Inscrições fechadas para a nova temporada 2019/2020

O Clube de Leitura em Voz Alta é agora Coro de Leitura em Voz Alta. Continua a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.


próxima sessão - 8 maio 2012 - ensaio - Palavras como frutos

palavras com frutos - ensaio5
No final do ensaio houve boleima.
Aqui fica a receita:

Ingredientes:
4 chávenas de farinha
1 chávena de leite
1 chávena de óleo
1 colher de chá de sal
maçãs
açúcar amarelo
canela
manteiga



Confeção
Amasse bem a farinha com o leite, o óleo e o sal.
Depois de bem amassada, divida a massa em duas. Estenda uma parte e forre o tabuleiro (untado com manteiga e polvilhado com farinha).
Polvilhe a massa com canela e açúcar amarelo e, por cima, coloque a maçã cortada em lâminas. Volte a polvilhar com canela e açucar.
Coloque por cima da maçã a outra parte da massa e volte a polvilhar com açúcar e canela.
Corte a boleima em quadrados, antes de ir ao forno a 180º, durante 25min.

Leituras de abril

foto: Rosa Monteiro












Helena / O Portugal futuro de Ruy Belo

O portugal futuro é um país
Aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada,
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro



António Soares / de Mário Cesariny

no pais no país no país onde os homens
são só até ao joelho
e o joelho que bom é só até à ilharga
conto os meus dias tangerinas brancas
e vejo a noite Cadillac obsceno
a rondar os meus dias tangerinas brancas
para um passeio na estrada Cadillac obsceno

e no país no país e no país país
onde as lindas raparigas são só até ao pescoço
e o pescoço que bom é só até ao artelho
ao passo que o artelho, de proporções mais nobres,
chega a atingir o cérebro e as flores da cabeça,
recordo os meus amores liames indestrutíveis
e vejo uma panóplia cidadã do mundo
a dormir nos meus braços liames indestrutíveis
para que eu escreva com ela, só até à ilharga,
a grande história do amor só até ao pescoço

e no país no país que engraçado no país
onde o poeta o poeta é só até à plume
e a plume que bom é só até ao fantasma
ao passo que o fantasma - ora aí está -
não é outro senão a divina criança (prometida)
uso os meus olhos grandes bons e abertos
E vejo a noite (on ne passe pas)

diz que grandeza de alma. Honestos porque.
Calafetagem por motivo de obras.
É relativamente queda de água
e já agora há muito não é doutra maneira
no país onde os homens são só até ao joelho
e o joelho que bom está tão barato



João / Inventário de Miguel Torga

E, apesar de tudo, sou ainda o Homem!
Um bípede com fala e sentimentos.
Ao cabo de misérias e tormentos,
Continua
A ser a minha imagem que flutua
Na podridão dos charcos luarentos.

Sou eu ainda a grande maravilha
Que se mostra no mundo.
O negro abismo que tem lá no fundo
Um regato a correr:
Uma risca de céu e de frescura
Que murmura
A ver se alguma boca a quer beber.

Quanto o grave silêncio da paisagem
Me renega e protesta,
Pouco importa na festa
Deste encontro feliz;
Obra de Arcanjo ou de Satanás,
Eu é que fui capaz
De fazer o que fiz!

Podia ser melhor o meu destino:
Ter o sol mais aberto em cada mão...
Mas, Adão,
Dei o que a argila deu.
E, corpo e alma da degradação,
O milagre é que o Homem não morreu!

Não! Não me queiram na cova que não tenho,
Porque eu vivo, e respiro, e acredito!
Sou eu que canto ainda e que palpito
No meu canto!
Sou eu que na pureza do meu grito
Me levanto!



António Gil / Vampiros de Zeca Afonso

No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vêm em bandos
Com pés de veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo
E não deixam nada

No chão do medo
tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada

Eles comem tudo
E não deixam nada



Mariana / Trovas do mês de Abril de Manuel Alegre

Foram dias foram anos a esperar por um só dia.
Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía
Com seus riscos e seus danos. Foi a noite e foi o dia
Na esperança de um só dia.

Foram batalhas perdidas. Foram derrotas vitórias.
Foi a vida (foram vidas). Foi a História (foram histórias)
Mil encontros despedidas. Foram vidas (foi a vida)
Por um só dia vivida.

Foi o tempo que passava como nunca se passasse.
E uma flauta que cantava como se a noite rasgasse
Toda a vida e uma palavra: liberdade que vivia
Na esperança de um só dia.

Musa minha vem dizer o que nunca então disse
Esse morrer de viver por um dia em que se visse
um só dia e então morrer. Musa minha que tecias
um só dia dos teus dias.

Vem dizer o puro exemplo dos que nunca se cansaram
musa minha onde contemplo os dias que se passaram
sem nunca passar o tempo. Nesse tempo em que daria
a vida por um só dia.

Já muitas águas correram já muitos rios secaram
batalhas que se perderam batalhas que se ganharam.
Só os dias morreram em que era tão curta a vida
Por um só dia vivida.

E as quatros estações rolaram com seus ritmos e seus ritos.
Ventos do Norte levaram festas jogos brincos ditos.
E as chamas não se apagaram. Que na ideia a lenha ardia
Toda a vida por um dia.

Fogos-fátuos cinza fria. Musa minha que cantavas
A canção que se vestia com bandeiras nas palavras:
Armas que o tempo tecia. Minha vida toda a vida
Por um só dia vivida.



Ana Maria / Somos livres de Ermelinda Duarte

Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.
Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.
Uma gaivota voava, voava,
asas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.
Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.
Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".

Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.

Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.



Fernando / de Jorge de Sena

Nunca pensei viver para ver isto:
a liberdade - (e as promessas de liberdade)
restauradas. Não, na verdade, eu não pensava
- no negro desespero sem esperança viva -
que isto acontecesse realmente. Aconteceu.
E agora, meu general?

Tantos morreram de opressão ou de amargura,
tantos se exilaram ou foram exilados,
tantos viveram um dia-a-dia cínico e magoado,
tantos se calaram, tantos deixaram de escrever,
tantos desaprenderam que a liberdade existe -
E agora, povo português?

Essas promessas - há que fazer depressa
que o povo as entenda, creia mais em si mesmo
do que nelas, porque elas só nele se realizam
e por ele. Há que, por todos os meios,
abrir as portas e as janelas cerradas quase cinquenta anos -
E agora, meu general?

E tu povo, em nome de quem sempre se falou,
ouvir-se-á a tua voz firme por sobre os clamores
com que saúdas as promessas de liberdade?
Tomarás nas tuas mãos, com serenidade e coragem,
aquilo que, numa hora única, te prometeram?
E agora, povo português?



Cristina / de José Gomes Ferreira

E foi para esta farsa
que se fez a revolução de Abril, capitães,
ao som das canções de Lopes-Graça?

Foi para voltar à fúria dos cães,
ao suor triste das ceifeiras nas searas,
as espingardas que matam os filhos as mães
num arder de lágrimas na cara?

E, no entanto,
no princípio, todos ouvíamos uma Voz
a dizer-nos que a nossa terra poderia tornar-se num pomar
de misteriosos pomos.

E nós,
todos nós, chegámos a pensar
que éramos maiores do que somos.



Mila / Aos homens do cais de Ruy Belo

Plantados como árvores no chão
ao alto ergueis os vossos troncos nus
e o fruto que produz a vossa mão
vem do trabalho e transparece à luz

Nenhum passado vale o dia-a-dia
Sonho só o que vós me consentis
Verdade a que de vós só irradia
- Portugal não é pátria mas país

Leituras de Abril - 25 de Abril


No próximo dia 25 de Abril, pelas 21h30, após a
Sessão Solene da Assembleia Municipal de Alcochete
vamos ler poemas alusivos ao tema do 25 de Abril e da Liberdade.
Salão Nobre dos Paços do Concelho | Galeria Municipal

Noite com livros - 23 de Abril

A Biblioteca de Alcochete aderiu às comemorações da Noite Mundial do Livro.

Nesta noite a Biblioteca abre portas para partilhar com o público um serão agradável com livros, histórias e leituras!

Cada participante pode partilhar em voz alta com a leitura do excerto do seu livro/ texto preferido.

São também convidados os participantes a trazerem um livro para, no final, trocarem por outro!

Uma iniciativa que assinala também o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.

Local: Biblioteca de Alcochete
Contacto: 212 349 720 / biblioteca@cm-alcochete.pt
Destinatários: Público em geral (podem participar leitores desde os 6 anos de idade).
Informações Adicionais: Duração: 90/ 120 minutos.

Continuas connosco


O menino azul

O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
- de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
que saiba inventar
histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)

Cecília Meireles
Ou isto ou aquilo
Editora Nova Fronteira

próxima sessão - 13 março 2012 - ensaio - Palavras como frutos

Está marcada a data de mais um espectáculo do CLEVA, desta vez a marcar também o final do segundo clube de leitura em voz alta de Alcochete.

O dia escolhido foi:

19 de Maio de 2012

Até lá todas as sessões são para ensaios.

Conselho

Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.

Eugénio de Andrade

Em breve daremos mais notícias.

2012.02.28 - Viagens II


Já não se lembravam das viagens? pois foi há pouco mais de um ano! voltamos então ao tema...


Lena R. (*)
Viagem
de Miguel Torga


pode-se ver o vídeo aqui


Teresa (*)

Charlie e a Fábrica de chocolate (excerto)
de Rohald Dahl




(*) Tele-CLeVA directamente do Luxemburgo


João
A pista de Miguel Sousa Tavares
excerto de "Sul, Viagens"



Cecília
Sinopse de
Caderneta de Cromos Contra-Ataca
de Nuno Markl



A saga contínua no segundo livro da rubrica da Rádio Comercial, Caderneta de Cromos!
Ainda mais sexy e espectacular do que o primeiro volume, Caderneta de Cromo Contra-Ataca regressa aos anos 70 e 80 para falar da complexidade psicológica dos Pinypons e de como pareciam querer matar alguém; de como o Skeletor, o arqui-inimigo de He-Man não é claramente, o tipo de indivíduo a quem se pergunta as horas na rua; como agir quando um meliante nos pede para ver o Passe-Social; quem venceria no eterno duelo entre os Doutores Bayard e Bentes; quem eram, realmente, os Glutões do Presto; quão traumático foi o episódio de Uma Casa na Pradaria em que a filha mais velha acorda sem o dom da visão; porque parecia tão giro envergar peúgas brancas com raquetes; porque é que Duarte & Companhia foram tão importantes nas nossas vidas; o que raio significa a letra de Orinoco Flow de Enya e porque é que pode servir de tributo a todos os indivíduos que têm como nome Zé Luís; porque é que o Cartão Jovem era como o Santo Graal da garotada - e outro tipo de questões essenciais para quem cresceu numa época de péssimos cabelos mas belíssimas memórias. E bigodes.


António Gil
Apresentou-nos "Viagem a Toronto" num ipad





Helena P.
A viagem
de Sophia de Mello Breyner Andresen

Dorso do mar tão quieto nesse dia.
Infinita esmeralda desdobrada.
Como um incenso os halos da maresia.
Cristais de distância.

Um navio esticado no seu vento
Êxtase e poder
Plenitude do tempo
Um navio esticado no seu vento
Presa do espaço intenso.

Um navio de homens carregado,
De vagabundos mareantes procurando
Terras quase lendárias,
Filhos duma áspera pátria de pedras e luz clara
Filhos duma áspera pátria exacta e avara
Que vão de porto em porto derivando.
Filhos de uma áspera pátria procurando
A aparição do mundo
Filhos duma áspera pátria sobre o mar errando.

No alto mar os homens parecem
Semelhantes a deuses
Participantes dum rito antiquíssimo e sagrado
De água, luz e vento
Os seus corpos se tornam
Inteiros e ritmados
À própria essência da vida

Paula e Daniel
Ainda falta muito?
de Carla Maia de Almeida


António Soares
Viagem
de Álvaro de Campos


Sonhar um sonho é perder outro. Tristonho
Fito a ponte pesada e calma…
Cada sonho é um existir de outro sonho,
Ó eterna desterrada ti própria, ó minha alma!

Sinto em meu corpo mais conscientemente
O rodar estremecido do comboio. Pára?…
Com um como que intento intermitente
De - mal roda, estaca. Numa estação, clara

De realidade e gente e movimento.
Olho p’ra fora… Cesso… Estagno em mim.
Resfolgar da máquina… Carícia de vento
Pela janela que se abra… Estou desatento…
Parar… seguir… parar… Isto é sem fim

Ó o horror da chegada! Ó horror. Ó nunca
Chegares, ó ferro em trémulo seguir!
À margem da viagem prossegue… Trunca
A realidade, passa ao lado do ir
E pelo lado interior da Hora
Foge, usa a eternidade, vive…
Sobrevive ao momento - vai!
Suavemente… suavemente, mais suavemente e demora
- entra na gare… Range-se… estaca… É agora!

Tudo o que fui de sonho, o eu-outro que tive
Resvala-me pela alma… Negro declive
Resvala, some-se, para sempre se esvai
E da minha consciência um Eu que não obtive
Dentro em mim de mim cai.

Vitória e Alexandra J.
jogo com "Descalça vai para a fonte" de Luís de Camões
e "Poema da Auto-estrada" de António Gedeão


Vasco
Cinco semanas em balão (excerto)
de Julio Verne


Mila
Escada em Caracol
de David Mourão-Ferreira
É uma escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.

Os degraus, quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.

Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
o lastro do coração.

Sobe-se numa corrida.
Correm-se p´rigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.

e aqui na voz de Camané:



Rosa
Uma viagem maravilhosa
Joaquim Lemos
Com um livro na mão posso sonhar e viajar, quieto, aconchegado, sem sair do meu lugar:
- São dez dedos, dez segredos, cinco em cada mão, todos eles divertidos, criativos, carinhosos a terminar numa canção.
- Dou um salto à cidade para ajudar o João e transformar num jardim a floresta de betão.
- Voo até à savana, numa nuvem pelo ar, vou conhecer a girafa que comia muitas estrelas todas as noites ao jantar.
- Foram ovos misteriosos, história das cinco vogais, uma menina que detestava livros e acabou com as personagens como os seus melhores amigos.
- Mergulhei no aquário, à procura de um tesouro e descobri que a amizade vale muito mais que ouro.
- Conheci uma menina, que mora no fundo do mar é a amiga mais fantástica que eu podia encontrar.
- Este ano folheando nosso livro de leitura, encontrei uma linda fada toda feita de ternura. Chama-se Oriana e à escola vai chegar, dentro de um livro maravilhoso que é onde a vou procurar.
Mas ela não está fechada, voa solta, livre, alegre na nossa imaginação que é tudo o que me dá o livro que tenho aberto, estendido, na palma da minha mão.


Carmen
texto para Palavra Fiandeira
de sua autoria


Tenho uma câmara fotográfica nova.
Daquelas pequeninas, jeitosas, que dá para colocar no capacete, no braço, no guiador, na água ou ao sol… para tirar fotografias várias. Sabem, é que sou fanática por fotografia. E, adoro fotografar-me! Modéstia à parte, mas sou muito fotogênica!
Mas, esta câmara é diferente! É mais leve, mais jeitosa… assim, como eu!
E, com ela, posso unicamente colocá-la na minha cabeça e escalar!
Subir uma montanha íngreme e sinuosa, onde pacificamente se sente o sabor do vento!
Onde se refrescam os pensamentos (os meus, claro!) e se arejam as emoções (as minhas, pois sim!). Se perde a raiva e o ódio da hipocrisia e a angústia da monotonia perdida nas mentes insanas (isto acontece-me com frequência! – Que raiva tenho da hipocrisia!).
Se olha o sol laranja de frente e se alcança o céu velozmente. E, no final da jornada, bem lá no topo desta montanha amontoada de frescura; abraço e abarco uma felicidade total.
Amanhã irei nadar – Penso.
E, de novo levo a minha frenética câmara nova (ou, sou eu que estou frenética?) para, com ela, saborear a água salgada do mar imenso. Onde os peixes, encarnados, azuis, verdes, lilases, coloridos ou incolores, são reis. Ou, rainhas. Deve haver fêmeas, não?
Isso não interessa. O que interessa é a liberdade de sentir a suavidade da água; partir numa aventura pelas profundas águas do oceano esverdeado de plantas e algas, cavalgar num cavalo-marinho, surpreender-me com a beleza do fundo do mar e, transformar-me numa sereia contadora de histórias, com uma beleza provocadora e assaz impossível. Vir à tona e, pela primeira vez, pisar a areia da praia e sentir os seus grãos quentes do amor que fazem com os raios de sol. (Afinal, aqui já estou a sonhar… acordada. Acordo mesmo é em frente ao Oceanário e embarco, então, numa viagem virtual ao fundo dos oceanos.)
Depois, e ainda de câmara em punho… ou, na cabeça, saio e procuro por ti. Num misto e misterioso compacto de emoções resgato-te do único inimigo da alma: a preguiça!
Juntos, levamos para casa as memórias de um tempo bem passado, que junto ao meu capacete de BTT percorri, contigo, horas a fio, esses caminhos da natureza, verdes da vegetação mais pura e ainda existente. Lamacentos, e gostosos para a minha e tua viagem, de uma curta passagem da chuva. O pássaro que brinca com o vento ameno, as vacas ruminantes numa calmaria louca. O percurso aprazível e campestre destes 30 km de aventura. Sou eu e tu. Passamos velozmente nestes campos de uma lezíria real, reclamando um tempo só nosso!
Tenho uma câmara fotográfica nova e, com ela, posso gravar um momento, captar uma emoção, guardando-a para sempre.
- Que pena que não seja minha! – E, depressa a devolvo à Raquel.

Alexandra F.
partilhou connosco um dos seus livros de fotos de viagem
Suíça 2009


Helena Pinto
Viagem a Portugal (excerto)
de José Saramago


Delfina
Poema da Auto-estrada
de António Gedeão


Fernando e Cristina
Desmedida, crónicas do Brasil (excerto) de Ruy Duarte de Carvalho
Grande Sertão Veredas (excerto) de João Guimarães Rosa


aqui um cheiro do sertão de Guimarães Rosa:



e para terminar aquela que foi a última sessão regular do Cleva 2.0, houve bolo, moscatel



e distribuição de recordações de vários países do oriente recentemente visitados pela Helena Pinto

próxima sessão - 28 fevereiro 2012

e o tema será:


fará uma leitura alternativa