Inscrições fechadas para a nova temporada 2019/2020
O Clube de Leitura em Voz Alta é agora Coro de Leitura em Voz Alta. Continua a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.
Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.
Ensaio - o CLeVA é um espectáculo (título provisório)
aproxima-se o grande dia
é já no próximo dia 30 de abril, às 16h00
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Estarás sempre connosco

E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.
Miguel Sousa Tavares
(ensaio) o CLeVA é um espectáculo (título provisório)

é já no próximo 30 de abril, na Biblioteca Municipal de Alcochete, pelas 16h00
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Agenda Cultural
Aqui fica a agenda do mês de Abril
- Inscrições para o CLeVA a decorrer
- Espectáculo no dia 30 de Abril!
- Inscrições para o CLeVA a decorrer
- Espectáculo no dia 30 de Abril!
começou a contagem decrescente para
o CLeVA é um espectáculo (título provisório)

é já no próximo dia 30 de abril, na Biblioteca Municipal de Alcochete, pelas 16h00
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22 de Março 2011 - Parabéns CLeVA
Um brinde

Baudelaire
Um bolo

Que conte muitos!
Deve-se estar sempre embriagado. Nada mais conta.
Para não sentir o horrível fardo do tempo que esmaga os vossos ombros e vos faz pender para a terra, deveis embriagar-vos sem tréguas.
Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude. À vossa escolha. Mas embriagai-vos!
E se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na erva verde de uma vala, na solidão baça do vosso quarto, acordais já diminuída ou desaparecida a embriaguez, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo que foge, a tudo o que geme, a tudo que rola, a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas são.
E o vento, a vaga, a estrela, a ave, o relógio vos responderão: “São horas de vos embriagardes. Para não serdes os escravos do tempo, embriagai-vos sem cessar. De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha."
Baudelaire
Um bolo
Que conte muitos!
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22 de Março 2011 - Gastronomia
Para celebrar o primeiro aniversário do CLeVA juntámo-nos à roda da gastronomia. O ponto de encontro foi o restaurante "Âncora", em Alcochete.
Mariana e Cecília
Excertos de "Chocolate" de Joan Harris e "Chocolate: histórias para lar e chorar por mais" de vários autores
O texto pode ser encontrado aqui
João, Isabel, Helena P. e António
Rodrigo
"O aniversário do papá" in "Eu sou o Maior" de Goscinny e Sempé
Teresa
"O ovo da galinha" de António Torrado
Helena R.
Receita de Mulher de Vinicius de Morais
Augusto
De autor desconhecido...
Fernando
(lá se escapou o fotógrafo da foto, mais uma vez...)
Pão de Russel Edson
Gosto de pão bonito. Pão que apetece. O tipo de pão que encontramos em sonhos de fome...Sucede que um dia conheci um desses pães. Tinha batido a uma porta (coisa que faço às vezes para manter em forma os nós dos dedos) e uma mulher farinhenta e de grandes dimensões (tinha aquele aspecto mal cozido e ainda por amassar) apareceu com um bonito pão nos braços.Dei-lhe uma trincadela, e o pão começou a chorar...
Cristina
"A Beringela" do livro "O meu coração é árabe" (Trad. de Adalberto Alvares)
[e a notícia do prémio que recebeu da UNESCO pela escrita deste livro]
Ana Rita
Do livro "Como água para chocolate" de Laura Esquível, a receita do mês de Março: Codornizes com pétalas de rosas
Alexandra F.
A gripe das vogais do livro "Sopa de Letras" de João Manuel Ribeiro
Carlos Morgado
Alice B. Toklas [1]
Bolinhos de Haxixe (que qualquer pessoa pode preparar num dia de chuva)
Este é o manjar do Paraíso – dos Paraísos Artificiais de Baudelaire: poderá servir para um lanche divertido num Clube de Bridge de Senhoras (…). Em Marrocos ele é considerado benéfico para a prevenção contra a constipação vulgar que o Inverno húmido traz consigo e é, na realidade mais eficaz se acompanhado por grandes quantidades de chá de menta quente.
Euforia e tempestades radiantes de gargalhadas; devaneios de êxtase e dilatação da personalidade em diferentes planos simultâneos são efeitos que deverão ser acolhidos de uma forma complacente. Praticamente tudo que Santa Teresa fez, você poderá fazer melhor se se deixar arrebatar por “un évanouissement réveillé”.
Ingredientes [8 pessoas]
1 Colher de chá de grãos de pimenta preta
1 Noz-moscada Inteira
4 Paus de canela de tamanho médio
1 Colher de chá de coriando (Sementes de Coentros: Coriandrum sativum)
1 Mão cheia de tâmaras cristalizadas
1 Mão cheia de figos secos
1 Mão cheia de amêndoas com casca [refere-se à pele da amêndoa]
1 Mão cheia de amendoins
1 Mão cheia de amendoins
1 Chávena de açúcar
3 Colheres de sopa de manteiga
The Alice B. Toklas Cookbook © Penguin, 1984, traduzido por Ana Matoso, in «Receitas Literárias», Volume III, Lisboa: 101 Noites, 2000, pp.74/75
[NOTAS]
[1]Alice Babette. Toklas (1877-1967), companheira de Gertrude Stein durante trinta e nove anos, permaneceu sempre como uma figura de fundo a viver na sombra de Stein, até que Stein publicou as suas memórias em 1933, sob o título The Autobiography of Alice B. Toklas, tornando-se um best-seller. As duas mantiveram-se juntas até à morte de Gertrude Stein em 1946. Em 1968, o filme I Love You, Alice B. Toklas protagonizado por Peter Sellers, dirigido por Hy Averback. É um filme inserido na contracultura dos anos ‘60. O seu título é uma referência à escritora Alice B. Toklas, cujo livro de receitas, escrito em 1954 apresenta uma receita de Bolinhos de Haxixe (Cannabis Brownies).
[2]Esta receita encontra-se inserida no capítulo “Recipes from Friends”, no qual a autora fornece aos seus leitores sugestões culinárias dos seus amigos. A receita propriamente dita para este doce de haxixe é, pois, da autoria de Brian Gysen. (N. da trad.)
Alexandra J.
A festa de Babette por Rubem Alves
(Aqui um pouco mais sobre o filme de Gabriel Axel, a partir do livro de Karen Blixen. Se ainda não viram, façam por ver.)
João e Vasco
"A levedura de cerveja" de Alexandre O'Neill
Helena M.
Leonardo Da Vinci
Sopa de Nabiça
Ingredientes
½ Kg de Batatas
1 Molho de Nabiças
2 Colheres de sopa de azeite
2 Cebolas médias
40g de sal
Apontamentos de Cozinha de Leonardo Da Vinci, in «Receitas Literárias», Volume I, Lisboa: 101 Noites, 2000, pp.20/21
Rui Paulo
De Álvaro de Campos "Dobrada à moda do Porto"
Mariana e Cecília
Excertos de "Chocolate" de Joan Harris e "Chocolate: histórias para lar e chorar por mais" de vários autores
O texto pode ser encontrado aqui
João, Isabel, Helena P. e António
Vou dizer qual é a diferença entre a uva e o beijo;
da uva nasce o vinho e do beijo nasce o amor.
Mas, se o melhor do amor é doar-se inteiramente,
porém, cuidado com o vinho, mesmo que gostoso.
Comparar os dois não é coincidência, já que um
como o outro, quando com abuso, o resultado,
pode crer, é desastroso. Mas, não dispenso
o vinho e tampouco o amor, pois os dois
me levam ao verdadeiro …paraíso.
Abusar eu sei que não posso,
principalmente se devo
conduzir…O que
posso é
fazer
um
tin,
tin,
por
uma,
ou duas
vezes, ainda mais
quando estou em companhia dela!
quando estou em companhia dele!
Rodrigo
"O aniversário do papá" in "Eu sou o Maior" de Goscinny e Sempé
Teresa
"O ovo da galinha" de António Torrado
Faltam ovos na cozinha
Não há ovos para o doce.
"Alto lá" disse a galinha
"Ponho um ovo e acabou-se."
"Ponho um ovo e acabou-se.
Amassado com farinha,
se não chega para o doce,
vão dizer que a culpa é minha."
"Vão dizer que a culpa é minha.
Vão dizer: ela baldou-se.
Vão dizer: esta galinha
proibiu que houvesse doce."
"Proibiu que houvesse doce.
Foi tacanha, foi mesquinha.
Nem que fosse! Nem que fosse!",
cacarejou a galinha.
Cacarejou a galinha
e espremeu-se e esforçou-se.
E pôs um ovo que tinha
mais valor que muito doce.
Mais valor que muito doce,
que mil ovos de galinha:
era de oiro e acabou-se
a miséria na cozinha.
Helena R.
Receita de Mulher de Vinicius de Morais
Augusto
De autor desconhecido...
Poesia de cozinha
Bolo de mel com noz,
Regado com calda de laranja,
Vitamina C para a voz,
Enfeitado por cascas em franja.
Uns estaladiços flocos de aveia,
Com iogurte de frutos tropicais,
Orientam a fome até à ceia
E até desarranjos intestinais.
Ao almoço o cozido de carnes gordas
Bem temperado e a tintinho regado,
Para outros ficam as açordas
Com coentros e ovo escalfado.
A tarde é de sopas e descanso,
Rebate-se com café a comida,
O aperitivo para afogar o ganso
E uma estiradinha bem merecida.
Ao lanche, após a cómoda sesta
Umas bolachinhas com manteiga,
Um pouco de leite que ainda resta
E uma frutinha doce e meiga.
Um belo filete de atum grelhado
Acompanhado de frescos bróculos,
A fazer de petisco ajantarado
Com vinho e alguns ósculos.
Só um cálice de um bom Porto,
Base de amena cavaqueira,
Pouco para não ficar torto
E bem juntinho à lareira.
Fernando
(lá se escapou o fotógrafo da foto, mais uma vez...)
Pão de Russel Edson
Gosto de pão bonito. Pão que apetece. O tipo de pão que encontramos em sonhos de fome...Sucede que um dia conheci um desses pães. Tinha batido a uma porta (coisa que faço às vezes para manter em forma os nós dos dedos) e uma mulher farinhenta e de grandes dimensões (tinha aquele aspecto mal cozido e ainda por amassar) apareceu com um bonito pão nos braços.Dei-lhe uma trincadela, e o pão começou a chorar...
Cristina
"A Beringela" do livro "O meu coração é árabe" (Trad. de Adalberto Alvares)
[e a notícia do prémio que recebeu da UNESCO pela escrita deste livro]
Ana Rita
Do livro "Como água para chocolate" de Laura Esquível, a receita do mês de Março: Codornizes com pétalas de rosas
Ingredientes:
12 rosas, de preferência vermelhas
12 castanhas
Duas colheres de manteiga
Duas colheres de fécula de milho
Duas gotas de essência de rosas
Duas colheres de anis
Duas colheres de mel
Dois alhos
6 codornizes
1 pithaya
Alexandra F.
A gripe das vogais do livro "Sopa de Letras" de João Manuel Ribeiro
Carlos Morgado
Alice B. Toklas [1]
Bolinhos de Haxixe (que qualquer pessoa pode preparar num dia de chuva)
Este é o manjar do Paraíso – dos Paraísos Artificiais de Baudelaire: poderá servir para um lanche divertido num Clube de Bridge de Senhoras (…). Em Marrocos ele é considerado benéfico para a prevenção contra a constipação vulgar que o Inverno húmido traz consigo e é, na realidade mais eficaz se acompanhado por grandes quantidades de chá de menta quente.
Euforia e tempestades radiantes de gargalhadas; devaneios de êxtase e dilatação da personalidade em diferentes planos simultâneos são efeitos que deverão ser acolhidos de uma forma complacente. Praticamente tudo que Santa Teresa fez, você poderá fazer melhor se se deixar arrebatar por “un évanouissement réveillé”.
Ingredientes [8 pessoas]
1 Colher de chá de grãos de pimenta preta
1 Noz-moscada Inteira
4 Paus de canela de tamanho médio
1 Colher de chá de coriando (Sementes de Coentros: Coriandrum sativum)
1 Mão cheia de tâmaras cristalizadas
1 Mão cheia de figos secos
1 Mão cheia de amêndoas com casca [refere-se à pele da amêndoa]
1 Mão cheia de amendoins
1 Mão cheia de amendoins
1 Chávena de açúcar
3 Colheres de sopa de manteiga
Junte uma colher de chá de grãos de pimenta preta, 1 noz-moscada inteira, 4 paus de canela de tamanho médio, 1 colher de chá de coriando. Todos estes ingredientes deverão ser pisados num almofariz. Junte cerca de uma mão-cheia de tâmaras cristalizadas, de figos secos, amêndoas com casca e amendoins: pique estes frutos e misture-os bem. Pode pisar no almofariz uma mão cheia de cannabis sativa , até ficar em pó. Tudo isto, bem como as especiarias, deve ser polvilhado de frutos secos e depois misturado. Dissolva aproximadamente uma chávena de açúcar em bastante manteiga.
Quer esta massa seja enrolada em forma de bolo e cortada em pequenos pedaços ou trabalhada em bolas do tamanho de uma noz, deverá sempre ser degustada com moderação e cuidado. Dois pedaços são mais que suficientes.
Obter a cannabis pode levantar algumas dificuldades. Mas a variedade conhecida por Cannabis sativacresce como uma erva daninha vulgar, passando muitas vezes desapercebida, em qualquer região da Europa ou Ásia e também nalgumas regiões de África. Para além de que é cultivada e utilizada na produção de cordas. Nas Américas, os seus familiares denominados Cannabis indica, muitas vezes censurados, chegam a ser detectados em vasos nas varandas citadinas[2].
The Alice B. Toklas Cookbook © Penguin, 1984, traduzido por Ana Matoso, in «Receitas Literárias», Volume III, Lisboa: 101 Noites, 2000, pp.74/75
[NOTAS]
[1]Alice Babette. Toklas (1877-1967), companheira de Gertrude Stein durante trinta e nove anos, permaneceu sempre como uma figura de fundo a viver na sombra de Stein, até que Stein publicou as suas memórias em 1933, sob o título The Autobiography of Alice B. Toklas, tornando-se um best-seller. As duas mantiveram-se juntas até à morte de Gertrude Stein em 1946. Em 1968, o filme I Love You, Alice B. Toklas protagonizado por Peter Sellers, dirigido por Hy Averback. É um filme inserido na contracultura dos anos ‘60. O seu título é uma referência à escritora Alice B. Toklas, cujo livro de receitas, escrito em 1954 apresenta uma receita de Bolinhos de Haxixe (Cannabis Brownies).
[2]Esta receita encontra-se inserida no capítulo “Recipes from Friends”, no qual a autora fornece aos seus leitores sugestões culinárias dos seus amigos. A receita propriamente dita para este doce de haxixe é, pois, da autoria de Brian Gysen. (N. da trad.)
Alexandra J.
A festa de Babette por Rubem Alves
(Aqui um pouco mais sobre o filme de Gabriel Axel, a partir do livro de Karen Blixen. Se ainda não viram, façam por ver.)
João e Vasco
"A levedura de cerveja" de Alexandre O'Neill
Que bem que me tem feito a levedura
de cerveja!
Limpou-me a casposa brotoeja
e a literatura!
Ou será a pulseira japonesa
que me prende à saúde?
Ou esses banhos em que o corpo exsuda
à finlandesa?
À porta dos quarenta todo o cuidado
é pouco!
Devaneios? Pois sim... Allegro ma non troppo....
... e há-de ser dado!
Quem sabe se, minaz, um carcinoma,
do corpo nos recessos,
a estas horas não me faz progressos
a caminho do coma?
Complexado como eu também não há
ninguém!
A não ser, talvez, a minha mãe,
que já lá está...
A vida, mãezinha, foite dura,
muito embora...
Adeus, adeus!, que está na hora
da levedura!
Helena M.
Leonardo Da Vinci
Sopa de Nabiça
Ingredientes
½ Kg de Batatas
1 Molho de Nabiças
2 Colheres de sopa de azeite
2 Cebolas médias
40g de sal
Ponha a água ao lume e, quando estiver a ferver, junte as batatas e as cebolas cortadas em quartos, o azeite e o sal. Deixe cozer em panela tapada e reduza a puré. À parte escalde as nabiças com água a ferver temperada de sal e junte-as ao puré. Deixe levantar fervura e retire do lume passados 10 minutos.
Há quem diga que a rama do nabo, como a da couve, quando apresentadas em qualquer forma sólida, são alimentos exclusivos para as constituições vigorosas, ou seja, talhantes pedreiros e lavradores; e que bibliotecários, inválidos, fêmeas de pequena estatura e todos que tenham digestões delicadas fariam melhor em se abster de tais alimentos.
Eu, pelo contrário, sou de opinião de que o consumo da nabiça e da couve fortalecerá uma digestão frágil, devido às propriedades das folhas, que já vi darem novo alento a uma cabra doente, e de uma vaca agonizante fazerem um animal cheio de vida, ao ponto de se por a dançar.
Mas quanto aos que crêem na primeira teoria, podem experimentar a sopa: atar em molhos as nabiças ou as couves com a ajuda de crina de cavalo. Mergulhá-los em água a ferver, a que se adicionou um pouco de sal, durante meia hora. O líquido coado pode constituir um prato ligeiro durante a Quaresma.
Apontamentos de Cozinha de Leonardo Da Vinci, in «Receitas Literárias», Volume I, Lisboa: 101 Noites, 2000, pp.20/21
Rui Paulo
De Álvaro de Campos "Dobrada à moda do Porto"
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo…
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).
Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
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CLeVA 1.0,
Gastronomia
ora oiçam :-)
Gaiteiros de Lisboa : Trângulo mângulo
Música: Carlos Guerreiro
Letra: popular
(lenga-lenga)
Victor Almeida
(Sta Marta de Penaguião)
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Tinha vinte e quatro freiras
Mandei-as fazer um doce
deu-lhes o tragulotrico trangulumangulo nelas
não ficaram senão doze
Dessas doze que ficaram
mandei-as vestir de bronze
deu-lhes o tragulotrico trangulumangulo nelas
não ficaram senão onze
dessas onze que ficaram
mandei-as lavar os pés
deu-lhes o tragulotrico trangulumangulo nelas
não ficaram senão dez
dessas dez que me ficaram
mandei-as pró dezanove
deu-lhes o tragulotrico trangulumangulo nelas
não ficaram senão nove
dessas nove que ficaram
mandei-as coer biscoito
deu-lhes o tragulotrico trangulumangulo nelas
não ficaram senão oito
dessas oito que ficaram
manei-as pró dezassete
deu-lhes o tragulotrico trangulumangulo nelas
não ficaram senão sete
dessas sete que me ficaram
mandei-as contar os reis
deu-lhes o tragulotrico trangulumangulo nelas
não ficaram senão seis
dessas seis que me ficaram
mandei-as pró João Pinto
deu-lhes o tragulotrico trangulumangulo nelas
não ficaram senão cinco
dessas cinco que ficaram
mandei-as cortar tabaco
deu-lhes o tragulotrico trangulumangulo nelas
não ficaram senão quatro
dessas quatro que ficaram
mandei-as lá outra vez
deu-lhes o tragulotrico trangulumangulo nelas
não ficaram senão três
dessas três que me ficaram
mandei-as calçar as luvas
deu-lhes o tragulotrico trangulumangulo nelas
não ficaram senão duas
dessas duas que ficaram
mandei-as comer pirua
deu-lhes o tragulotrico trangulumangulo nelas
não ficaram senão uma
Tinha vinte e quatro freiras
fi-las andar na poeira
elas morreram-me todas
com uma grande borracheira
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obrigado Ana Lage :-)**
10 março 2011 - humor II
Rir em Equipa
Isto hoje esteve agitado! O humor começou com o filme "a porta fechada"... mas afinal havia outra (porta). Conseguimos deixar três sítios a postos para o clube (ou seja... podemos franchisar isto e abrir mais dois!) e depois de virar e revirar mesas, pôr e tirar sofás, lá se conseguiu dar início à sessão.
Isabel e João

A recriação do Nelo e da Idália em "Ponte Vasco da Gama"
Mariana e Cecília

Arrasaram, com a versão "Acordo Ortográfico 2010" da história do Capuchinho Vermelho.
Tás a ver uma dama com um gorro vermelho? Yah, essa cena! A pita foi obrigada pela kota dela a ir à toca da velha levar umas cenas, pq a velha tava a bater mal, tázaver? E então disse-lhe:
- Ouve, nem te passes! Népia dessa cena de ires pelo refundido das árvores, que salta-te um meco marado dos cornos para a frente e depois tenho a bófia à cola!
Pá, a pita enfia a carapuça e vai na descontra pela estrada, mas a toca da velha era bué longe, e a pita enfiou-se pelo bosque. Népia de mitra, na boa e tal, curtindo o som do iPod...
É então que, ouve lá, salta um baita dog marado, todo chinado e bué ugly mêmo, que vira-se pa ela e grita:
- Yoo, tá td? Dd tc?
- Tásse... do gueto alí! E tu... tásse? - disse a pita
- Yah! E atão, q se faz?
- Seca, man! Vou levar o pacote à velha que mora ao fundo da track, que tá kuma moka do camano!
- Marado, marado!... Bute ripar uma até lá?
- Epá, má onda, tázaver? A minha cota não curte dessas cenas e põe-me de pildra se me cata...
- Dasse, a cota não tá aqui, dama! Bute ripar até à casa da tua velha, até te dou avanço, só naquela da curtição. Sem guita ao barulho nem nada.
- Yah prontes, na boa. Vais levar um baile katéte passas!!!
E lá riparam. Só que o dog enfiou-se por um short no meio do mato e chegou à toca da velha na maior, com bué avanço, tázaver?
Manda um toque na porta, a velha 'quem é e o camano' e ele 'ah e tal, e não sei quê, que eu sou a pita do gorro vermelho, e na na na...'. A velha abre a porta e PIMBA, o dog papa-a toda... Mas mesmo, abre a bocarra e o camano e até chuchou os dedos...
O mano chega, vai ao móvel da velha, saca uma shirt assim mêmo à velha que a meca tinha lá, mete uns glasses na tromba e enfia-se no VL... o gajo tava bué abichanado mêmo, mas a larica era muita e a pita era à maneira, tásaver?
A pita chega, e tal, e malha na porta da velha.
- Basa aí cá pa dentro! - grita o dog.
- Yo velhita, tásse?
- Tásse e tal, cuma moca do camâno... mas na boa...
- Toma esta cena, pa mamares-te toda aí...
- Bacano, pa ver se trato esta cena.
- Pá, mica uma cena: pa ké esses baita olhos, man?
- Pá, pa micar melhor a cena, tázaver?
- Yah, yah... E os abanos, bué da bigs, pa ke é?
- Pá, pa poder controlar melhor a cena à volta, tázaver?
- Yah, bacano... e essa cremalheira toda janada e bué big?
- Pa que é a cena?
- É PA CHINAR ESSE CORPO TODO!!! GRRRRRRRR!!!!
E o dog manda-se à pita, naquela mêmo de a engolir, né? Só que a pita dá-lhe à brava na capoeira e saca um back-kick mesmo directo aos tomates do man e basa porta fora! Vai pela rua aos berros e tal, o dog vem atrás e dá-lhe um ganda-baite, pimba, mêmo nas nalgas, e quando vai para engolir a gaja, aparece um meco daqueles que corta as cenas cum serrote, saca de machado e afinfa-lhe mêmo nos cornos. O dog kinou logo alí, o mano china a belly do dog e saca de lá a velha toda cheia da nhanha.
Ina man, a malta a gregoriar-se toda!!!
E prontes, já tá...
António e Helena

Um excerto da "meditação na pastelaria" de Alexandre O'Neill
Por favor, Madame, tire as patas,
Por favor, as patas do seu cão
De cima da mesa, que a gerência
Agradece.
Nunca se sabe quando começa a insolência!
Que tempo este, meu Deus, uma senhora
Está sempre em perigo e o perigo
Em cada rua, em cada olhar,
Em cada sorriso ou gesto
De boa educação!
A inspecção irónica das pernas,
Eis o que os homens sabem oferecer-nos,
Inspecção demorada e ascendente,
Acompanhada de assobios
E de sorrisos que se abrem e se fecham
Procurando uma fresta, uma fraqueza
Qualquer da nossa parte...
*
Mas uma senhora é uma senhora.
Só vê a malícia quem a tem.
Uma senhora passa
E ladrar é o seu dever – se tanto for preciso!
Alex, Xana, Ana Rita e Helena

"Zero" de Alberto Pimenta
O nosso "ensaio drive-in: é para 4, se faz favor!"
E o resultado final
Rodrigo

Epílogo
João e Fernando
José Sesinando
Obra Ântuma
Entrevista – Tipo
ou
Como desencorajar entrevistadores
P. - Diga-me: que pensa do cinema português?
R. - A essa pergunta não posso deixar de responder com a maior clareza.
P. - Muito bem. E o teatro?
R. Mutatis mutandis, a minha resposta é a mesma.
P. Quer dizer-nos o que pensa acerca da renovação dos valores no cinema?
R. Quero.
P. E nas outras artes?
R. Também
P. Acha que o cinema sonoro é mais artístico do que o mudo?
R. Depende: para os surdos, o cinema sonoro é mudo.
P. E entre René Clair e Eisenstein, qual escolhe?
R. Com certeza.
P. Gosta dos primeiros filmes de cow-boys do Ford?
R. De quantos cavalos?
P. Qual lhe parece ter maior valor expressivo – o teatro ou o cinema?
R. Sim.
P. Acha fundamental e difícil a função do operador, a quem incumbe gravar as imagens das estrelas
na película virgem?
R. Impressionar uma virgem é sempre fácil.
P. E a montagem?
R. Não seja malcriado.
P. Quando vai ver um filme português, do que gosta mais?
R. Dos intervalos.
P. Qual dos irmãos Marx prefere?
R. O Karl.
P. Queira dizer o nome de um grande vulto do cinema.
R. O Jacques.
P. Tati?
R. Tou bem, obrigado
Virgínia e Paulo

Berthold Brecht
Dificuldade de Governar
Aqui dito por Mário Viegas
Dificuldade de governar
1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
como é difícil governar. Sem os ministros
o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
se o chanceler não fosse tão inteligente.
Sem o ministro da Propaganda
mais nenhuma mulher podia ficar grávida.
Sem o ministro da Guerra nunca mais haveria guerra.
E atrever-se-ia a nascer o sol
sem autorização do Fuhrer?
Não é nada provável e, se o fosse,
nasceria por certo fora do lugar.
2
É também difícil, ao que nos é dito,
dirigir uma fábrica. Sem o patrão
as paredes cairiam
e as máquinas enchiam-se de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
ele nunca chegaria ao campo sem
as palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
senão ele, lhes poderia falar na existência de arados?
E que seria da propriedade rural sem o lavrador?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio
onde já havia batatas.
3
Se governar fosse fácil
não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos
como o do Fuhrer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
e se o camponês soubesse distinguir um campo
de uma forma para tortas,
não haveria necessidade de patrões
nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4
Ou será que
governar só é assim tão difícil porque
a exploração e a mentira
são coisas que custam a aprender?
Augusto
Com música, que isto é para ser bem divertido!
"The Muppet Show" (uma das inúmeras versões da apresentação do mais fantástico, marretástico espectáculo...)
Isto hoje esteve agitado! O humor começou com o filme "a porta fechada"... mas afinal havia outra (porta). Conseguimos deixar três sítios a postos para o clube (ou seja... podemos franchisar isto e abrir mais dois!) e depois de virar e revirar mesas, pôr e tirar sofás, lá se conseguiu dar início à sessão.
Isabel e João

A recriação do Nelo e da Idália em "Ponte Vasco da Gama"
Nelo: Sempre a corrigir, parece que é parda! sempre a corrigir, eu sou uma pessoa
especializada em ler na vertical percebe, eu sou uma pessoa artística, sou uma pessoa
aérea, não sou como você, que vai às letras todas ver o que lá tá escrito, eu não, estúpida,
sou uma pessoa que não, não conto as bolachas de água e sal cada vez que vai ao pacote.
Idália: Olha eu pelo menos, vou ao pacote, tomo decisões, não sou como certas
pessoas, que não vão, nem saem de cima.
Mariana e Cecília

Arrasaram, com a versão "Acordo Ortográfico 2010" da história do Capuchinho Vermelho.
Tás a ver uma dama com um gorro vermelho? Yah, essa cena! A pita foi obrigada pela kota dela a ir à toca da velha levar umas cenas, pq a velha tava a bater mal, tázaver? E então disse-lhe:
- Ouve, nem te passes! Népia dessa cena de ires pelo refundido das árvores, que salta-te um meco marado dos cornos para a frente e depois tenho a bófia à cola!
Pá, a pita enfia a carapuça e vai na descontra pela estrada, mas a toca da velha era bué longe, e a pita enfiou-se pelo bosque. Népia de mitra, na boa e tal, curtindo o som do iPod...
É então que, ouve lá, salta um baita dog marado, todo chinado e bué ugly mêmo, que vira-se pa ela e grita:
- Yoo, tá td? Dd tc?
- Tásse... do gueto alí! E tu... tásse? - disse a pita
- Yah! E atão, q se faz?
- Seca, man! Vou levar o pacote à velha que mora ao fundo da track, que tá kuma moka do camano!
- Marado, marado!... Bute ripar uma até lá?
- Epá, má onda, tázaver? A minha cota não curte dessas cenas e põe-me de pildra se me cata...
- Dasse, a cota não tá aqui, dama! Bute ripar até à casa da tua velha, até te dou avanço, só naquela da curtição. Sem guita ao barulho nem nada.
- Yah prontes, na boa. Vais levar um baile katéte passas!!!
E lá riparam. Só que o dog enfiou-se por um short no meio do mato e chegou à toca da velha na maior, com bué avanço, tázaver?
Manda um toque na porta, a velha 'quem é e o camano' e ele 'ah e tal, e não sei quê, que eu sou a pita do gorro vermelho, e na na na...'. A velha abre a porta e PIMBA, o dog papa-a toda... Mas mesmo, abre a bocarra e o camano e até chuchou os dedos...
O mano chega, vai ao móvel da velha, saca uma shirt assim mêmo à velha que a meca tinha lá, mete uns glasses na tromba e enfia-se no VL... o gajo tava bué abichanado mêmo, mas a larica era muita e a pita era à maneira, tásaver?
A pita chega, e tal, e malha na porta da velha.
- Basa aí cá pa dentro! - grita o dog.
- Yo velhita, tásse?
- Tásse e tal, cuma moca do camâno... mas na boa...
- Toma esta cena, pa mamares-te toda aí...
- Bacano, pa ver se trato esta cena.
- Pá, mica uma cena: pa ké esses baita olhos, man?
- Pá, pa micar melhor a cena, tázaver?
- Yah, yah... E os abanos, bué da bigs, pa ke é?
- Pá, pa poder controlar melhor a cena à volta, tázaver?
- Yah, bacano... e essa cremalheira toda janada e bué big?
- Pa que é a cena?
- É PA CHINAR ESSE CORPO TODO!!! GRRRRRRRR!!!!
E o dog manda-se à pita, naquela mêmo de a engolir, né? Só que a pita dá-lhe à brava na capoeira e saca um back-kick mesmo directo aos tomates do man e basa porta fora! Vai pela rua aos berros e tal, o dog vem atrás e dá-lhe um ganda-baite, pimba, mêmo nas nalgas, e quando vai para engolir a gaja, aparece um meco daqueles que corta as cenas cum serrote, saca de machado e afinfa-lhe mêmo nos cornos. O dog kinou logo alí, o mano china a belly do dog e saca de lá a velha toda cheia da nhanha.
Ina man, a malta a gregoriar-se toda!!!
E prontes, já tá...
António e Helena

Um excerto da "meditação na pastelaria" de Alexandre O'Neill
Por favor, Madame, tire as patas,
Por favor, as patas do seu cão
De cima da mesa, que a gerência
Agradece.
Nunca se sabe quando começa a insolência!
Que tempo este, meu Deus, uma senhora
Está sempre em perigo e o perigo
Em cada rua, em cada olhar,
Em cada sorriso ou gesto
De boa educação!
A inspecção irónica das pernas,
Eis o que os homens sabem oferecer-nos,
Inspecção demorada e ascendente,
Acompanhada de assobios
E de sorrisos que se abrem e se fecham
Procurando uma fresta, uma fraqueza
Qualquer da nossa parte...
*
Mas uma senhora é uma senhora.
Só vê a malícia quem a tem.
Uma senhora passa
E ladrar é o seu dever – se tanto for preciso!
Alex, Xana, Ana Rita e Helena

"Zero" de Alberto Pimenta
HR
|
deixou
|
AJ
|
deixou cair
|
HR
|
deixou cair o quê?
|
XJ
|
deixou cair o que tinha na mão.
|
HR
|
deixou cair o que tinha na mão e?
|
XJ
|
deixou cair o que tinha na mão e caiu morto
|
TODAS
|
ah ah! deixou cair o que tinha na mão e caiu morto!
|
XF
|
não tinha
|
AR
|
não tinha o quê?
|
XF
|
não tinha nada na mão.
|
AR
|
não tinha nada na mão?
|
XF
|
não tinha nada na mão quando caiu morto.
|
TODAS
|
ah ah! não tinha nada na mão quando caiu morto!
|
HR
|
não tinha
|
XJ
|
não tinha o quê?
|
HR
|
não tinha onde cair morto.
|
XJ
|
não tinha onde cair morto?
|
HR
|
não tinha onde cair morto e caiu morto na mesma.
|
TODAS
|
ah ah! não tinha onde cair morto e caiu morto na mesma!
|
XF
|
deixou cair o que tinha na mão e caiu morto.
|
AR
|
não tinha nada na mão quando caiu morto.
|
HR
|
não tinha onde cair morto e caiu morto na mesma.
|
XJ
|
o que tinha na mão e
|
XJ
|
não tinha nada na mão
|
XJ
|
não tinha onde
|
XJ
|
e caiu
|
TODAS – XJ
|
na mesma?
|
AR
|
o que tinha na mão e
|
AR
|
não tinha nada
|
AR
|
não tinha onde
|
AR
|
e caiu
|
XF
|
o que tinha
|
HR
|
não tinha nada
|
AR
|
não tinha onde
|
XJ
|
e
|
HR
|
tinha
|
XF
|
tinha não
|
AR
|
não tinha
|
HR+XF+XJ
|
tinha
|
AR
|
não tinha
|
HR+XF+XJ
|
tinha
|
TODAS
|
ah ah
|
O nosso "ensaio drive-in: é para 4, se faz favor!"
E o resultado final
Rodrigo

Epílogo
João e Fernando
José Sesinando
Obra Ântuma
Entrevista – Tipo
ou
Como desencorajar entrevistadores
P. - Diga-me: que pensa do cinema português?
R. - A essa pergunta não posso deixar de responder com a maior clareza.
P. - Muito bem. E o teatro?
R. Mutatis mutandis, a minha resposta é a mesma.
P. Quer dizer-nos o que pensa acerca da renovação dos valores no cinema?
R. Quero.
P. E nas outras artes?
R. Também
P. Acha que o cinema sonoro é mais artístico do que o mudo?
R. Depende: para os surdos, o cinema sonoro é mudo.
P. E entre René Clair e Eisenstein, qual escolhe?
R. Com certeza.
P. Gosta dos primeiros filmes de cow-boys do Ford?
R. De quantos cavalos?
P. Qual lhe parece ter maior valor expressivo – o teatro ou o cinema?
R. Sim.
P. Acha fundamental e difícil a função do operador, a quem incumbe gravar as imagens das estrelas
na película virgem?
R. Impressionar uma virgem é sempre fácil.
P. E a montagem?
R. Não seja malcriado.
P. Quando vai ver um filme português, do que gosta mais?
R. Dos intervalos.
P. Qual dos irmãos Marx prefere?
R. O Karl.
P. Queira dizer o nome de um grande vulto do cinema.
R. O Jacques.
P. Tati?
R. Tou bem, obrigado
Virgínia e Paulo

Berthold Brecht
Dificuldade de Governar
Aqui dito por Mário Viegas
Dificuldade de governar
1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
como é difícil governar. Sem os ministros
o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
se o chanceler não fosse tão inteligente.
Sem o ministro da Propaganda
mais nenhuma mulher podia ficar grávida.
Sem o ministro da Guerra nunca mais haveria guerra.
E atrever-se-ia a nascer o sol
sem autorização do Fuhrer?
Não é nada provável e, se o fosse,
nasceria por certo fora do lugar.
2
É também difícil, ao que nos é dito,
dirigir uma fábrica. Sem o patrão
as paredes cairiam
e as máquinas enchiam-se de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
ele nunca chegaria ao campo sem
as palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
senão ele, lhes poderia falar na existência de arados?
E que seria da propriedade rural sem o lavrador?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio
onde já havia batatas.
3
Se governar fosse fácil
não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos
como o do Fuhrer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
e se o camponês soubesse distinguir um campo
de uma forma para tortas,
não haveria necessidade de patrões
nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4
Ou será que
governar só é assim tão difícil porque
a exploração e a mentira
são coisas que custam a aprender?
Augusto
Com música, que isto é para ser bem divertido!
"The Muppet Show" (uma das inúmeras versões da apresentação do mais fantástico, marretástico espectáculo...)
namoriscando
Mais uns namoros livrescos:
do António para Isabel e João

e do António para a Lena Ramos
O discurso do índio
do António para Isabel e João

e do António para a Lena Ramos
O discurso do índio
Etiquetas:
CLeVA 1.0,
namoros livrescos
próxima sessão - quinta-feira, 10 março 2011

ATENÇÃO:
depois do êxito de hoje,
os textos deverão mais uma vez ser lidos em equipa
os textos deverão mais uma vez ser lidos em equipa
22 fevereiro 2011 - Aprendizagem
Nesta sessão era preciso haver trabalho de equipa! E as equipas esmeraram-se! Consta que as aulas da Cristina também estão a dar bom resultado nas prestações do pessoal! Uma sessão memorável!
Equipa 1
Helena P., Isabel, António e João
Equipa 2
Paula e Daniel
Um trabalho que fundiu dois diários: "Diário inventado de um menino já crescido" de José Fanha e "Diário" de Sebastião da Gama. [Paula, quando puderes deixa-mo, para o transcrever para aqui]
Equipa 3
Mariana e Cecília
Devido a problemas técnicos a equipa sofreu por falta de comunicação. O texto foi de Sandra Lima.
Equipa 4
Lena R. e Fernando (e Cristina, mas ela não sabia!)
Uma viagem ao tempo da escola? E uma surpresa para a Cristina que teve que ler de improviso! Dizem as más línguas que no fim a Lena acabou por ficar emocionada porque a Alexandra ficou emocionada e...
B-A-BA B-E-BE BA BE B-I-BI BA BE BI B-O-BO BA BE BI BO B-U-BU BA BE BI BO BU
Verbo Ser
Carlos Drummond de Andrade
Que vai ser quando crescer? Vivem perguntando em redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os 3. E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, outro corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Doi? É bom? É triste?
Ser: pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas. Ser, ser, ser. Er. R. Repito: Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a?
Posso escolher? Não dá para entender. Não vou ser. Não quero ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer.
Arte Poética V
Sophia de Mello Breyner
(Aqui podem ouvir a Cristina!)
Na minha infância, antes de saber ler, ouvi recitar e aprendi de cor um antigo poema tradicional português, chamado Nau Catrineta. Tive assim a sorte de começar pela tradição oral, a sorte de conhecer o poema antes de conhecer a literatura.
Eu era de facto tão nova que nem sabia que os poemas eram escritos por pessoas, mas julgava que eram consubstanciais ao universo, que eram a respiração das coisas, o nome deste mundo dito por ele próprio. Pensava também que, se conseguisse ficar completamente imóvel e muda em certos lugares mágicos do jardim, eu conseguiria ouvir um desses poemas que o próprio ar continha em si. No fundo, toda a minha vida tentei escrever esse poema imanente. E aqueles momentos de silêncio no fundo do jardim ensinaram-me, muito tempo mais tarde, que não há poesia sem silêncio, sem que se tenha criado o vazio e a despersonalização. Um dia em Epidauro – aproveitando o sossego deixado pelo horário do almoço dos turistas - coloquei-me no centro do teatro e disse em voz alta o princípio de um poema. E ouvi, no instante seguinte, lá no alto, a minha própria voz, livre, desligada de mim.
Tempos depois, escrevi estes três versos:
A voz sobe os últimos degraus
Oiço a palavra alada impessoal
Que reconheço por não ser já minha.
Equipa 5
Alexandra F., Alexandra J. e Ana Rita
Ler doce Ler
José Jorge Letria
A sinopse fica aqui
Equipa 6
Rodrigo, Virgínia e Paulo
Aqui a versão original.
As Equipas 7 e 8 jogaram individualmente... então, e porque não?
Helena M.
Do livro Deixa que te conte de Jorge Bucay, a história do "elefante acorrentado".
Augusto
Para uma antologia do dizer de José Jorge Letria ("Não quero deixar de ser aprendiz")
Equipa 9
Cristina e Fernando
Uma pedra no meio do caminho é uma coisa boa? O Fernando parecia achar que sim... Ou uma pedra no meio do caminho é uma coisa má? Acho que a Cristina estava mais para aqui...
E sim,... no pelourinho havia uma pedra no meio do caminho... mas havia quem já não se lembrasse!
Equipa 1
Helena P., Isabel, António e João
O Poeta AprendizPode ser visto aqui... mas não é a mesma coisa!
Vinícius de Morais
Ele era um menino
Valente e caprino
Um pequeno infante
Sadio e grimpante
Anos tinha dez
E asas nos pés
Com chumbo e bodoque
Era plic e ploc
O olhar verde gaio
Parecia um raio
Para tangerina
Pião ou menina
Seu corpo moreno
Vivia correndo
Pulava no escuro
Não importa que muro
Saltava de anjo
Melhor que marmanjo
E dava o mergulho
Sem fazer barulho
Em bola de meia
Jogando de meia-direita ou de ponta
Passava da conta
De tanto driblar
Amava era amar
Amava Leonor
Menina de cor
Amava as criadas
Varrendo as escadas
Amava as gurias
Da rua, vadias
Amava suas primas
Com beijos e rimas
Amava suas tias
De peles macias
Amava as artistas
Das cine-revistas
Amava a mulher
A mais não poder
Por isso fazia
Seu grão de poesia
E achava bonita
A palavra escrita
Por isso sofria
De melancolia
Sonhando o poeta
Que quem sabe um dia
Poderia ser
Equipa 2
Paula e Daniel
Um trabalho que fundiu dois diários: "Diário inventado de um menino já crescido" de José Fanha e "Diário" de Sebastião da Gama. [Paula, quando puderes deixa-mo, para o transcrever para aqui]
Equipa 3
Mariana e Cecília
Devido a problemas técnicos a equipa sofreu por falta de comunicação. O texto foi de Sandra Lima.
Equipa 4
Lena R. e Fernando (e Cristina, mas ela não sabia!)
Uma viagem ao tempo da escola? E uma surpresa para a Cristina que teve que ler de improviso! Dizem as más línguas que no fim a Lena acabou por ficar emocionada porque a Alexandra ficou emocionada e...
B-A-BA B-E-BE BA BE B-I-BI BA BE BI B-O-BO BA BE BI BO B-U-BU BA BE BI BO BU
Verbo Ser
Carlos Drummond de Andrade
Que vai ser quando crescer? Vivem perguntando em redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os 3. E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, outro corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Doi? É bom? É triste?
Ser: pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas. Ser, ser, ser. Er. R. Repito: Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a?
Posso escolher? Não dá para entender. Não vou ser. Não quero ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer.
Arte Poética V
Sophia de Mello Breyner
(Aqui podem ouvir a Cristina!)
Na minha infância, antes de saber ler, ouvi recitar e aprendi de cor um antigo poema tradicional português, chamado Nau Catrineta. Tive assim a sorte de começar pela tradição oral, a sorte de conhecer o poema antes de conhecer a literatura.
Eu era de facto tão nova que nem sabia que os poemas eram escritos por pessoas, mas julgava que eram consubstanciais ao universo, que eram a respiração das coisas, o nome deste mundo dito por ele próprio. Pensava também que, se conseguisse ficar completamente imóvel e muda em certos lugares mágicos do jardim, eu conseguiria ouvir um desses poemas que o próprio ar continha em si. No fundo, toda a minha vida tentei escrever esse poema imanente. E aqueles momentos de silêncio no fundo do jardim ensinaram-me, muito tempo mais tarde, que não há poesia sem silêncio, sem que se tenha criado o vazio e a despersonalização. Um dia em Epidauro – aproveitando o sossego deixado pelo horário do almoço dos turistas - coloquei-me no centro do teatro e disse em voz alta o princípio de um poema. E ouvi, no instante seguinte, lá no alto, a minha própria voz, livre, desligada de mim.
Tempos depois, escrevi estes três versos:
A voz sobe os últimos degraus
Oiço a palavra alada impessoal
Que reconheço por não ser já minha.
Equipa 5
Alexandra F., Alexandra J. e Ana Rita
Ler doce Ler
José Jorge Letria
A sinopse fica aqui
Equipa 6
Rodrigo, Virgínia e Paulo
Aqui a versão original.
Lídia
Anaquim
Quem te falou em escolhas certas
Mentiu-te
Quem te apontou caminho sem os percorrer
Quem te mostrou suas aguarelas
Nas telas pintadas por uma só forma de ver
Quem te falou numa verdade
Enganou-te
Há mais verdades escondidas por ai
Somos voláteis
Somos feitos de contrários
Somos todos santos
Somos todos mercenários
Sacrifico
Minha vontade
Por um tiro no escuro
Que nos deixa sós
Custa ver que na realidade
O tiro não foi no escuro
O tiro foi em nós
Não pretendo
Não fazer erros
Vou aprendendo com o mal que trago em mim
E se aprendo
Sinto-me gente
E só é gente quem consegue ser assim
Alguém
Que vendo o mal nunca está bem
Que vendo o mal nunca está bem
Que vendo o mal nunca está bem(2x)
Alguém disse
Que a vida passa a correr
E eu fui na corrida sem sequer me aperceber
Alguém disse
Que a vida passa a correr
E eu fui na corrida sem parar para abastecer
A vida são dois dias
Disse um homem já maduro
Tive o ontem e o hoje
O mais certo é não ter futuro
O velho do Restelo
Diz que a vida são dois dias
E entre o choro e o riso
Eu não deixei horas vazias
Lídia enlaçemos as mãos
Vamos ficar então
Somente a ver passar o rio
Lídia jogemos xadrez
Façamos isso em vez
De dar à guerra o nosso rio
Lídia sejamos alheios
Aos desgostos feios de quem já não quer quem tem
Mas Lídia eu sinto-me vazio
Ao ver passar o rio
Sem te ter nem fazer por ser
Alguém
Que vendo o mal nunca está bem
Que vendo o mal nunca está bem
Que vendo o mal nunca está bem
Alguém
Cuja maldição afinal
Está nessa fraqueza carnal
De querer o bem e ter o mal
As Equipas 7 e 8 jogaram individualmente... então, e porque não?
Helena M.
Do livro Deixa que te conte de Jorge Bucay, a história do "elefante acorrentado".
Augusto
Para uma antologia do dizer de José Jorge Letria ("Não quero deixar de ser aprendiz")
Equipa 9
Cristina e Fernando
Uma pedra no meio do caminho é uma coisa boa? O Fernando parecia achar que sim... Ou uma pedra no meio do caminho é uma coisa má? Acho que a Cristina estava mais para aqui...
E sim,... no pelourinho havia uma pedra no meio do caminho... mas havia quem já não se lembrasse!
No meio do caminho
Carlos Drummond de Andrade
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Etiquetas:
aprendizagem,
CLeVA 1.0
o CLeVA é um espectáculo (título provisório)
foi o nome escolhido pela maioria, para o nosso espectáculo de dia 30 de Abril
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