)
Da "Mensagem" de Fernando Pessoa,
O Infante
Deus quere, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagroute, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
e ainda:
de Fernanda de Castro, com uma belíssima introdução de David Mourão-Ferreira
Não fora o mar
Não fora o mar,
e eu seria feliz na minha rua,
neste primeiro andar da minha casa
a ver, de dia, o sol, de noite a lua,
calada, quieta, sem um golpe de asa.
Não fora o mar,
e seriam contados os meus passos,
tantos para viver, para morrer,
tantos os movimentos dos meus braços,
pequena angústia, pequeno prazer.
Não fora o mar,
e os seus sonhos seriam sem violência
como irisadas bolas de sabão,
efémero cristal, branca aparência,
e o resto — pingos de água em minha mão.
Não fora o mar,
e este cruel desejo de aventura
seria vaga música ao sol pôr
nem sequer brasa viva, queimadura,
pouco mais que o perfume duma flor.
Não fora o mar
e o longo apelo, o canto da sereia,
apenas ilusão, miragem,
breve canção, passo breve na areia,
desejo balbuciante de viagem.
Não fora o mar
e, resignada, em vez de olhar os astros
tudo o que é alto, inacessível, fundo,
cimos, castelos, torres, nuvens, mastros,
iria de olhos baixos pelo mundo.
Não fora o mar
e o meu canto seria flor e mel,
asa de borboleta, rouxinol,
e não rude halali, garra cruel,
Águia Real que desafia o sol.
Não fora o mar
e este potro selvagem, sem arção,
crinas ao vento, com arreio,
meu altivo, indomável coração,
Não fora o mar
e comeria à mão,
não fora o mar
e aceitaria o freio.
Fernando
Excerto de Moby Dick de Herman Melville
Há alguns anos (...) achando-me com pouco ou nenhum dinheiro na carteira, e sem qualquer interesse particular que me prendesse à terra firme, apeteceu-me voltar a navegar e tornar a ver o mundo das águas. É uma maneira que eu tenho de afugentar o tédio e de normalizar a circulação. Sempre que sinto um sabor a fel na boca; sempre que a minha alma se transforma num Novembro brumoso e húmido; sempre que dou por mim a parar diante de agências funerárias e a marchar na esteira dos funerais que cruzam o meu caminho – percebo que chegou a altura de voltar para o mar, tão cedo quanto possível. É uma forma de fugir ao suicídio. (...)E não há nisto nada de extraordinário. Embora inconscientemente, quase todos o homens sentem, numa altura ou noutra da vida, a mesma atracção pelo oceano.(...) Observem a multidão que se junta para contemplar as águas. Postados como sentinelas em toda a periferia da cidade, milhares e milhares de pessoas contemplam, hipnotizadas, o oceano. (...)É (...) gente ligada à terra, gente que passa os dias da semana entre quatro paredes de cal e gesso – amarrada aos escritórios, colada aos bancos, debruçada sobre as escrivaninhas. Então porque se encontra ali? Que força os arrasta para aquele lugar?
Helena Policarpo
Índia de Margarida Pedrosa do livro "Tantas Mãos, a mesma Primavera"
Paulo
A Vida
Na água do rio que procura o mar;
No mar sem fim; na luz que nos encanta;
Na montanha que aos ares se levanta;
No céu sem raias que deslumbra o olhar;
No astro maior, na mais humilde planta;
Na voz do vento, no clarão solar;
No inseto vil, no tronco secular,
— A vida universal palpita e canta!
Vive até, no seu sono, a pedra bruta...
Tudo vive! E, alta noite, na mudez
De tudo, – essa harmonia que se escuta
Correndo os ares, na amplidão perdida,
Essa música doce, é a voz, talvez,
Da alma de tudo, celebrando a Vida!
Cecília
de Dulce Pontes
Garça perdida
Anoiteceu
no meu olhar de feiticeira,
de estrela do mar, de céu, de lua cheia,
de garça perdida na areia.
Anoiteceu no meu olhar,
perdi as penas, não posso voar,
deixei filhos e ninhos,
cuidados, carinhos, no mar...
Só sei voar dentro de mim
neste sonho de abraçar
o céu sem fim, o mar, a terra inteira!
E trago o mar dentro de mim,
com o céu vivo a sonhar e vou sonhar até ao fim,
até não mais acordar...
Então, voltarei a cruzar este céu e este mar,
voarei, voarei sem parar à volta da terra inteira!
Ninhos faria de lua cheia e depois,
dormiria na areia...
no meu olhar de feiticeira,
de estrela do mar, de céu, de lua cheia,
de garça perdida na areia.
Anoiteceu no meu olhar,
perdi as penas, não posso voar,
deixei filhos e ninhos,
cuidados, carinhos, no mar...
Só sei voar dentro de mim
neste sonho de abraçar
o céu sem fim, o mar, a terra inteira!
E trago o mar dentro de mim,
com o céu vivo a sonhar e vou sonhar até ao fim,
até não mais acordar...
Então, voltarei a cruzar este céu e este mar,
voarei, voarei sem parar à volta da terra inteira!
Ninhos faria de lua cheia e depois,
dormiria na areia...
o João
falou-nos da grande barreira de coral
do livro 100 maravilhas do mundo
![]() |
| Augusto |
o Augusto
leu-nos "A Portuguesa" de Henrique Lopes de Mendonça
António
e ainda da "Mensagem" de Fernando Pessoa,
Prece
Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.
Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.
Dá o sopro, a aragem --ou desgraça ou ânsia--
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância --
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
Cristina
Outro testamento de Vitorino Nemésio
pode ler-se e ouvir-se aqui
e de António Nobre
Vou sobre o oceano
Vou sobre o oceano (o luar, de doce, enleva!)
Por este mar de glória, em plena paz.
Terras da Pátria somem-se na treva
Águas de Portugal ficam, atrás.
Onde vou eu? Meu fado onde me leva?
António, onde vais tu, doido rapaz?
Não sei. Mas o vapor, quando se eleva,
Lembra o meu coração, na ânsia em que jaz.
Ó Lusitânia que te vais à vela!
Adeus! que eu parto (rezarei por ela)
Na minha Nau Catarineta, adeus!
Paquete, meu paquete, anda ligeiro,
Sobe depressa à gávea, marinheiro,
E grita, França! pelo amor de Deus!
o livro do dia
![]() |
| António |
foi trazido pelo António e teve direito a uma
DECLARAÇÃO
Antes de iniciar a leitura do livro do dia, e para evitar futuros equívocos e mal-entendidos, perante os membros do Clube de Leitura em Voz Alta da Biblioteca Municipal de Alcochete reunidos em sessão extraordinária no dia 21 de Outubro de 2010, eu, António José Correia Soares, nascido a 06 de Dezembro de 1936, sou forçado a fazer a seguinte declaração:
NASCI NO ANO DA MORTE DE RICARDO REIS!
Para minha frustação, não tive notícia do infausto acontecimento, por diversas razões que acho meu dever levar ao vosso conhecimento.
1. Não havia Internet nem Telemóvel.
2. A Televisão ainda não tinha chegado a Portugal.
3. A Telefonia ainda não frequentava a minha casa.
4. Os jornais O Século e o Diário de Notícias frequentavam a minha casa, mas de pouco me serviam, pois eu, acreditem, nasci totalmente analfabeto! Essa situação embaraçosa resolveu-se em 5 cinco anos e quando fui para a escola já sabia ler e escrever. Nesse tempo em que as mulheres estavam em casa, entre mães, tias e avós o ensino precoce era garantido ás criancinhas.
Passaram muitos anos - 73 ao todo – e de vez em quando chegavam-me notícias de um homem magro, mal encarado, enfiado entre um sobretudo comprido, uns óculos da época e um chapéu enterrado na cabeça. Diziam que era guarda livros na Baixa lisboeta – dizia ele, porque o poeta é um fingidor. Nada disso. O homem que consegue morrer um ano antes do seu heterónimo Ricardo Reis, era um ser de vastíssima cultura, multifacetado. A sua obra só chegou ao meu conhecimento este ano e não antes, por manifesta falta de interesse, pois até tenho na prateleira - no bom e no mau sentido - os dois volumes das Obras Completas com Poesias Inéditas editado pela ÁTICA. No passado inverno, quando a Biblioteca Municipal de Alcochete organizou um curso de 5 dias, dado por um professor universitário, sobre 5 momentos da literatura portuguesa do século 20, esbarrei com o homem que quis morrer antes de eu nascer. Nasceu em Lisboa a 18 de Junho de 1888, morreu de cirrose hepática aos 47 anos, a 30 de Setembro de 1935. Tendo escrito a sua última frase em Inglês – I DON´T KNOW WHAT TOMORROW WILL BRING – (não sei o que o futuro trará), pode ter a certeza de que o futuro lhe destinou o nome maior entre os maiores nomes da literatura mundial de todos os tempos e lugares.
Ah! Já me estava a esquecer. O nome do homem é Fernando Pessoa!
DECLARAÇÃO
Antes de iniciar a leitura do livro do dia, e para evitar futuros equívocos e mal-entendidos, perante os membros do Clube de Leitura em Voz Alta da Biblioteca Municipal de Alcochete reunidos em sessão extraordinária no dia 21 de Outubro de 2010, eu, António José Correia Soares, nascido a 06 de Dezembro de 1936, sou forçado a fazer a seguinte declaração:
NASCI NO ANO DA MORTE DE RICARDO REIS!
Para minha frustação, não tive notícia do infausto acontecimento, por diversas razões que acho meu dever levar ao vosso conhecimento.
1. Não havia Internet nem Telemóvel.
2. A Televisão ainda não tinha chegado a Portugal.
3. A Telefonia ainda não frequentava a minha casa.
4. Os jornais O Século e o Diário de Notícias frequentavam a minha casa, mas de pouco me serviam, pois eu, acreditem, nasci totalmente analfabeto! Essa situação embaraçosa resolveu-se em 5 cinco anos e quando fui para a escola já sabia ler e escrever. Nesse tempo em que as mulheres estavam em casa, entre mães, tias e avós o ensino precoce era garantido ás criancinhas.
Passaram muitos anos - 73 ao todo – e de vez em quando chegavam-me notícias de um homem magro, mal encarado, enfiado entre um sobretudo comprido, uns óculos da época e um chapéu enterrado na cabeça. Diziam que era guarda livros na Baixa lisboeta – dizia ele, porque o poeta é um fingidor. Nada disso. O homem que consegue morrer um ano antes do seu heterónimo Ricardo Reis, era um ser de vastíssima cultura, multifacetado. A sua obra só chegou ao meu conhecimento este ano e não antes, por manifesta falta de interesse, pois até tenho na prateleira - no bom e no mau sentido - os dois volumes das Obras Completas com Poesias Inéditas editado pela ÁTICA. No passado inverno, quando a Biblioteca Municipal de Alcochete organizou um curso de 5 dias, dado por um professor universitário, sobre 5 momentos da literatura portuguesa do século 20, esbarrei com o homem que quis morrer antes de eu nascer. Nasceu em Lisboa a 18 de Junho de 1888, morreu de cirrose hepática aos 47 anos, a 30 de Setembro de 1935. Tendo escrito a sua última frase em Inglês – I DON´T KNOW WHAT TOMORROW WILL BRING – (não sei o que o futuro trará), pode ter a certeza de que o futuro lhe destinou o nome maior entre os maiores nomes da literatura mundial de todos os tempos e lugares.
Ah! Já me estava a esquecer. O nome do homem é Fernando Pessoa!
A sugestão foi "Livro de Versos" de Álvaro de Campos, e o poema escolhido foi:
Tabacaria
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
Àparte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas —
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas —,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Como chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê —
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para àquem do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Etiquetas:
CLeVA 1.0,
livro do dia
A escolha da Isabel
Quando olho para o Mar
Sinto em mim transformação
Porque fico deslumbrada
Fico maravilhada
E dá-me palpitação
2
Ele é azul
Ele é Prata
Não tem cor de definir
Sei que me dá Paixão
E Fico com a sensação
De nunca querer Sair
3
É tão intenso
Tão dócil
Tão Arrogante
Tão Envolvente
Tão Empolgante
Que me sinto sua Amante
4
E na hora de partir
De certeza voltarei
Porque o mar que tanto Adoro
E é com ele que choro
É meu Senhor
É meu Rei
de Natália e Isabel Pinto
Estrela do Mar
Era muita a escolha, mas pouco o tempo!
É mais bonita cantada por ele...
Estrela do Mar
Jorge Palma
É mais bonita cantada por ele...
Estrela do Mar
Jorge Palma
Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
e em que o sono parecia disposto a não vir
fui estender-me na praia sozinho ao relento
e ali longe do tempo acabei por dormir
Acordei com o toque suave de um beijo
e uma cara sardenta encheu-me o olhar
ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar
Sou a estrela do mar
só a ele obedeço, só ele me conhece
só ele sabe quem sou no princípio e no fim
só a ele sou fiel e é ele quem me protege
quando alguém quer à força
ser dono de mim
Não sei se era maior o desejo ou o espanto
mas sei que por instantes deixei de pensar
uma chama invisível incendiou-me o peito
qualquer coisa impossível fez-me acreditar
Em silêncio trocámos segredos e abraços
inscrevemos no espaço um novo alfabeto
já passaram mil anos sobre o nosso encontro
mas mil anos são pouco ou nada para a estrela do mar
As Árvores do Centenário
Porque as coisas acontecem assim, acho que se vamos começar a fazer qualquer coisa... podemos começar por aqui! O que acham? Também podíamos pensar animar a sessão de plantações com leituras...
Horário: 22 novembro 2010 às 8:00 a 28 novembro 2010 às 20:00
Local: TODOS OS CONCELHOS
Organizado por: BOSQUES DO CENTENÁRIO
Horário: 22 novembro 2010 às 8:00 a 28 novembro 2010 às 20:00
Local: TODOS OS CONCELHOS
Organizado por: BOSQUES DO CENTENÁRIO
Descrição do evento:
Cem anos por cem árvores!
No ano da comemoração dos 100 anos da República vamos plantar 100 árvores e deixar um testemunho por mais 100 anos. Contacta a tua autarquia e vem plantar este bosque com espécies autóctones da flora portuguesa, no teu concelho!
Participa! * Uma floresta autóctone é aquela que mais se adapta e que participou na formação de um determinado local ou território.
Preserva a biodiversidade, regula o clima e pode até evitar os incêndios.
Entre 22 e 28 de Novembro, vamos semear os Bosques do Centenário
As florestas são um monumento vivo, a melhor memória e a melhor herança
que podemos deixar para os próximos cem anos e para as gerações futuras.
Aprende a identificar as nossas espécies, a recolher as sementes e a fazer um pequeno viveiro.
Sabe mais através do livro “Da Semente à Árvore” em www.criarbosques.org
A Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, a Autoridade Florestal Nacional,
a Associação Nacional de Municípios Portugueses, a Quercus e com o apoio do Movimento Cívico Limpar Portugal, juntaram-se para fazer da Floresta Autóctone Portuguesa, uma grande causa para os próximos 100 anos.
Lança a semente deste grande projecto!
Etiquetas:
CLeVA 1.0,
Floresta,
Plantar Portugal,
propostas
12 outubro 2010 - FLORESTA

Leituras:
O João falou-nos das sequóias
100 Maravilhas do Mundo
Como curiosidade e porque falámos nelas # As sequóias de Sintra
A Mila leu-nos um poema retirado do filme da Disney;
Pocahontas
Mariana
O Génio da Floresta
Texto de Maria de Lurdes Marcelo
Ilustração de Maria João Lopes
Alexandra Justino
A cidade e as serras - Eça de Queirós
Helena Ramos
O homem que plantava árvores - Jean Gionno
Helena Machado
Poema da árvore - António Gedeão
A Cecília leu-nos um texto seu
Os mistérios do outono
Aqui está o blog:
As coisas malucas da Sissi
Helena Policarpo
O bosque chileno
Confesso que vivi - Pablo Neruda
António
Para Walt Whitman nos tempos do macartismo - Alexandre O´Neill
Curiosidade:
Sabem que a biblioteca do Alexandre O`Neill foi doada à Biblioteca Municipal de Constância, está disponível para o público e ainda não foi "tratada"?
Pode ser um passeio bonito, podem folhear-se os livros, ver anotações que provavelmente nunca ninguém leu, encontrar inéditos, ver imensos livros autografados pelos próprios autores... enfim... pode ser uma aventura
Atenção NÃO CLIQUES AQUI
Paula
A árvore generosa - Shel Silverstein
Daniel
A floresta - Sophia de Mello Breyner Andresen
O Augusto leu-nos um poema de sua autoria
O que digo na floresta quando o meu amor me dói
Fernando
A selva - Ferreira de Castro
Virgínia
O físico prodigioso - Jorge de Sena
A Cristina falou-nos do Chico Mendes através das palavras de
Zuenir Ventura
Um herói trágico
O país que produziu alguns dos mitos olímpicos e dionisíacos do século XX - Pelé, Tom Jobim, Ayrton Senna, Ronaldo - criou também um herói trágico e transformou-o no proto-mártir da causa ecológica, um homem que precisou morrer para ser conhecido em sua pátria, ele que já era, como escreveu o New York Times, “um símbolo de todo o planeta”.
De fato, o seringueiro Chico Mendes foi quem mobilizou não só o Brasil, mas também o mundo para a defesa da floresta amazônica, à qual acabaria dando sua vida. Certo de que estava marcado para morrer, ele não só denunciou a trama, como achava que morreria em vão. “Se descesse um enviado dos céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta, até que valeria a pena. Mas ato público e enterro numeroso não salvarão a Amazônia. Quero viver”.
Ele disse isso e pouco depois, às 18h45 do dia 22 de dezembro de 1988, foi assassinado, aos 44 anos, na porta da cozinha de sua casa em Xapuri, uma pequena cidade de cinco mil habitantes no estado amazônico do Acre. “Ele vinha com as mãos na cabeça, todo vermelho de sangue”, contou Ilzamar, que ouviu um estouro e correu para o marido. “Quando eu quis pegar no seu braço, ele caiu e ficou se debatendo. Aí vi que estava morrendo”.
(...)O autor confesso do disparo, Darci, era filho de Darli Alves da Silva, o fazendeiro mandante do crime.
Só então e diante da grande repercussão internacional, é que o Brasil começou a desconfiar, cheio de culpa, de que tinha perdido o que se custa tanto a construir: um verdadeiro líder.
Como um Gandhi dos trópicos, Chico organizou pacificamente os seringueiros para lutar pela preservação da floresta, que vinha sendo derrubada no Acre desde a década de 70 para dar lugar às grandes pastagens de gado. O movimento de resistência usava uma tática simples e eficaz: o empate, que consistia em impedir os desmatamentos, colocando os seringueiros, seus filhos e mulheres, todos desarmados, entre os peões armados de serras e as árvores.
Também hábil político e homem de diálogo, Chico conseguiu desfazer uma inimizade histórica entre seringueiros e índios. que sob sua influência se aliaram numa grande frente conhecida pelo nome de Povos da Floresta. Condecorado pela ONU e respeitado pelas organizações internacionais de proteção ao meio ambiente, Chico demonstrou que era possível promover um desenvolvimento racional para a floresta amazônica, sem transformá-la em santuário intocável, mas também sem devastá-la.
(...)
Chico sabia que precisava de aliados, não podia ficar isolado em Xapuri lutando contra poderosos interesses de fazendeiros e pecuaristas. Alguns antropólogos e representantes de entidades ambientalistas dos Estados Unidos e da Europa se encarregaram de projetá-lo no circuito internacional.
Em 1987, ele foi o primeiro brasileiro a receber o prêmio Global 500 das Nações Unidas, em Londres. No ano seguinte foi convidado a participar da reunião do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
(...)
A fama que ele alcançara junto a instituições e entidades estrangeiras, o seu carisma, tudo isso aliado aos incômodos empates que organizava em Xapuri, devem ter dado a seus inimigos a certeza de que a única maneira de barrar sua ação catalisadora era a morte.
Por isso ele sabia que ia ser assassinado e denunciou incansavelmente a ameaça. “Não quero flores no meu enterro, pois sei que vão arrancá-las da floresta”, escreveu no dia 5 de dezembro numa mensagem-despedida. “Quero apenas que meu assassinato sirva para acabar com a impunidade dos jagunços, sob a proteção da Polícia Federal do Acre e que, de 1975 para cá, já mataram mais de 50 pessoas”.
Poucas vezes a polícia brasileira contou com uma lista tão completa de acusados, fornecida pela própria vítima. Nem isso, porém, serviu para impedir a morte anunciada.
Chico Mendes acertou quando anunciou que ia ser morto, mas errou ao achar que sua morte poderia ser inútil. Se ela não salvou a Amazônia, serviu pelo menos para intensificar o debate planetário sobre o destino da região. E mais: esse assassinato - antecedido por dezenas de execuções de outros líderes rurais - terá servido para denunciar que em um rico e extenso país ainda se mata por questões de terra.
Aquele estouro que Ilzamar ouviu chegou ao mundo todo. Nunca um tiro dado no Brasil ecoou tão longe.
Zuenir Ventura - Jornalista, ganhador do Prêmio Esso com a série de reportagens sobre Chico Mendes publicada no Jornal do Brasil, e autor de vários livros, entre os quais “Chico Mendes – Crime e Castigo”, publicado em 2003 pela editora Companhia das Letras.
Chico Mendes: crime e castigo - Zuenir Ventura
"A permanência de Chico Mendes quinze anos depois de sua morte só reforça um mistério que não consegui decifrar: como foi possível nascer e crescer no meio da floresta, num pequeno canto verde que cremos mais propício aos bichos e às plantas, um exemplar tão fecundo da espécie humana?"
EM MEMÓRIA DE CHICO MENDES
Chegam notícias do Brasil,o Chico
Mendes foi assassinado,a morte
enrola-se agora nos primeiros frios,
nem sequer a tristeza tem sentido,
a bola continua em órbita,um dia
estoira,o universo ficará mais limpo.
de Eugénio de Andrade
e por fim aqui fica a ligação para a Biblioteca da Floresta
Subscrever:
Mensagens (Atom)







