Inscrições fechadas para a nova temporada 2019/2020

O Clube de Leitura em Voz Alta é agora Coro de Leitura em Voz Alta. Continua a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.


concurso - lost pages club


psst! ali ao lado, nos links, há um, o "LostPagesClub" onde estão as regras.

na prática basta estar alerta, segundas-feiras às 10h00 da manhã, neste blog

quem se quiser habilitar... força! :)

S. Martinho

Ainda o Jantar de S. Martinho

Liberdade

— Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pão de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.
 

Miguel Torga, in 'Diário XII'

Querem uma Luz Melhor que a do Sol!
AH! QUEREM uma luz melhor que
a do Sol!
Querem prados mais verdes do que estes!
Querem flores mais belas do que estas
que vejo!
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontentam,
O que quero é um sol mais sol
que o Sol,
O que quero é prados mais prados
que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores
que estas flores -
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!
 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

O nosso contributo, meu e da Isabel para a ceia de hoje. Não é o São Martinho directamente mas a Liberdade e o Sol têm a ver com tudo

100 Mensagens

Foi ontem... mas nem eu própria dei conta!

Jantar de S. Martinho 2010

Não será bem um recital, mas o CLeVA e alguns amigos juntam-se para mais uma "sessão aberta" na noite de S. Martinho.

Ouvi dizer que há castanhas!


Tem casca bem guardada
Ninguém lhe pode mexer
Sozinha ou acompanhada
Em Novembro nos vem ver



E para deixar já o gostinho para a próxima sessão... "O Homem das Castanhas" de Ary dos Santos




Na Praça da Figueira,

ou no Jardim da Estrela,
num fogareiro aceso é que ele arde.
Ao canto do Outono,à esquina do Inverno,
o homem das castanhas é eterno.
Não tem eira nem beira, nem guarida,
e apregoa como um desafio.

É um cartucho pardo a sua vida,
e, se não mata a fome, mata o frio.
Um carro que se empurra,
um chapéu esburacado,
no peito uma castanha que não arde.
Tem a chuva nos olhos e tem o ar cansado
o homem que apregoa ao fim da tarde.

Ao pé dum candeeiro acaba o dia,
voz rouca com o travo da pobreza.
Apregoa pedaços de alegria,
e à noite vai dormir com a tristeza.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor p'ra casa.

A mágoa que transporta a miséria ambulante,
passeia na cidade o dia inteiro.
É como se empurrasse o Outono diante;
é como se empurrasse o nevoeiro.
Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
ardem no fogareiro dores tamanhas.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais amor p'ra casa.

... mais um namoro!

Não foi pensado... mais uma espécie de amor à primeira leitura. Para a Teresa, da Lena, uma "montanha" de contos.

Livro do Dia - 16 de Novembro de 2010

A cargo de...

Próxima Sessão - 16 de Novembro de 2010

Livro do Dia - Ana Rita

Já aconteceu antes... nem sempre o nosso "livro" está onde queremos no dia em que o procuramos. Por isso a Ana Rita, que ia trazer outro, trouxe "Deste Mundo e do Outro", um livro de crónicas de José Saramago.

2 de Novembro de 2010 - Miguel Torga

A leitura do António foi uma magnífica introdução:


MIGUEL TORGA

Miguel Torga é o pseudónimo de Adolfo Correia Rocha, nascido em São Martinho da Anta, concelho de Sabrosa, distrito de Vila Real, província de Trás-os-Montes e Alto Douro em 12 de Agosto de 1907 e falecido em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995. Durante esse intervalo de tempo foi seminarista em Lamego, tendo desistido ao fim de dois anos e emigrado para o Brasil em 1920, onde um tio era fazendeiro de café. Em 1925 regressa a Portugal, pois o tio resolvera pagar-lhes os estudos. Acabou o liceu em dois anos e em 1928 entra para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra onde se formou em 1933, mas só em 1939 é que viria a exercer a profissão. O pseudónimo nasce em 1934. A sua obra desdobra-se entre poesia, contos, diário e teatro e está traduzida para mais de uma dezenas de línguas, tendo recebido vários prémios nacionais e estrangeiros.

Mas afinal o que diz Miguel Torga?

Do 1º volume do DIÁRIO:
Coimbra, 8 de Agosto de 1941 – Morreu ontem Rabindranath Tagore. Nos jornais, entre peças de artilharia e aviões, a sua máscara cheia de humanidade e santidade veio acicatar em mim este danado problema da salvação. Não da salvação em Deus ou em qualquer paraíso. Da salvação neste mundo, de terra, com homens e com paixões. Veio agudamente dizer-me que ou uma ou outra. Ou se escolhe como ideal um S. Francisco de Assis a rasgar-se nas silvas e a tratar de tordos, ou não há outro remédio senão a gente integrar-se no movimento universal desta gigantesca máquina moderna, e fazer nela de parafuso, como mostrou Chaplin. Assim divididos com luz e sombra na alma, vestidos e despidos, ao mesmo tempo como frutos mal descascados, é que não. Assim é morrer todos os dias.

Sobre Miguel Torga, falta dizer dizer que evitava o contacto com as elites pedantes coimbrãs, que o consideravam como tendo péssimo feitio e como o rei dos chatos.
E , entretanto, o que fazia o Adolfo Correia Rocha? Instalado no seu consultório médico no centro de Coimbra, dava consultas grátis aos pobres. Os seus clientes consideravam-no de trato afável e bom conversador.

A Helena tinha preparado os versos de entrada do "Cântico do Homem", mas infelizmente não se pôde juntar a nós nesta sessão.


A Mila trouxe-nos dos Bichos a história de Bambo, o sapo. Podem lê-la aqui.

Já repararam na abóbora? Pois foi... depois do "Tio Arruda" (arruda é nome de erva mágica) e do Bambo (os sapos são muito usados em bruxaria) a Helena R. leu o Bruxedo dos Contos da Montanha









A Mariana trouxe-nos A Ceia

A Cecília leu um excerto de um dos prefácios: "Na tua ideia, o que escrevo é para te regalar e, se possível, te comover. Mas quero que saibas que ousei partir desse regalo e dessa comoção para te responsabilizar na salvação da casa que, por arder, te deslumbra os sentidos". Já agora, mais uma sugestão para "ler de maneira diferente..."













O Daniel leu Perfil

Não. Não tenho limites.
Quero de tudo
Tudo.
O ramo que sacudo
Fica varejado.
Já nascido em pecado,
Todos os meus pecados são mortais.
Todos tão naturais
À minha condição.
Que, quando por excepção,
Os não pratico
É que me mortifico.
Alma perdida
Antes de se perder,
Sou uma fonte incontida
De viver,
E o que redime a vida
É ela não caber
Em nenhuma medida.
Coimbra, 2 de Março de 1979
in Poesia Completa -Publicações Dom Quixote

A Paula leu o prefácio da Criação do Mundo e um excerto do mesmo livro













A Isabel leu Súplica:
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

E o João foi aos Novos Contos da Montanha buscar Fronteira.













Do livro Libertação o Augusto trouxe Meditação:

Monte
Uma palavra, sol e a sensação
De que é um largo horizonte
O fosso que nos mede o coração.

Cobrem-se de balidos e ternura
Os tojos onde o corpo se rasgou;
Uma brisa de paz e de frescura
Ondula o que há-de vir e que passou.

Mas um moinho ao longe mói a vida...
Sem se deter, o malmequer da vela
Desfolha sobre a alma ressequida
A poeira do sonho que esfarela.

... e ainda Os ciganos

Tudo o que voa é ave.
Desta janela aberta
A pena que se eleva é mais suave
E a folha que plana é mais liberta.
Nos seus braços azuis o céu aquece
Todo o alado movimento.
É no chão que arrefece
O que não pode andar no firmamento.
Outro levante, pois, ciganos!
Outra tenda sem pátria mais além!
Desumanos
São os sonhos, também...

A Ana Rita leu Lei também do mesmo livro!
Nascer e ficar aqui
Onde os pés sentem firmeza.
Subir ao céu em beleza,
Mas em sonhos, em mentira,
Não vá deixar-nos a lira
De mal com a natureza.

Ser homem como outros homens
Na terra onde se alimenta
O sangue que nos sustenta
A pele e o coração.
Lutar por todo aquele pão
Que corre da placenta.

Dar a alma a um deus dos nossos,
Por uma religião
Com bases na condição
E na dureza dos ossos.
E não rezar padre-nossos
Qualquer que seja a razão.

Trabalhar quanto é preciso
Com alegria e justiça.
Ter um pouco de preguiça
Quando o sol se descobrir.
E dar o sexo à mulher
Que mais fundo nos pedir
E mais fundo nos souber.


E a Teresa leu o prefácio à 2ª edição dos Novos Contos da Montanha e terminou, como começaram a Cristina e o Fernando, com Sísifo:

Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

Próxima sessão - 2 de novembro


a Ana Rita trará o livro do dia

mais uma vez acabámos em festa


desta vez comemorámos o recente aniversário do João

namoros livrescos

e eis que começaram a surgir os primeiros namoros

A Teresa Pedrosa trouxe " O homem que lia romances de amor" de Luis Sepúlveda para a Alexandra Justino
(como a Alexandra não veio ontem, ainda não sabemos se o pedido será aceite)

A Helena Policarpo enamorou-se do livro "Histórias da terra e do mar" da Sophia de Mello Breyner Andresen, trazido pela Mila e saiu muito contente levando-o pelo braço.

A Ana Rita foi mais descarada e dedicou o seu "Pescador" à Virgínia que de bom grado aceitou.

A Cristina namorou por interposta pessoa e enviou o " Casos do Beco das Sardinheiras" de Mário de Carvalho para o Rodrigo. Veremos se o Rodrigo se enamora...

21 outubro 2010 - Mar

Leituras:

Mila
Excerto do conto "A casa do mar" de Sophia de Mello Breyner Andresen do livro "Histórias da terra e do mar"

Mariana
Da "Mensagem" de Fernando Pessoa,

Mar Portuguez

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


Helena Policarpo, Isabel, João, Ana Rita, Cecília





Teresa Pedrosa
Excerto de "O velho e o mar" de Ernest Hemingway
 
Helena Ramos, Teresa Pedrosa
Helena Ramos
Estrela do mar de Jorge Palma

a Isabel
leu-nos poema feito "a meias" com a sua irmã

também a Ana Rita
nos leu um poema da sua autoria; "Pescador"

Virgínia (para levantar a moral)
Da "Mensagem" de Fernando Pessoa,

O Infante

Deus quere, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagroute, e foste desvendando a espuma,


E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.


Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

e ainda:
de Fernanda de Castro, com uma belíssima introdução de David Mourão-Ferreira

Não fora o mar
Não fora o mar,
e eu seria feliz na minha rua,
neste primeiro andar da minha casa
a ver, de dia, o sol, de noite a lua,
calada, quieta, sem um golpe de asa.

Não fora o mar,
e seriam contados os meus passos,
tantos para viver, para morrer,
tantos os movimentos dos meus braços,
pequena angústia, pequeno prazer.

Não fora o mar,
e os seus sonhos seriam sem violência
como irisadas bolas de sabão,
efémero cristal, branca aparência,
e o resto — pingos de água em minha mão.

Não fora o mar,
e este cruel desejo de aventura
seria vaga música ao sol pôr
nem sequer brasa viva, queimadura,
pouco mais que o perfume duma flor.

Não fora o mar
e o longo apelo, o canto da sereia,
apenas ilusão, miragem,
breve canção, passo breve na areia,
desejo balbuciante de viagem.

Não fora o mar
e, resignada, em vez de olhar os astros
tudo o que é alto, inacessível, fundo,
cimos, castelos, torres, nuvens, mastros,
iria de olhos baixos pelo mundo.

Não fora o mar
e o meu canto seria flor e mel,
asa de borboleta, rouxinol,
e não rude halali, garra cruel,
Águia Real que desafia o sol.

Não fora o mar
e este potro selvagem, sem arção,
crinas ao vento, com arreio,
meu altivo, indomável coração,

Não fora o mar
e comeria à mão,
não fora o mar
e aceitaria o freio. 


Fernando
Excerto de Moby Dick de Herman Melville 

Há alguns anos (...) achando-me com pouco ou nenhum dinheiro na carteira, e sem qualquer interesse particular que me prendesse à terra firme, apeteceu-me voltar a navegar e tornar a ver o mundo das águas. É uma maneira que eu tenho de afugentar o tédio e de normalizar a circulação. Sempre que sinto um sabor a fel na boca; sempre que a minha alma se transforma num Novembro brumoso e húmido; sempre que dou por mim a parar diante de agências funerárias e a marchar na esteira dos funerais que cruzam o meu caminho – percebo que chegou a altura de voltar para o mar, tão cedo quanto possível. É uma forma de fugir ao suicídio. (...)E não há nisto nada de extraordinário. Embora inconscientemente, quase todos o homens sentem, numa altura ou noutra da vida, a mesma atracção pelo oceano.(...) Observem a multidão que se junta para contemplar as águas. Postados como sentinelas em toda a periferia da cidade, milhares e milhares de pessoas contemplam, hipnotizadas, o oceano. (...)É (...) gente ligada à terra, gente que passa os dias da semana entre quatro paredes de cal e gesso – amarrada aos escritórios, colada aos bancos, debruçada sobre as escrivaninhas. Então porque se encontra ali? Que força os arrasta para aquele lugar?

Helena Policarpo
Índia de Margarida Pedrosa do livro "Tantas Mãos, a mesma Primavera"


Paulo
de Olavo Bilac

A Vida

Na água do rio que procura o mar;
No mar sem fim; na luz que nos encanta;
Na montanha que aos ares se levanta;
No céu sem raias que deslumbra o olhar;
No astro maior, na mais humilde planta;
Na voz do vento, no clarão solar;
No inseto vil, no tronco secular,
— A vida universal palpita e canta!
Vive até, no seu sono, a pedra bruta...
Tudo vive! E, alta noite, na mudez
De tudo, – essa harmonia que se escuta
Correndo os ares, na amplidão perdida,
Essa música doce, é a voz, talvez,
Da alma de tudo, celebrando a Vida! 



Cecília
de Dulce Pontes

Garça perdida

Anoiteceu
no meu olhar de feiticeira,
de estrela do mar, de céu, de lua cheia,
de garça perdida na areia.
Anoiteceu no meu olhar,
perdi as penas, não posso voar,
deixei filhos e ninhos,
cuidados, carinhos, no mar...
Só sei voar dentro de mim
neste sonho de abraçar
o céu sem fim, o mar, a terra inteira!
E trago o mar dentro de mim,
com o céu vivo a sonhar e vou sonhar até ao fim,
até não mais acordar...
Então, voltarei a cruzar este céu e este mar,
voarei, voarei sem parar à volta da terra inteira!
Ninhos faria de lua cheia e depois,
dormiria na areia... 


o João
do livro 100 maravilhas do mundo 


Augusto

o Augusto
leu-nos "A Portuguesa" de Henrique Lopes de Mendonça


António
e ainda da "Mensagem" de Fernando Pessoa,

Prece

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.


Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.


Dá o sopro, a aragem --ou desgraça ou ânsia--
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância --
Do mar ou outra, mas que seja nossa!



Cristina
Outro testamento de Vitorino Nemésio
pode ler-se e ouvir-se aqui

e de António Nobre

Vou sobre o oceano

Vou sobre o oceano (o luar, de doce, enleva!)
Por este mar de glória, em plena paz.
Terras da Pátria somem-se na treva
Águas de Portugal ficam, atrás.

Onde vou eu? Meu fado onde me leva?
António, onde vais tu, doido rapaz?
Não sei. Mas o vapor, quando se eleva,
Lembra o meu coração, na ânsia em que jaz.

Ó Lusitânia que te vais à vela!
Adeus! que eu parto (rezarei por ela)
Na minha Nau Catarineta, adeus!

Paquete, meu paquete, anda ligeiro,
Sobe depressa à gávea, marinheiro,
E grita, França! pelo amor de Deus!