Inscrições fechadas para a nova temporada 2019/2020

O Clube de Leitura em Voz Alta é agora Coro de Leitura em Voz Alta. Continua a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.


Palavras como frutos

E chegou ao fim o 2º Clube de Leitura em Voz Alta de Alcochete.



Foi uma tarde de emoções fortes.



Antes do espetáculo:



como se pode ver, não havia ninguém nervoso :-)





















houve até quem aproveitasse o tempo que faltava para o início para, imaginem... ler



A Cristina começou...

Muito boa tarde
Muito obrigada a todos pela vossa presença.
Hoje vieram aqui assistir ao encerramento da 2ª edição do Clube de Leitura em Voz Alta, um clube dinamizado pela Andante Associação Artística, em parceria com a Biblioteca de Alcochete. Vamos recomeçar a 3ª edição na próxima 3ª feira, dia 22. Quem se quiser inscrever, ainda vai a tempo. Até ao fim do dia, aceitamos inscrições.
Há dois anos que aqui vimos quinzenalmente para ler uns para os outros, para apurarmos algumas técnicas que nos ajudem a tornar a nossa leitura mais eficaz, para aprender, para nos divertirmos.
O espectáculo a que vão assistir, recebeu este nome PALAVRAS COMO FRUTOS, porque quisemos que conhecessem o nosso ofício, o nosso trabalho aqui no Clube de Leitura: trabalhar as palavras até que elas amadureçam, até que ganhem o sabor que lhes pertence, doces e perfumadas umas, duras e amargas outras. Vão ver e ouvir pessoas a ler.
Ler para os outros. É um prazer que temos. É o nosso prazer. Esperamos que gostem.

E, para dar início a este banquete de frutos, ou seja, de palavras, vou começar por ler

"As amoras", um poema de Eugénio de Andrade:

O meu país sabe a amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Eugénio de Andrade
de O outro nome da Terra


O espetáculo:

(muito obrigado à Rosário e ao Rui pelas fotos)







Daniel disse "Conselho" de Eugénio de Andrade

Alexandra Justino, Vitória e Vasco leram
"Que jovem é a mão sobre o papel...;
Ao Miguel, no seu 4º Aniversário, e contra o nuclear, naturalmente;
Mesmo a mais friável..."
de Eugénio de Andrade

Foi lançado o desafio a cada membro do clube que preparasse um poema à sua escolha, com um convidado seu, e que o apresentasse em público, hoje, pela primeira vez

Cecília Pinto convidou Susana Pinto e leram "Aquela nuvem" de José Gomes Ferreira

Rosa Almeida convidou Ana Vitória e leram "Relógio" de Vinicius de Moraes

Alexandra Justino convidou Ana Allen e leram "Convite" de José Paulo Paes

Helena Pinto, Alexandra Ferreira e João leram
"Sou fiel ao ardor...; Esse verde;  Passaste os dias a pôr sílabas..."
de Eugénio de Andrade


António Soares convidou Francisco Pimentel e leram "Cântico Negro" de José Régio

e o Cântico Negro teve um final inesperado

Carmen Ezequiel convidou Rúben Santos e leram "Mãos dadas" de Carlos Drummond de Andrade

Helena Machado convidou Carlos Morgado e leram
"Amigos Pensados: Vate 65; Pedra-Final; Breve e Discurso" de Alexandre O'Neill

Paula Margato convidou Paulo Jorge Taneco e leram "Brincadeira" de Álvaro Magalhães

Helena Ramos e Teresa  leram "Fala!" de Alexandre O'Neill

Cecília, Fernando e Delfina leram
"Relação de casas boas e más para juízo dos arquitectos Carlos Loureiro e Pádua Ramos"
de Eugénio de Andrade

Helena Policarpo convidou Eugénia Casadinho e leram "Peguei na Serra da Estrela" de Luísa Ducla Soares

Vasco Maia convidou Mariana Monteiro e leram "Cai a chuva" de Luísa Ducla Soares

Alexandra Ferreira e Nuno Ferreira cantaram "Amor de água fresca" de  Rosa Lobato de Faria

Delfina Alves convidou Maria Massa e leram "Dança do Vento" de Afonso Lopes Vieira

Carmen, Helena Machado e Paula leram
"Como se fossem folhas ainda...; Elegia das Águas Negras para Che Guevara; Agora as aves voltam, são nos ramos..."
de Eugénio de Andrade

Fernando Ladeira convidou João Brás e leram "A situação da ovelha" de Alberto Pimenta

Daniel Guerra convidou Henrique Sousa e leram "A menina que tinha cem pés" de José Vaz

João Morais convidou Fernando Saraiva e leram "Queria que os portugueses..." de Agostinho da Silva

Helena Policarpo, Rosa e António leram
"Fazer de uma palavra um barco...; Elegia; De que país regressas?..."
de Eugénio de Andrade

e sob a batuta do maestro Daniel

repetimos "Conselho" de Eugénio de Andrade

E depois do espetáculo...
agora mais em pose para o livro das caras :-)

Fernando

Daniel e Paula

Guilherme e Alexandra

Cecília

Vitória e Vasco

Carmen e Alexandra
...hum, que fruto será aquele...?

Rosa e Carmen

Delfina, Carmen, Helena e Vitória

Paula, Carmen, Rosa e a suas rosas

Paula, Carmen e a corda

António
que arranjou um novo final para o "Cântico negro"

Alexandra e João

Delfina, Helena, Cristina e Alexandra

Vitória e Helena

Alexandra e Paula
sob o olhar atento do Dr. Paulo
(lá mais ao fundo está o Rui que ajudou nesta reportagem)

Alexandras
faltou uma fotos das 4 Helenas

Cristina
a principal culpada de tudo isto

o grupo
(dois saíram antes da foto de família)




... e foi assim, esta foi... outra vez...

é hoje às 16h00

próxima sessão - 8 maio 2012 - ensaio - Palavras como frutos

palavras com frutos - ensaio5
No final do ensaio houve boleima.
Aqui fica a receita:

Ingredientes:
4 chávenas de farinha
1 chávena de leite
1 chávena de óleo
1 colher de chá de sal
maçãs
açúcar amarelo
canela
manteiga



Confeção
Amasse bem a farinha com o leite, o óleo e o sal.
Depois de bem amassada, divida a massa em duas. Estenda uma parte e forre o tabuleiro (untado com manteiga e polvilhado com farinha).
Polvilhe a massa com canela e açúcar amarelo e, por cima, coloque a maçã cortada em lâminas. Volte a polvilhar com canela e açucar.
Coloque por cima da maçã a outra parte da massa e volte a polvilhar com açúcar e canela.
Corte a boleima em quadrados, antes de ir ao forno a 180º, durante 25min.

Leituras de abril

foto: Rosa Monteiro












Helena / O Portugal futuro de Ruy Belo

O portugal futuro é um país
Aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada,
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro



António Soares / de Mário Cesariny

no pais no país no país onde os homens
são só até ao joelho
e o joelho que bom é só até à ilharga
conto os meus dias tangerinas brancas
e vejo a noite Cadillac obsceno
a rondar os meus dias tangerinas brancas
para um passeio na estrada Cadillac obsceno

e no país no país e no país país
onde as lindas raparigas são só até ao pescoço
e o pescoço que bom é só até ao artelho
ao passo que o artelho, de proporções mais nobres,
chega a atingir o cérebro e as flores da cabeça,
recordo os meus amores liames indestrutíveis
e vejo uma panóplia cidadã do mundo
a dormir nos meus braços liames indestrutíveis
para que eu escreva com ela, só até à ilharga,
a grande história do amor só até ao pescoço

e no país no país que engraçado no país
onde o poeta o poeta é só até à plume
e a plume que bom é só até ao fantasma
ao passo que o fantasma - ora aí está -
não é outro senão a divina criança (prometida)
uso os meus olhos grandes bons e abertos
E vejo a noite (on ne passe pas)

diz que grandeza de alma. Honestos porque.
Calafetagem por motivo de obras.
É relativamente queda de água
e já agora há muito não é doutra maneira
no país onde os homens são só até ao joelho
e o joelho que bom está tão barato



João / Inventário de Miguel Torga

E, apesar de tudo, sou ainda o Homem!
Um bípede com fala e sentimentos.
Ao cabo de misérias e tormentos,
Continua
A ser a minha imagem que flutua
Na podridão dos charcos luarentos.

Sou eu ainda a grande maravilha
Que se mostra no mundo.
O negro abismo que tem lá no fundo
Um regato a correr:
Uma risca de céu e de frescura
Que murmura
A ver se alguma boca a quer beber.

Quanto o grave silêncio da paisagem
Me renega e protesta,
Pouco importa na festa
Deste encontro feliz;
Obra de Arcanjo ou de Satanás,
Eu é que fui capaz
De fazer o que fiz!

Podia ser melhor o meu destino:
Ter o sol mais aberto em cada mão...
Mas, Adão,
Dei o que a argila deu.
E, corpo e alma da degradação,
O milagre é que o Homem não morreu!

Não! Não me queiram na cova que não tenho,
Porque eu vivo, e respiro, e acredito!
Sou eu que canto ainda e que palpito
No meu canto!
Sou eu que na pureza do meu grito
Me levanto!



António Gil / Vampiros de Zeca Afonso

No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vêm em bandos
Com pés de veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo
E não deixam nada

No chão do medo
tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada

Eles comem tudo
E não deixam nada



Mariana / Trovas do mês de Abril de Manuel Alegre

Foram dias foram anos a esperar por um só dia.
Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía
Com seus riscos e seus danos. Foi a noite e foi o dia
Na esperança de um só dia.

Foram batalhas perdidas. Foram derrotas vitórias.
Foi a vida (foram vidas). Foi a História (foram histórias)
Mil encontros despedidas. Foram vidas (foi a vida)
Por um só dia vivida.

Foi o tempo que passava como nunca se passasse.
E uma flauta que cantava como se a noite rasgasse
Toda a vida e uma palavra: liberdade que vivia
Na esperança de um só dia.

Musa minha vem dizer o que nunca então disse
Esse morrer de viver por um dia em que se visse
um só dia e então morrer. Musa minha que tecias
um só dia dos teus dias.

Vem dizer o puro exemplo dos que nunca se cansaram
musa minha onde contemplo os dias que se passaram
sem nunca passar o tempo. Nesse tempo em que daria
a vida por um só dia.

Já muitas águas correram já muitos rios secaram
batalhas que se perderam batalhas que se ganharam.
Só os dias morreram em que era tão curta a vida
Por um só dia vivida.

E as quatros estações rolaram com seus ritmos e seus ritos.
Ventos do Norte levaram festas jogos brincos ditos.
E as chamas não se apagaram. Que na ideia a lenha ardia
Toda a vida por um dia.

Fogos-fátuos cinza fria. Musa minha que cantavas
A canção que se vestia com bandeiras nas palavras:
Armas que o tempo tecia. Minha vida toda a vida
Por um só dia vivida.



Ana Maria / Somos livres de Ermelinda Duarte

Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.
Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.
Uma gaivota voava, voava,
asas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.
Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.
Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".

Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.

Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.



Fernando / de Jorge de Sena

Nunca pensei viver para ver isto:
a liberdade - (e as promessas de liberdade)
restauradas. Não, na verdade, eu não pensava
- no negro desespero sem esperança viva -
que isto acontecesse realmente. Aconteceu.
E agora, meu general?

Tantos morreram de opressão ou de amargura,
tantos se exilaram ou foram exilados,
tantos viveram um dia-a-dia cínico e magoado,
tantos se calaram, tantos deixaram de escrever,
tantos desaprenderam que a liberdade existe -
E agora, povo português?

Essas promessas - há que fazer depressa
que o povo as entenda, creia mais em si mesmo
do que nelas, porque elas só nele se realizam
e por ele. Há que, por todos os meios,
abrir as portas e as janelas cerradas quase cinquenta anos -
E agora, meu general?

E tu povo, em nome de quem sempre se falou,
ouvir-se-á a tua voz firme por sobre os clamores
com que saúdas as promessas de liberdade?
Tomarás nas tuas mãos, com serenidade e coragem,
aquilo que, numa hora única, te prometeram?
E agora, povo português?



Cristina / de José Gomes Ferreira

E foi para esta farsa
que se fez a revolução de Abril, capitães,
ao som das canções de Lopes-Graça?

Foi para voltar à fúria dos cães,
ao suor triste das ceifeiras nas searas,
as espingardas que matam os filhos as mães
num arder de lágrimas na cara?

E, no entanto,
no princípio, todos ouvíamos uma Voz
a dizer-nos que a nossa terra poderia tornar-se num pomar
de misteriosos pomos.

E nós,
todos nós, chegámos a pensar
que éramos maiores do que somos.



Mila / Aos homens do cais de Ruy Belo

Plantados como árvores no chão
ao alto ergueis os vossos troncos nus
e o fruto que produz a vossa mão
vem do trabalho e transparece à luz

Nenhum passado vale o dia-a-dia
Sonho só o que vós me consentis
Verdade a que de vós só irradia
- Portugal não é pátria mas país

Leituras de Abril - 25 de Abril


No próximo dia 25 de Abril, pelas 21h30, após a
Sessão Solene da Assembleia Municipal de Alcochete
vamos ler poemas alusivos ao tema do 25 de Abril e da Liberdade.
Salão Nobre dos Paços do Concelho | Galeria Municipal

Noite com livros - 23 de Abril

A Biblioteca de Alcochete aderiu às comemorações da Noite Mundial do Livro.

Nesta noite a Biblioteca abre portas para partilhar com o público um serão agradável com livros, histórias e leituras!

Cada participante pode partilhar em voz alta com a leitura do excerto do seu livro/ texto preferido.

São também convidados os participantes a trazerem um livro para, no final, trocarem por outro!

Uma iniciativa que assinala também o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.

Local: Biblioteca de Alcochete
Contacto: 212 349 720 / biblioteca@cm-alcochete.pt
Destinatários: Público em geral (podem participar leitores desde os 6 anos de idade).
Informações Adicionais: Duração: 90/ 120 minutos.

Continuas connosco


O menino azul

O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
- de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
que saiba inventar
histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)

Cecília Meireles
Ou isto ou aquilo
Editora Nova Fronteira

próxima sessão - 13 março 2012 - ensaio - Palavras como frutos

Está marcada a data de mais um espectáculo do CLEVA, desta vez a marcar também o final do segundo clube de leitura em voz alta de Alcochete.

O dia escolhido foi:

19 de Maio de 2012

Até lá todas as sessões são para ensaios.

Conselho

Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.

Eugénio de Andrade

Em breve daremos mais notícias.