o CLeVA é um espectáculo (título provisório)

é já no próximo dia 30 de abril, na Biblioteca Municipal de Alcochete, pelas 16h00
Inscrições fechadas para a nova temporada 2019/2020
O Clube de Leitura em Voz Alta é agora Coro de Leitura em Voz Alta. Continua a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.
Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.

Deve-se estar sempre embriagado. Nada mais conta.
Para não sentir o horrível fardo do tempo que esmaga os vossos ombros e vos faz pender para a terra, deveis embriagar-vos sem tréguas.
Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude. À vossa escolha. Mas embriagai-vos!
E se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na erva verde de uma vala, na solidão baça do vosso quarto, acordais já diminuída ou desaparecida a embriaguez, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo que foge, a tudo o que geme, a tudo que rola, a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas são.
E o vento, a vaga, a estrela, a ave, o relógio vos responderão: “São horas de vos embriagardes. Para não serdes os escravos do tempo, embriagai-vos sem cessar. De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha."
Faltam ovos na cozinha
Não há ovos para o doce.
"Alto lá" disse a galinha
"Ponho um ovo e acabou-se."
"Ponho um ovo e acabou-se.
Amassado com farinha,
se não chega para o doce,
vão dizer que a culpa é minha."
"Vão dizer que a culpa é minha.
Vão dizer: ela baldou-se.
Vão dizer: esta galinha
proibiu que houvesse doce."
"Proibiu que houvesse doce.
Foi tacanha, foi mesquinha.
Nem que fosse! Nem que fosse!",
cacarejou a galinha.
Cacarejou a galinha
e espremeu-se e esforçou-se.
E pôs um ovo que tinha
mais valor que muito doce.
Mais valor que muito doce,
que mil ovos de galinha:
era de oiro e acabou-se
a miséria na cozinha.
Poesia de cozinha
Bolo de mel com noz,
Regado com calda de laranja,
Vitamina C para a voz,
Enfeitado por cascas em franja.
Uns estaladiços flocos de aveia,
Com iogurte de frutos tropicais,
Orientam a fome até à ceia
E até desarranjos intestinais.
Ao almoço o cozido de carnes gordas
Bem temperado e a tintinho regado,
Para outros ficam as açordas
Com coentros e ovo escalfado.
A tarde é de sopas e descanso,
Rebate-se com café a comida,
O aperitivo para afogar o ganso
E uma estiradinha bem merecida.
Ao lanche, após a cómoda sesta
Umas bolachinhas com manteiga,
Um pouco de leite que ainda resta
E uma frutinha doce e meiga.
Um belo filete de atum grelhado
Acompanhado de frescos bróculos,
A fazer de petisco ajantarado
Com vinho e alguns ósculos.
Só um cálice de um bom Porto,
Base de amena cavaqueira,
Pouco para não ficar torto
E bem juntinho à lareira.
Ingredientes:
12 rosas, de preferência vermelhas
12 castanhas
Duas colheres de manteiga
Duas colheres de fécula de milho
Duas gotas de essência de rosas
Duas colheres de anis
Duas colheres de mel
Dois alhos
6 codornizes
1 pithaya
Junte uma colher de chá de grãos de pimenta preta, 1 noz-moscada inteira, 4 paus de canela de tamanho médio, 1 colher de chá de coriando. Todos estes ingredientes deverão ser pisados num almofariz. Junte cerca de uma mão-cheia de tâmaras cristalizadas, de figos secos, amêndoas com casca e amendoins: pique estes frutos e misture-os bem. Pode pisar no almofariz uma mão cheia de cannabis sativa , até ficar em pó. Tudo isto, bem como as especiarias, deve ser polvilhado de frutos secos e depois misturado. Dissolva aproximadamente uma chávena de açúcar em bastante manteiga.
Quer esta massa seja enrolada em forma de bolo e cortada em pequenos pedaços ou trabalhada em bolas do tamanho de uma noz, deverá sempre ser degustada com moderação e cuidado. Dois pedaços são mais que suficientes.
Obter a cannabis pode levantar algumas dificuldades. Mas a variedade conhecida por Cannabis sativacresce como uma erva daninha vulgar, passando muitas vezes desapercebida, em qualquer região da Europa ou Ásia e também nalgumas regiões de África. Para além de que é cultivada e utilizada na produção de cordas. Nas Américas, os seus familiares denominados Cannabis indica, muitas vezes censurados, chegam a ser detectados em vasos nas varandas citadinas[2].
Que bem que me tem feito a levedura
de cerveja!
Limpou-me a casposa brotoeja
e a literatura!
Ou será a pulseira japonesa
que me prende à saúde?
Ou esses banhos em que o corpo exsuda
à finlandesa?
À porta dos quarenta todo o cuidado
é pouco!
Devaneios? Pois sim... Allegro ma non troppo....
... e há-de ser dado!
Quem sabe se, minaz, um carcinoma,
do corpo nos recessos,
a estas horas não me faz progressos
a caminho do coma?
Complexado como eu também não há
ninguém!
A não ser, talvez, a minha mãe,
que já lá está...
A vida, mãezinha, foite dura,
muito embora...
Adeus, adeus!, que está na hora
da levedura!
Ponha a água ao lume e, quando estiver a ferver, junte as batatas e as cebolas cortadas em quartos, o azeite e o sal. Deixe cozer em panela tapada e reduza a puré. À parte escalde as nabiças com água a ferver temperada de sal e junte-as ao puré. Deixe levantar fervura e retire do lume passados 10 minutos.
Há quem diga que a rama do nabo, como a da couve, quando apresentadas em qualquer forma sólida, são alimentos exclusivos para as constituições vigorosas, ou seja, talhantes pedreiros e lavradores; e que bibliotecários, inválidos, fêmeas de pequena estatura e todos que tenham digestões delicadas fariam melhor em se abster de tais alimentos.
Eu, pelo contrário, sou de opinião de que o consumo da nabiça e da couve fortalecerá uma digestão frágil, devido às propriedades das folhas, que já vi darem novo alento a uma cabra doente, e de uma vaca agonizante fazerem um animal cheio de vida, ao ponto de se por a dançar.
Mas quanto aos que crêem na primeira teoria, podem experimentar a sopa: atar em molhos as nabiças ou as couves com a ajuda de crina de cavalo. Mergulhá-los em água a ferver, a que se adicionou um pouco de sal, durante meia hora. O líquido coado pode constituir um prato ligeiro durante a Quaresma.
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo…
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).
Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.

Nelo: Sempre a corrigir, parece que é parda! sempre a corrigir, eu sou uma pessoa
especializada em ler na vertical percebe, eu sou uma pessoa artística, sou uma pessoa
aérea, não sou como você, que vai às letras todas ver o que lá tá escrito, eu não, estúpida,
sou uma pessoa que não, não conto as bolachas de água e sal cada vez que vai ao pacote.
Idália: Olha eu pelo menos, vou ao pacote, tomo decisões, não sou como certas
pessoas, que não vão, nem saem de cima.



HR
|
deixou
|
AJ
|
deixou cair
|
HR
|
deixou cair o quê?
|
XJ
|
deixou cair o que tinha na mão.
|
HR
|
deixou cair o que tinha na mão e?
|
XJ
|
deixou cair o que tinha na mão e caiu morto
|
TODAS
|
ah ah! deixou cair o que tinha na mão e caiu morto!
|
XF
|
não tinha
|
AR
|
não tinha o quê?
|
XF
|
não tinha nada na mão.
|
AR
|
não tinha nada na mão?
|
XF
|
não tinha nada na mão quando caiu morto.
|
TODAS
|
ah ah! não tinha nada na mão quando caiu morto!
|
HR
|
não tinha
|
XJ
|
não tinha o quê?
|
HR
|
não tinha onde cair morto.
|
XJ
|
não tinha onde cair morto?
|
HR
|
não tinha onde cair morto e caiu morto na mesma.
|
TODAS
|
ah ah! não tinha onde cair morto e caiu morto na mesma!
|
XF
|
deixou cair o que tinha na mão e caiu morto.
|
AR
|
não tinha nada na mão quando caiu morto.
|
HR
|
não tinha onde cair morto e caiu morto na mesma.
|
XJ
|
o que tinha na mão e
|
XJ
|
não tinha nada na mão
|
XJ
|
não tinha onde
|
XJ
|
e caiu
|
TODAS – XJ
|
na mesma?
|
AR
|
o que tinha na mão e
|
AR
|
não tinha nada
|
AR
|
não tinha onde
|
AR
|
e caiu
|
XF
|
o que tinha
|
HR
|
não tinha nada
|
AR
|
não tinha onde
|
XJ
|
e
|
HR
|
tinha
|
XF
|
tinha não
|
AR
|
não tinha
|
HR+XF+XJ
|
tinha
|
AR
|
não tinha
|
HR+XF+XJ
|
tinha
|
TODAS
|
ah ah
|




O Poeta AprendizPode ser visto aqui... mas não é a mesma coisa!
Vinícius de Morais
Ele era um menino
Valente e caprino
Um pequeno infante
Sadio e grimpante
Anos tinha dez
E asas nos pés
Com chumbo e bodoque
Era plic e ploc
O olhar verde gaio
Parecia um raio
Para tangerina
Pião ou menina
Seu corpo moreno
Vivia correndo
Pulava no escuro
Não importa que muro
Saltava de anjo
Melhor que marmanjo
E dava o mergulho
Sem fazer barulho
Em bola de meia
Jogando de meia-direita ou de ponta
Passava da conta
De tanto driblar
Amava era amar
Amava Leonor
Menina de cor
Amava as criadas
Varrendo as escadas
Amava as gurias
Da rua, vadias
Amava suas primas
Com beijos e rimas
Amava suas tias
De peles macias
Amava as artistas
Das cine-revistas
Amava a mulher
A mais não poder
Por isso fazia
Seu grão de poesia
E achava bonita
A palavra escrita
Por isso sofria
De melancolia
Sonhando o poeta
Que quem sabe um dia
Poderia ser
Lídia
Anaquim
Quem te falou em escolhas certas
Mentiu-te
Quem te apontou caminho sem os percorrer
Quem te mostrou suas aguarelas
Nas telas pintadas por uma só forma de ver
Quem te falou numa verdade
Enganou-te
Há mais verdades escondidas por ai
Somos voláteis
Somos feitos de contrários
Somos todos santos
Somos todos mercenários
Sacrifico
Minha vontade
Por um tiro no escuro
Que nos deixa sós
Custa ver que na realidade
O tiro não foi no escuro
O tiro foi em nós
Não pretendo
Não fazer erros
Vou aprendendo com o mal que trago em mim
E se aprendo
Sinto-me gente
E só é gente quem consegue ser assim
Alguém
Que vendo o mal nunca está bem
Que vendo o mal nunca está bem
Que vendo o mal nunca está bem(2x)
Alguém disse
Que a vida passa a correr
E eu fui na corrida sem sequer me aperceber
Alguém disse
Que a vida passa a correr
E eu fui na corrida sem parar para abastecer
A vida são dois dias
Disse um homem já maduro
Tive o ontem e o hoje
O mais certo é não ter futuro
O velho do Restelo
Diz que a vida são dois dias
E entre o choro e o riso
Eu não deixei horas vazias
Lídia enlaçemos as mãos
Vamos ficar então
Somente a ver passar o rio
Lídia jogemos xadrez
Façamos isso em vez
De dar à guerra o nosso rio
Lídia sejamos alheios
Aos desgostos feios de quem já não quer quem tem
Mas Lídia eu sinto-me vazio
Ao ver passar o rio
Sem te ter nem fazer por ser
Alguém
Que vendo o mal nunca está bem
Que vendo o mal nunca está bem
Que vendo o mal nunca está bem
Alguém
Cuja maldição afinal
Está nessa fraqueza carnal
De querer o bem e ter o mal
No meio do caminho
Carlos Drummond de Andrade
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

