Inscrições fechadas para a nova temporada 2019/2020

O Clube de Leitura em Voz Alta é agora Coro de Leitura em Voz Alta. Continua a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.


próxima sessão - 6 novembro

será o tema da próxima sessão

AVISO: Os textos da próxima sessão deverão ser de género dramático (textos escritos para serem representados)

trará o livro do dia

Maratona de Leitura

Vai decorrer na Biblioteca Escolar da Escola D. Manuel I em Alcochete, nos próximos dias 25 e 26 de outubro, entre as 8h30 e as 17h30 uma maratona de leitura.

Alireza Darvish

Quem quiser ir ler, pode inscrever-se através do tel. 212 348 730 ou do email bemanelito@gmail.com

Amor




Cristina
Avisos iniciais:

o relatório da União Europeia sobre literacia (em inglês)

O resumo do mesmo relatório (em português)

Para quem quiser pesquisar sobre a bolsa de voluntariado da leitura

De seguida fizemos leituras em grupo com os seguintes textos:


Amor como em Casa de Manuel António Pina

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.


Convida-me só para jantar de Ana Goês

Convida-me só para jantar
E não queiras depois fazer amor.

Convida-me só para jantar
num restaurante sossegado
numa mesa do canto
e fala devagar
e fala devagar
eu quero comer uma sopa quente
não quero comer mariscos
os mariscos atravancam-me o prato
e estou cansada para os afastar
fala assim devagar
devagar
não é preciso dizeres que sou bonita
mas não me fales de economia e de política
fala assim devagar
devagar
deita-me o vinho devagar
quando o meu copo já estiver vazio.

Estou convalescente
sou convalescente
não é preciso que o percebas
mas por favor não faças força em mim.
Fala, estás-me a dar de jantar
estás-me a pôr recostada à almofada
estás-me a fazer sorrir ao longe
fala assim devagar
devagar
devagar.


Se tu viesses ver-me… de Florbela Espanca

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços…

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte… os teus abraços…
Os teus beijos…a tua mão na minha…

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas de um beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca…
Quando os olhos se me cerram de desejo…
E os meus braços se estendem para ti…


Complicadíssima teia – António Botto

Quem põe certezas na vida
Facilmente se embaraça
Na vil comédia do amor;
Não vale a pena ter alma
Porque o melhor é andarmos
Mentindo seja a quem for.

Gosto de saber que vives
Mas não perdi a cabeça
Nem corro atrás do desejo;
Quem se agarra muito ao sonho
Vê o reverso da vida
Nos movimentos de um beijo.

Ando queimado por dentro
De sentir continuamente
Uma coisa que me rala;
Nem no meu olhar o digo
Que estes segredos da gente
Não devem nunca ter fala.

Talvez não saibas que o amor
Apesar das suas leis
Desnorteia os corações;
- Complicadíssima teia
Onde se perde o bom senso
E as mais sagradas razões.


Short & Sweet de José Cutileiro

Short & sweet,
Diz o ditado:
Aroma apenas
Adivinhado.

Da tua vida
Que me ficou -
Depois das mortes,
Das enxaquecas,
Dos livros lidos,
Dos sentimentos,
Das crises místicas,
Das dores de dentes,
De tudo, tudo,
O que foi teu,
Se demorou,
Em ti viveu,
Em ti morreu,
Que me ficou?

Short & sweet,
Diz o ditado:
Foi um silêncio
Súbito dado.

Da tua vida
Que me ficou -
Dos teus amigos,
Dos teus amantes,
Dos teus orgasmos,
Da que foste antes,
Das tuas pernas,
Das tuas cartas,
De tudo, tudo,
O que foi teu,
Se demorou,
Em ti viveu,
Em ti morreu,
Que me ficou?

Short & sweet,
Diz o ditado:
O som que ouvido
Tinha passado.

Da tua vida
Que me ficou -
Depois dos risos,
Depois das lágrimas,
Das obsessões,
Compreensões,
Menstruações,
Indecisões,
De tudo, tudo,
O que foi teu,
Se demorou,
Em ti viveu,
Em ti morreu,
Que me ficou?

Short & sweet,
Diz o ditado.



e finalmente entrámos nas leituras da sessão:

Adília
Do livro "Solteiros, casados e divorciados - como perceber a cabeça dos homens" da autoria de "O Arrumadinho", autor do blog sobre relações mais lido em Portugal, extraí algumas ideias relacionadas com o tema desta semana - o Amor.

1º capítulo - Os Solteiros

1.4 - O Segredo da Felicidade

(...) É viver os dias mais miseráveis de sempre e ter a certeza de que a partir daquele momento a vida só pode correr melhor.

1.6 - A busca por «o tal»

A busca não pode ser uma busca. É importante olhar para a pessoa, para o seu interior e não para o exterior, o que está à volta dela, as suas limitações na vida. Porque essas todos temos. o importante é olhar para tudo o resto que a torna diferente dos outros.

(...) voltar a amar e a sentir vontade de construir algo sólido. Evitar os erros do passado, saber agir em determinados momentos, a estar calado ou falar no momento certo.

Hoje encontrei a «tal» pessoa que estava escrito que ficaria comigo. E tenho a certeza porque é ela que me faz querer ser perfeito, que me faz querer ir mais além em tudo, que me tira do sério com um olhar, que me faz rir às gargalhadas quando está presente e ficar miserável quando não está. A minha busca acabou. Sei que não se deve dizer isto, mas que se lixe. Secalhar senão tivesse a certeza não o diria nem escreveria.

1.7 - As primeiras borboletas

Mais do que longos beijos ternurentos e noites de sexo escaldantes, recordo as pessoas que me fizeram borboletas esvoaçar pelo estômago. Senti as borboletas duas vezes. Na primeira vez tinha 14 anos (...) dei-lhe a mão para a ajudar a levantar-se.
(...)
A outra vez foi quando fazíamos um jogo de olhos vendados (...) ela estava atrás de mim, e para se equilibrar tinha de me segurar, com as mãos nas minhas costas. Mas, em vez disso, ele deu-me as mãos. E eu segurei as dela. E foi aí que se soltaram as borboletas. Foram as minhas primeiras borboletas a sério. Seguiram-se mais dois dias de olhares profundos, de cachorro apaixonado, mas nada. Nem ela me dizia nada, nem eu tinha a coragem de avançar.

1.10 - Almas Gémeas

 É perante os conflitos, as dificuldades, os obstáculos, os choques de personalidade, que descobrimos, verdadeiramente, a outra pessoa. É da capacidade de adaptação (aos defeitos, aos desleixos do outro), da vontade do outro em aceitar os nossos defeitos, da humildade de cada um em mudar o que podemos que nasce o amor, que se constroem almas gémeas.
Noutros casos, há encontros e desencontros (...) fica a lembrança, o carinho, o respeito (...) mas fica a certeza que iremos encontrar outra pessoa à nossa medida.


Miguel
excertos de "Os Lusíadas" de Luís de Camões


Fernando
"Este é o Poema do Amor" de António Gedeão

O poema que o poeta propositadamente escreveu
só para falar de amor,
de amor,
de amor,
de amor,
para repetir muitas vezes amor,
amor,
amor,
amor.
Para que um dia, quando o Cérebro Electrónico
contar as palavras que o poeta escreveu,
tantos que,
tantos se,
tantos lhe,
tantos tu,
tantos ela,
tantos eu,
conclua que a palavra que o poeta mais vezes escreveu
foi amor,
amor,
amor.

 Este é o poema do amor.


Helena Nogueira

"Cantiga, partindo-se" de João Roiz de Castel-Branco

Senhora, partem tão tristes
Meus olhos por vós, meu bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
Tão doentes da partida,
Tão cansados, tão chorosos,
Da morte mais desejosos
Cem mil vezes que da vida
Partem tão tristes os tristes
Tão fora d’ esperar bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.



Isabel
"Amar" de Carlos Drummond de Andrade


Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.



Antónia

O Amor de Fernando Pessoa

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..



Marília

"Amor" de José Luís Peixoto de A Casa, a Escuridão

o teu rosto à minha espera, o teu rosto
a sorrir para os meus olhos, existe um
trovão de céu sobre a montanha.

as tuas mãos são finas e claras, vês-me
sorrir, brisas incendeiam o mundo,
respiro a luz sobre as folhas da olaia.

entro nos corredores de Outubro para
encontrar um abraço nos teus olhos,
este dia será sempre hoje na memória.

hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas,
hoje tenho o teu rosto dentro de mim.



João
excerto de "Memorial do Convento" de José Saramago


Fernanda, Graciete, Helena e Cristina


Introdução:
Amor … Amor … Amor … Amor …! Quantas  versões diferentes para uma mesma palavra! Quantas mensagens ocultas  no amor  …
Diz-se que o amor é o motor da vida!
Diz-se que o amor é a razão de se viver!
Diz-se que o amor é o melhor que existe!
Diz-se que o amor é tormento, a falta de amor é morte… ( Marie Von Ebner-Eschenbach
Diz-se que o amor é cego, e os amantes não podem ver as deliciosas loucuras que eles mesmos cometem… (Shakespear)
Diz-se que o amor  que se procura é bom, mas o que se recebeu sem busca é melhor… (Shakespear)
Diz-se que o amor dá espírito às mulheres e retira-o aos homens …
Amores simples amores plurais!
Enfim, poderíamos continuar, eternamente, estas expressões mas, na vida há que fazer opções e também nós fomos obrigadas a fazê-las. Por isso, escolhemos - entre as centenas de poetas possíveis - Vinicius de Moraes, e os seus diferentes tipos de amor.
Somos quatro e, assim, vamos ler-vos quatro poesias que retratam o que aqui afirmámos.
A Cristina vai apresentar-vos “Amor”; A Helena “Ternura”; a Graciete  “Ai, quem me dera” e eu , Fernanda, “Mas que amor de cachorrinha!”.
Vamos então ouvir estas belas mensagens e no final teremos….


Cristina
"Amor" de Vinícius de Moraes de Poesias escolhidas

Vamos brincar, amor? vamos jogar peteca
Vamos atrapalhar os outros, amor, vamos sair correndo
Vamos subir no elevador, vamos sofrer calmamente e sem precipitação?
Vamos sofrer, amor? males da alma, perigos
Dores de má fama íntimas como as chagas de Cristo
Vamos, amor? vamos tomar porre de absinto
Vamos tomar porre de coisa bem esquisita, vamos
Fingir que hoje é domingo, vamos ver
O afogado na praia, vamos correr atrás do batalhão?
Vamos, amor, tomar thé na Cavé com madame de Sevignée
Vamos roubar laranja, falar nome, vamos inventar
Vamos criar beijo novo, carinho novo, vamos visitar N. S. do Parto?
Vamos, amor? vamos nos persuadir imensamente dos acontecimentos
Vamos fazer neném dormir, botar ele no urinol
Vamos, amor?
Porque excessivamente grave é a Vida.

Helena
"Ternura" de Vinícius de Moraes de Antologia Poética


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

Graciete

"Ai, quem me dera" de Vinícius de Moraes de Poesias escolhidas

Ai quem me dera, terminasse a espera
E retornasse o canto simples e sem fim...
E ouvindo o canto se chorasse tanto
Que do mundo o pranto se estancasse enfim

Ai quem me dera percorrer estrelas
Ter nascido anjo e ver brotar a flor
Ai quem me dera uma manhã feliz
Ai quem me dera uma estação de amor

Ah! Se as pessoas se tornassem boas
E cantassem loas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem ser casais

Ai quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afins
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim

Ai quem me dera ouvir o nunca mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E finda a espera ouvir na primavera
Alguém chamar por mim...



Fernanda
"Mas que amor de cachorrinha!"de Vinícius de Moraes de Poesias escolhidas


Mas que amor de cachorrinha!
Mas que amor de cachorrinha!

Pode haver coisa no mundo
Mais branca, mais bonitinha
Do que a tua barriguinha
Crivada de mamiquinha?
Pode haver coisa no mundo
Mais travessa, mais tontinha
Que esse amor de cachorrinha
Quando vem fazer festinha
Remexendo a traseirinha?

Uau,uau,uau,uau!
Uau,uau,uau,uau!



Ana Maria
"Acho que gosto de ti" de Nuno Cardoso Dias


Por ti
faria a Lua florir
bem-me-queres amarelos,
tulipas vermelhas,
rosas azuis.

Bem sei
que não lhes sentirias o aroma,
assim, a tantos quilómetros de distância.
Mas que importa o aroma que sentes
se o puderes imaginar?

Bem sei
que as flores são pequeninas.
Mas eu plantaria mil delas,
mil de cada, mil milhões
e esperaria, paciente, que crescessem,
até que toda a Lua florisse para ti,
ao chegares à janela.

Bem sei
que na Lua não há oxigénio
e as flores não poderiam sobreviver,
mas eu iria todos os dias
com o peito cheio de ar
e faria respiração boca-a-pétala.
De caminho tratava das lagartas,
(menos duas ou três por causa das borboletas),
e depois entrava na atmosfera de pára-quedas
com a sensação do prazer cumprido.

Bem sei
Que as flores morreriam ao fim de dois dias
por si ou arrancadas
por quem gosta de ver brancas as paredes da Lua.
Mas nada disso importava
se ao menos duas delas conseguissem
abrir-se ao espaço
e encher de pólen as estrelas.

As flores são efémeras, bem sei.
Também eu, tu e o que sentimos.
Mas aqui e agora, a lua é da cor que quisermos.
E eu,
Eu acho que gosto de ti.


Eugénia
excerto de "Vai aonde te leva o coração" de Susanna Tamaro


Ana Brandão
"Amor" Ana Paula Tavares do livro "De viva voz - antologia de poesia"


Anabela e Alexandra
Amor é fogo que arde... de Luís de Camões


Amor é fogo que arde sem se ver;
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente;
é dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
é  solitário andar por entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?



Cíntia

"Sorte Grande" de João Só e Abandonados

Olha lá,
Já se passaram alguns anos
Nem sequer vinhas nos meus planos
Saíste-me a sorte grande

E eu cá vou
Gozando os louros deste achado
Contigo de braço dado para todo o lado

Eu vou até morrer ser teu se me quiseres
Agarrado a ti vou sem hesitar
E se o chão desabar que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti

Meu amor na roda da lotaria
Que é coisa escorregadia
Saíste-me a sorte grande

E eu cá vou
À minha sorte abandonado
Contigo de braço dado para todo o lado

Eu vou até morrer ser teu se me quiseres
Agarrado a ti vou sem hesitar
E se o chão desabar que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti

Olha lá,
Por mais que passem os anos
Por menos que eu faça planos
Sais me sempre a sorte grande

Agarrado a ti vou sem hesitar
E se o chão desabar que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti

vou sem hesitar
E se o chão desabar que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti
Vou agarrado a ti
Vou agarrado a ti


a Ana Brandão sugeriu "Morte aos Feios" de Boris Vian

o primeiro namoro livresco do cleva 3.0

a Cristina Paiva trouxe "Os livros que devoraram o meu pai" de Afonso Cruz para a Fernanda





próxima sessão - 16 de outubro

será o tema

será responsável pelo livro do dia



O onírico em literatura





trabalho de grupo com o texto:


Rêve Oubliê

Neste meu hábito surpreendente de te trazer de costas
neste meu desejo irreflectido de te possuir num trampolim
nesta minha mania de te dar o que tu gostas
e depois esquecer-me irremediavelmente de ti

Agora na superfície da luz a procurar a sombra
agora encostado ao vidro a sonhar a terra
agora a oferecer-te um elefante com uma linda tromba
e depois matar-te e dar-te vida eterna

Continuar a dar tiros e modificar a posição dos astros
continuar a viver até cristalizar entre neve
continuar a contar a lenda duma princesa sueca
e depois fechar a porta para tremermos de medo

Contar a vida pelos dedos e perdê-los
contar um a um os teus cabelos e seguir a estrada
contar as ondas do mar e descobrir-lhes o brilho
e depois contar um a um os teus dedos de fada

Abrir-se a janela para entrarem estrelas
abrir-se a luz para entrarem olhos
abrir-se o tecto para cair um garfo no centro da sala
e depois ruidosa uma dentadura velha
E no CIMO disto tudo uma montanha de ouro

E no FIM disto tudo um Azul-de-Prata.

António Maria Lisboa



Cíntia
excerto de "O arranca corações" de Boris Vian


Isabel
excerto de "Cem anos de solidão" de Gabriel Garcia Marquez


Anabela
excerto de "A linguagem dos sonhos" de Julia e Derek Parker


Ana Vieira
Ode à vida de Pablo Neruda de "Odes elementares"


Eugénia

A Fada das Crianças

Do seu longínquo reino cor-de-rosa,
Voando pela noite silenciosa,
A fada das crianças, vem, luzindo.
Papoulas a coroam, e, cobrindo
Seu corpo todo, a tornam misteriosa.
À criança que dorme chega leve,
E, pondo-lhe na fronte a mão de neve,
Os seus cabelos de ouro acaricia —
E sonhos lindos, como ninguém teve,
A sentir a criança principia.
E todos os brinquedos se transformam
Em coisas vivas, e um cortejo formam:
Cavalos e soldados e bonecas,
Ursos e pretos, que vêm, vão e tornam,
E palhaços que tocam em rabecas…
E há figuras pequenas e engraçadas
Que brincam e dão saltos e passadas…
Mas vem o dia, e, leve e graciosa,
Pé ante pé, volta a melhor das fadas
Ao seu longínquo reino cor-de-rosa.

 Fernando Pessoa


Helena, Fernanda, Cristina e Graciete
adaptação de O mito de eros e psique de "Os meus primeiros mitos gregos"

Introdução

  O onírico em Literatura foi o desafio que nos foi apresentado desta vez.
Como sempre, vários eram os caminhos que se nos depararam mas, optámos por escolher o mito. Pensamos que o mito - fazendo parte integrante do sonho - é talvez o maior de todos os sonhos uma vez que é coletivo. “ O mito é o nada que é tudo” assim disse Fernando Pessoa no seu livro Mensagem, no 1º verso do poema “Ulisses”.
E a mitologia grega é das provas mais evidentes, pois os gregos criaram os mitos não só para preservarem a história do seu povo como para explicar os fenómenos da natureza que nessa época não tinham uma explicação científica. O mito sobreviveu à Ciência e continua –  embora numa outra dimensão, claro está – a pertencer aos povos.
De tal modo, que após a Grécia ter sido dominada pelo Império romano em 272 a.C, os romanos também adotaram estes deuses, mas com outras designações. E é assim que Eros,  deus do amor,  corresponde ao Cupido romano. Psique é a Alma; Afrodite, mãe de Eros, é a Vénus; Perséfone é a Prosérpina e Zeus é Júpiter, deus de todos os deuses. O Monte Olimpo Montanha da antiga Grécia, é onde viviam todos os deuses.
E, entre tantos mitos, escolhemos aquele que nos pareceu mais adequado ao tema: o mito de Eros e de Psique. Porém, fizemos  uma adaptação. Porquê uma adaptação? Para tornar o texto numa linguagem mais simplificada e atrativa!
O facto é que em todos os tempos, o sonho comandou a vida – e aqui  relembramos  António Gedeão  e a  Pedra Filosofal, e Pelo sonho é que vamos  de Sebastião da Gama.
Vamos, então,   dizer-vos  o mito de Eros e de Psique:


 O  mito   -  Eros e Psique

O pai e a mãe de Psique falavam assim:
- A minha filha é a rapariga mais bonita do mundo!    
-Ela é ainda mais bonita do que Afrodite!                     
Afrodite, a deusa do amor, ouviu-os a vangloriarem-se, e ficou absolutamente furiosa. Como podia uma simples rapariga mortal ser mais bonita que uma deusa? E saiu, num turbilhão, à procura do filho, Eros.
Eros era um jovem malicioso que tinha um arco e flechas mágicos. Quando atingia uma pessoa com uma destas flechas, ela não sentia dor, mas apaixonava-se instantaneamente por qualquer pessoa que visse.
Afrodite ao encontrar seu filho ordenou-lhe:
- Eros, quero que faças com que Psique, aquela rapariga desprezível, se apaixone, de preferência por um monstro horrível.
Eros partiu imediatamente em busca de Psique. Gostava de fazer com que as pessoas menos prováveis, até os deuses, se apaixonassem. Encontrou Psique a dormir na relva da encosta de uma montanha. Tirou uma flecha da sua aljava, mas tropeçou numa pedra e a flecha foi direta à sua própria perna. E logo se apaixonou profundamente por Psique. Olhava Psique, perguntando-se o que fazer. Se Afrodite alguma vez descobrisse que ele amava esta bonita rapariga, ela ficaria furiosa com ele. Teria de guardar segredo, fosse como fosse. Pouco depois, Eros pensou num plano. Levou Psique, que continuava adormecida, para o seu maravilhoso palácio, e deitou-a cuidadosamente numa cama. E deixou-a ali ficar.
Nessa noite, e durante muitas noites, Eros ia para o palácio quando estava escuro e saía, todas as manhãs,  antes dos primeiros raios da aurora. De início, Psique estava assustada com este homem que nunca vira. Mas ele era tão carinhoso para com ela e falava com ela com tanto doçura que depressa começou a esperar as suas visitas com ansiedade. Um dia Eros disse-lhe:
- Nunca deves tentar descobrir quem eu sou.
As irmãs de Psique ouviram dizer que ela vivia sozinha num belo palácio e foram visitá-la. Queriam saber tudo sobre o homem misterioso, e provocaram-na.
- Talvez ele já tenha mulher e uma série de filhos.
- Talvez ele não deixe que o vejas porque é horrível! Talvez seja um monstro.
- Vão-se embora! Não vos vou dar ouvidos.
Mas quando as irmãs se foram embora, ela sentia-se tão curiosa quanto elas. Ansiava vê-lo. Nessa noite, quando Eros estava a dormir, Psique desceu sorrateiramente e acendeu uma pequenina lamparina de azeite. Em bicos de pés, regressou com a lamparina e levantou-a para poder olhar para o homem que nunca vira antes. Regozijou-se por ele ser jovem e bonito, e sabia que o amava. Debruçando-se sobre ele para o ver mais de perto, uma gota de azeite quente da lamparina caiu no braço dele. Eros acordou e olhou Psique, zangado. Em seguida levantou-se de um salto e, sem dizer uma palavra, rompeu para fora do palácio na escuridão da noite.
Psique atirou-se para cima da cama e chorou até o dia nascer. Vagueou todo o dia, triste, pelo palácio, e, à noite, esperou, desejando desesperadamente que o homem que ela vira viesse ter com ela. Mas,  embora tivesse ficado acordada toda a noite, ele não veio. Durante semanas, Psique esperou e chorou. Depois durante meses, procurou por toda a parte o homem que amava.
Quando já não aguentava mais, rezou a Afrodite:
- Deusa do Amor, por favor, ajuda-me!
- É o meu filho Eros que tu amas, mas não podes esperar que um deus ame uma mortal idiota como tu. Embora ele possa voltar para ti, se realizares as tarefas que eu te der.
- Prometo! Prometo fazer tudo o que quiseres se me trouxeres o meu amor de volta…
Afrodite levou-a para um celeiro. No chão estava uma enorme pilha de trigo, centeio e cevada e Afrodite disse-lhe secamente:
- A tua primeira tarefa é separar estes cereais em três montes diferentes até ao fim do dia.
Psique sentou-se e começou a separar os cereais. Cerca de uma hora depois, apercebeu-se de que levaria anos a terminar a tarefa. Olhou a enorme pilha de cereais, desesperada. Depois reparou numa longa coluna de formigas que marchavam pelo solo. Quando chegavam à pilha de cereais, cada formiga agarrava um grão e levava-o para um dos três montes. Ao final do dia, os cereais tinham sido separados em três montes diferentes: um de trigo, outro de centeio e outro de cevada. E as formigas foram-se embora. Afrodite não ficou contente por Psique ter completado a tarefa. Não sabia que Eros enviara as formigas para ajudarem Psique.
- A tua próxima tarefa é ir ao Mundo Subterrâneo buscar uma caixa de unguento de beleza de Perséfone.
A pobre Psique nem sequer sabia como encontrar a entrada para o mundo subterrâneo. Mas, com mais uma ajuda secreta de Eros, ela entrou corajosamente, atravessou o rio Estige com o barqueiro e chegou ao trono de Perséfone. A Rainha do mundo subterrâneo deu a Psique a caixa de unguento dizendo-lhe:
- Nunca abras esta caixa pois ela pode trazer-te muitas complicações.
E,  com a ajuda de Eros, Psique depressa encontrou a saída do Mundo Subterrâneo. Mas Psique pensou que, se pusesse no rosto apenas um pouco de unguento de beleza, seria ainda mais bonita e Eros poderia voltar a amá-la. Parando por um momento, levantou a tampa da caixa. Não continha unguento de beleza, mas o sono interminável, que era a morte. De imediato, Psique adormeceu. Eros, que estava a observar tudo, apressou-se a ir ter com Psique e, com um sopro, afastou-lhe o sono dos olhos para a acordar. Psique, então, levou a caixa a Afrodite, enquanto Eros voou até Zeus, o mais poderoso de todos os deuses.
- Por favor, Zeus. Eu quero casar com Psique, mas não posso, a não ser que tu primeiro  a tornes imortal.
 Zeus que estava bem disposto, sorriu e concordou.  Então, Eros foi juntar-se a Psique e disse-lhe:
 - Vem! Vamos para o monte Olimpo, e lá nos casaremos. Seremos muito, muito felizes e para sempre.


Alexandra
excerto de "O traseiro do rei" de Raquel Saiz


João
excerto de "Em busca do carneiro selvagem" de Haruki Murakami


Cristina
Como o Manuel não pôde estar presente, a Cristina apresentou o LIVRO DO DIA:



2012.09.22 - Fábulas



a Cristina começou por ler um poema inédito, escrito recentemente na residência literária da Foz do Cobrão, inserida no evento "Poesia, um dia" da Biblioteca Municipal José Baptista Martins de Vila Velha de Ródão, da autoria
de Jaime Rocha, Margarida Vale de Gato e José Mário Silva.

Poema Ingénuo comprometido
15 se setembro 2012

O que é um país à procura de futuro?
Coitado de um país que procura um futuro
e só encontra muros e cinza.

Um país sem luz, sem geografia,
com uma mágoa metida no tronco.
Um país doente que rói os ossos
e bebe água por um tubo pequeno.
Um país invadido por um deserto,
sem palavras, um país final.

O que é um país à procura de futuro?
Um país que se levanta inteiro
numa tarde quente.



a Helena e Eugénia leram "Assembleia dos Ratos" de Esopo

a Antónia leu  a versão de Bocage da "A cigarra e a formiga" de La Fontaine

Tendo a cigarra, em cantigas,
Folgado todo o Verão,
Achou-se em penúria extrema,
Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga
Que morava perto dela.

Rogou-lhe que lhe emprestasse,
pois tinha riqueza e brio,
Algum grão com que manter-se
'Té voltar o aceso Estio.

- Amiga - diz a cigarra -,
Prometo, a fé de animal,
Pagar-vos, antes de Agosto,
Os juros e o principal.

A formiga nunca empresta,
Nunca dá; por isso, junta.
- No Verão em que lidavas? -
À pedinte, ela pergunta.

Responde a outra: - eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.
- oh! Bravo! - torna a formiga. -
Cantavas? Pois dança agora!


a Cristina leu "Velha fábula em bossa nova" de Alexandre O´Neill

Minuciosa formiga
não tem que se lhe diga:
leva a sua palhinha
asinha, asinha.

Assim devera eu ser
e não esta cigarra
que se põe a cantar
e me deita a perder.

Assim devera eu ser:
de patinhas no chão,
formiguinha ao trabalho
e ao tostão.

Assim devera eu ser
se não fora
não querer.

(- Obrigado, formiga!
Mas a palha não cabe
onde você sabe...)



a Fernanda, a Cristina, a Graciete e a Helena, leram "Aos Poetas" de Miguel Torga


Somos nós
As humanas cigarras.
Nós,
Desde o tempo de Esopo conhecidos…
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.

Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga ao luar.
Nós, que nunca passamos,
A passar…

Somos nós e só nós podemos ter
Asas sonoras.
Asas que em certas horas
Palpitam.
Asas que morrem mas ressuscitam
Da sepultura.
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.

Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz.
Vinho que não é meu,
Mas sim do mosto que a beleza traz.

E vos digo e conjuro que canteis,
Que sejais menestréis
Duma gesta de amor universal.
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural.

Homens de toda a terra sem fronteiras.
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele.
Crias de Adão e Eva verdadeiras.
Homens da torre de Babel.

Homens do dia-a-dia
Que levantem paredes de ilusão.
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão.


a Ana leu o "Canguru marinheiro" de autor desconhecido


a Ana Maria leu-nos um excerto do livro "Alice no país da alimentação" de Nuno Cardoso Dias, que vai ser publicado pela Associação de diabéticos de S. Miguel e Sta Maria


a Isabel leu "O carvalho e o caniço" de La Fontaine


a Helena leu um excerto de "Fernão Capelo Gaivota" de Richard Bach


a Adília leu "O rato do campo e o rato da cidade" de Esopo
O rato da cidade e o do campo.

Um rato que morava na cidade, foi dar um passeio ao campo. Recebeu‐o um amigo que o levou para os seus palácios subterrâneos, e deu‐lhe um banquete de ervas e raízes. Maldizendo em presença de tais iguarias a louca lembrança do seu rústico passeio, o rato da cidade, obrigado a jejuar, disse por fim:
"Amigo, tenho dó de ti; como te podes resignar a semelhante vida? vem comigo para a cidade, verás o que é fartura, o que é viver. O outro aceitou. À noitinha estavam ambos numa bela e rica residência, com uma rica dispensa; queijos, lombos, o perfumado toucinho, tudo os incitava; desforrando ‐se de sua longa dieta, o rato do campo regalava‐se. De súbito range a porta, entra o despenseiro: vem com ele dois gatos.
O rato da casa achou logo o seu buraco; o hóspede, ‐ sobressaltado, pulando de prateleira em prateleira, mal escapou com a vida, e despedindo‐se do amigo: "Adeus,
camarada, disse, ficai‐vos com as vossas farturas; mais vale magro e faminto no mato, do que gordo na boca do gato.

MORAL DA HISTÓRIA.
‐ Sem sossego e paz de espírito de que valem os outros bens?

o António leu excertos de "A cozinha canibal" de Roland Topor


o Fernando leu "O imperador Ho Sin" de Woody Allen

O imperador Ho Sin teve um sonho em que contemplava um palácio maior que o seu e cuja renda era metade da sua. Ao atravessar os portais do edifício, Ho Sin verificou subitamente que o seu corpo voltava a ser jovem, embora a cabeça permanecesse entre os sessenta e cinco e os setenta anos. Ao abrir uma porta, deu com outra porta, que dava para outra; em breve se deu conta de que tinha cruzado cem portas e que se encontrava agora num pátio das traseiras.
Quando Ho Sin já se sentia no limiar do desespero, um rouxinol pousou-lhe no ombro e cantou a mais bela canção que lhe fora dado ouvir e depois bicou-lhe no nariz. Escarmentado, Ho Sin viu-se a um espelho e, em vez de contemplar o seu próprio reflexo, viu um homem chamado Mendel Goldblatt, que trabalhava na Fábrica de Bombas Wasserman, que o acusou de lhe ter roubado o sobretudo.
Graças a isto, Ho Sin descobriu o segredo da vida, que era «Nunca cantes melodias tirolesas».


a Alexandra leu "A menina do capuchinho vermelho" de Roald Dahl de Histórias em versos para meninos perversos

«Como estou farto de fazer de bobo!»
Disse, cheio de fome, o senhor lobo.
«Há quatro dias que não trinco osso,
A avozinha vai ser o meu almoço.»
Quando a avozinha lhe abriu a porta
Com o susto tremeu e, meia morta,
Fitou aqueles dentes a brilhar.
«Ai, que o malvado me quer devorar!»
A pobre senhora tinha razão
Porque ele a comeu com sofreguidão.
A avozinha era pequena e dura,
O almoço não foi uma fartura.
«Ai, estou com uma fome aterradora,
Pronto para comer outra senhora.»
Foi procurar petiscos na cozinha
Mas nada para roer o bicho tinha.
«Vou-me sentar no colchão de folhelho
À espera do Capuchinho Vermelho.»
Disse o lobo enquanto se vestia
Com as roupas que por ali havia.
Saia de seda, botas de verniz,
Chapéu de veludo foi o que quis.
Escovou o pelo, as garras pintou,
Bem disfarçado assim se sentou.
Um pouco depois, em passo apressado,
A moça chegou, toda de encarnado.
«Ó minha avozinha, quero saber,
As tuas orelhas estão a crescer?»
«Sim, minha neta, para melhor te ouvir.»
«Que grandes olhos tens, querida avó»,
Disse a menina cheia de dó.
«São para melhor te ver», disse o lobo
E pôs-se a pensar: «Não sou nenhum bobo,
Esta bela menina vou papar,
Que bom petisco para o meu jantar.
Vai saber-me que nem um pão de ló,
Não é velha nem dura como a avó.»
«Mas avozinha», disse a menina,
Tens um casaco de pele tão fina.»
«Não», disse o lobo, «Deves perguntar
Por que são meus dentes de espantar.
Bem, digas tu o que disseres
Como-te sem prato nem talheres.»
A menina sorriu. Da camisola
Sacou de imediato uma pistola
E com uma certeira pontaria
Pum, pum, pum, aquele lobo morria.
Passaram os dias, passou um mês,
Vi a menina no bosque outra vez,
Mas sem o capuz, sem capa encarnada,
Toda diferente, toda mudada.
Sorrindo me explicou: «Daquele bobo
Fiz este casaco de pele de lobo».


a Ana Paula leu "Como o sr de La Fontaine puxa as orelhas à república dos homens pondo a falar o reino dos animais" de "100 fábulas de La Fontaine" antologia de José Viale Moutinho


o nosso público leu "A lebre e a tartaruga"





entretanto fomos à procura de um trovisco

porque o Miguel tinha uma fábula para nos ler sobre esta planta
Trovisco

“O trovisco, Daphne gnidium, como muitas outras plantas, colhia-se preferencialmente na noite de S. João porque nessa noite tinha maiores poderes mágicos.
Considerava-se que seria um amuleto eficaz contra os esconjuros e acreditava-se que servia de proteção contra as bruxas.
Utilizava-se para combater as sezões que provocavam arreliadoras febres intermitentes.
Para que produzisse efeito, era imprescindível seguir um costume tradicional recolhido por Francisco Rodriguez Marín.
O alquebrado das febres procurava uma moita de trovisco e quando a encontrava, saudava-a como se tratasse de uma pessoa-
- Olá senhor Trovisco, quero-lhe dar conhecimento de que sofro de sezões e venho aqui para as deixar. De modo que já sabe!
Após saudar a planta tão cortesmente, o paciente pisava-a, golpeava-a e torcia-a. Depois afastava-se uns metros e acercava-se de novo, dizendo:
- Senhor Trovisco esta foi a primeira vez! Se as sezões não me deixarem, volto de novo e o senhor vai inteirar-se disso.
Feita a ameaça e cumprido o ritual, eis que a crença e a transmissão magnética com efeitos curativos, levavam a que o paciente ficasse supostamente curado.”

tradução de Miguel Boieiro; livre e pessoal do que vem no Diccionário de Plantas Curativas de la Península Ibérica de Enric Balasch e Yolanda Ruiz – edição Servilibro de Madrid


Terminadas as Fábulas
a Isabel leu-nos um excerto da sua sugestão para livro do dia, "Abraço" de José Luís Peixoto

e pronto
já se sabe que o ar do campo dá fome

e mesmo ao fechar do pano, fomos convidados a visitar uns inquilinos especiais do Pinhal das Areias





"Platero é pequeno, peludo, suave; tão macio, que dir-se-ia todo de algodão, que não tem ossos. Só os espelhos de azeviche dos seus olhos são duros como dois escaravelhos de cristal negro. Deixo-o solto, e vai para o prado, e acaricia levemente com o focinho, mal as roçando, as florinhas róseas, azuis-celestes e amarelas... Chamo-o docemente: «Platero», e ele vem até mim com um trote curto e alegre que parece rir em não sei que guizalhar ideal...Come o que lhe dou. Gosta das tangerinas, das uvas moscatéis, todas de âmbar, dos figos roxos, com sua cristalina gotita de mel... É terno e mimoso como um menino, como uma menina...; mas forte e seco como de pedra. Quando nele passo, aos domingos, pelas últimas ruelas da aldeia, os camponeses, vestidos de lavado e vagarosos, param a olhá-lo:— Tem aço...Tem aço. Aço e prata de luar, ao mesmo tempo."

Juan Ramón Jiménez
de “Platero e eu



próxima sessão - 22 setembro - sábado - 15h00

o local de encontro é na entrada norte do Pinhal das Areias
(junto ao Polo de animação ambiental do Sítio das Hortas)


View Larger Map

será o tema da sessão
apresentará o livro do dia

2012.09.04 - A(s) COR(es)



a Anabela leu um excerto de "O poder da mente" de Uri Geller

o António leu-nos de sua autoria

Língua encarnada

Não pinto os lábios, pinto a língua. Encarnada, vermelho sangue. Rubra. Violenta, colérica. Diz todas as coisas e lambe vários papéis.

Pinto a língua, abro os lábios para sair da minha boca as muitas encarnações da cor. Matiza-se do cinzento timidez e perfume, do amarelo amanhece, nascem rios com o verde, os dentes são pérolas da sua cor. Bebo as águas cintilantes, mergulho no branco. Venho à tona num barco bocal, agarro-me aos lábios, debato-me com a língua e reescrevo. Marco a lacre, beijo o selo e o envelope. Envio a carta num papel impecável.

Limpo a boca num punho, mas a língua não se lava. A língua é apenas presa numa ponta, músculo em forma de falo. Falo todas as mentiras, ponho-lhes cor, dou-lhes nomes, chamo-as o que calhar. Lambo os lábios escondendo o riso aqui dentro, uma caixa-surpresa, a mola da língua salta. Desperta toda uma casa, o universo dentro de um mundo, dentro de uma língua, fora do coração.

A minha língua acorda as tuas mãos, a tua pele, os teus cheiros, a cor dos teus olhos, os teus sexos. Pudesse a minha língua acordar todas as línguas.

Pudesse a língua não caber nunca, nunca numa mão. Que seja a língua bandeira e cometa e sempre se veja neste ponto minúsculo. Lamba a língua encarnada, deguste o sal, salive um céu inteiro e omisso, presa em si mesma, presa à carne da sua própria língua.

Até que a língua se me cale. Então preta. Então encarnada.

Mais textos do António podem ser lidos no seu blogue


a Conceição leu, de Florbela Espanca

Primavera

É Primavera agora, meu Amor!
O campo despe a veste de estamenha;
Não há árvore nenhuma que não tenha
O coração aberto, todo em flor!

Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor
Da vida... não há bem que nos não venha
Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!

Também despi meu triste burel pardo,
E agora cheiro a rosmaninho e a nardo
E ando agora tonta, à tua espera...

Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos...
Parecem um rosal! Vem desprendê-los!
Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...


também de Florbela Espanca, o Manuel leu

Cravos vermelhos

Bocas rubras de chama a palpitar,
Onde fostes buscar a cor, o tom,
Esse perfume doido a esvoaçar,
Esse perfume capitoso e bom?!

Sois volúpias em flor! Ó gargalhadas
Doidas de luz, ó almas feitas risos!
Donde vem essa cor, ó desvairadas,
Lindas flores d´esculturais sorrisos?!

…Bem sei vosso segredo…Um rouxinol
Que vos viu nascer, ó flores do mal
Disse-me agora: “Uma manhã, o sol,

O sol vermelho e quente como estriga
De fogo, o sol do céu de Portugal
Beijou a boca a uma rapariga…


a Cíntia leu, de Juan Ramón Jiménez

A cor da tua alma

Enquanto eu te beijo, o seu rumor
nos dá a árvore, que se agita ao sol de ouro
que o sol lhe dá ao fugir, fugaz tesouro
da árvore que é a árvore de meu amor.  

Não é fulgor, não é ardor, não é primor
o que me dá de ti o que te adoro,
com a luz que se afasta; é o ouro, o ouro,
é o ouro feito sombra: a tua cor.

A cor de tua alma; pois teus olhos
vão-se tornando nela, e à medida
que o sol troca por seus rubros seus ouros,
e tu te fazes pálida e fundida,
sai o ouro feito tu de teus dois olhos
que me são paz, fé, sol: a minha vida!

de "Ríos que se Van"
Tradução de José Bento


a Ana Brandão leu de Wanderley Midei, As cores dos amigos


a Ana Vieira leu de Reinaldo Ferreira

Quero um cavalo de várias cores

Quero um cavalo de várias cores,
Quero-o depressa, que vou partir.
Esperam-me prados com tantas flores,
Que só cavalos de várias cores
Podem servir.

Quero uma sela feita de restos
Dalguma nuvem que ande no céu.
Quero-a evasiva - nimbos e cerros -
Sobre os valados, sobre os aterros,
Que o mundo é meu.

Quero que as rédeas façam prodígios:
Voa, cavalo, galopa mais,
Trepa às camadas do céu sem fundo,
Rumo àquele ponto, exterior ao mundo,
Para onde tendem as catedrais.

Deixem que eu parta, agora, já,
Antes que murchem todas as flores.
Tenho a loucura, sei o caminho,
Mas como posso partir sozinho
Sem um cavalo de várias cores?


a Cristina e o Fernando leram de Russell Edson

O livro em branco

O livro estava em branco, todas as palavras tinham caído.
O marido disse-lhe, o livro está em branco.
A mulher disse, aconteceu-me uma coisa estranha a caminho do momento actual.
Eu estava a sacudir o livro, para eliminar todas as gralhas, e de súbito todas as
palavras e a pontuação também caíram. Talvez todo o livro fosse uma gralha?
E o que fizeste às palavras? disse o marido.
Embrulhei-as e mandei-as para um endereço fictício, disse ela.
Mas ninguém lá vive. Não sabes que é raro alguém viver num endereço fictício.
A realidade quase não chega para fornecer um simples endereço postal, disse ele.
É por isso que as enviei para lá. Palavras todas misturadas podem de repente
coalescer em boatos e mexericos maliciosos, disse ela.
Mas estas páginas em branco não representam também um convite perigoso a
boatos e mexericos maliciosos? Quem sabe o que alguém pode distraidamente
escrever? Quem sabe o que o acaso poderá fazer com um convite tão perigoso? disse ele.
Talvez tenhamos que nos enviar para qualquer endereço fictício, disse ela.
Será porque as palavras continuam a sair das nossas bocas, palavras que poderiam
facilmente originar boatos e mexericos maliciosos? disse ele.

de O Túnel
Assírio & Alvim


a Ana Paula leu-nos de Hervé Tullet, Um livro


o Miguel leu-nos de sua autoria

As cores

Amigos, críticos e detratores de todas as cores, fartos das minhas croniquetas verdes, vêm insistindo para que escreva antes sobre as experiências de âmbito social que acumulei ao longo da minha terrena existência.
Perante a negritude que o futuro próximo, e quiçá o longínquo, parece prenunciar, é irrecusavelmente aliciante, voltar atrás para caracterizar a vida com as cores que ela se apresentava há volta de sessenta anos. Em simultâneo, será uma pesquisa feita nas profundas do subconsciente e um exercício algo nostálgico, emocional, mas não saudosista, sobre a vida, a minha vida, entenda-se, tal como a divisava com seis anos de idade. Desculpar-me-ão os pessoalismos e as ingenuidades que forçosamente hão de aflorar nas minhas toscas descrições infantis.
Ora quando tinha seis anos e para além do que a natureza, a grande mestra, me oferecia, as únicas cores que dispunha eram o preto e o branco. O preto quando gatafunhava a lápis naqueles cadernos escolares de duas linhas para que as letras merecessem o epíteto de caligrafia. O branco, quando escrevia com uma pena de xisto nas pequenas ardósias que nós chamávamos “pedras”. Para reproduzir qualquer coisa, tinha que ser a preto e branco. Confesso, aliás, que não tinha jeito algum para o desenho. Bem tentava desenhar casas, galinhas, árvores e barcos mas saiam-me sempre imagens disformes, longe da realidade. Televisão não havia e quando apareceu, era a preto e branco. Aos domingos ia ouvir o relato da bola à taberna da tia Celeste e lá imaginava o verde do Sporting, o azul-escuro do Belenenses e o encarnado do Benfica. Do Porto, não! Só o tio Leques é que era portista. A designação “vermelha” não se usava, era conotada com a cor da capa do belzebu, com o comunismo, com a revolução e portanto, liminarmente proibida. Nos jornais, que também só eram a preto e branco, quando algum cronista mais afoito escrevia “vermelho”, logo a censura cortava e substituía por “carmesim”, “escarlate” ou “encarnado”.


a Antónia leu um excerto de "Seara Vermelha" de Jorge Amado

O vento arrastou as nuvens, a chuva cessou e sob o céu novamente limpo crianças começaram  a brincar. As aves de criação saíram dos seus refúgios e voltara a ciscar no capim molhado. Um cheiro de terra, poderoso, invadia tudo, entrava pelas casas, subia pelo ar. Pingos de água brilhavam sobre as folhas verdes das árvores e dos mandiocais. E uma silenciosa tranqüilidade se estendeu sobre a fazenda, as árvores, os animais e os homens.
Apenas as vozes álacres das crianças, pelos terreiros, cortavam a calma daquele momento:

Chove, chuva chuverando
Lava a rua do meu bem...


a Cristina, a Fernanda e a Helena Barros leram, de Camilo Pessanha

Branco e Vermelho

A dor, forte e imprevista,
Ferindo-me, imprevista,
De branca e de imprevista
Foi um deslumbramento,
Que me endoidou a vista,
Fez-me perder a vista,
Fez-me fugir a vista,
Num doce esvaimento.
Como um deserto imenso,
Branco deserto imenso,
Resplandecente e imenso,
Fez-se em redor de mim.

Todo o meu ser, suspenso,
Não sinto já, não penso,
Pairo na luz, suspenso...
Que delícia sem fim!
Na inundação da luz
Banhando os céus a flux,
No êxtase da luz,
Vejo passar, desfila
(Seus pobres corpos nus
Que a distancia reduz,
Amesquinha e reduz
No fundo da pupila)
Na areia imensa e plana
Ao longe a caravana
Sem fim, a caravana
Na linha do horizonte
Da enorme dor humana,
Da insigne dor humana...
A inútil dor humana!
Marcha, curvada a fronte.
Até o chão, curvados,
Exaustos e curvados,
Vão um a um, curvados,
Escravos condenados,
No poente recortados,
Em negro recortados,
Magros, mesquinhos, vis.
A cada golpe tremem
Os que de medo tremem,
E as pálpebras me tremem
Quando o açoite vibra.
Estala! e apenas gemem,
Palidamente gemem,

A cada golpe gemem,
Que os desequilibra.
Sob o açoite caem,
A cada golpe caem,
Erguem-se logo. Caem,
Soergue-os o terror...
Até que enfim desmaiem,
Por uma vez desmaiem!
Ei-los que enfim se esvaem,
Vencida, enfim, a dor...
E ali fiquem serenos,
De costas e serenos.
Beije-os a luz, serenos,
Nas amplas frontes calmas.
Ó céus claros e amenos,
Doces jardins amenos,
Onde se sofre menos,
Onde dormem as almas!
A dor, deserto imenso,
Branco deserto imenso,
Resplandecente e imenso,
Foi um deslumbramento.
Todo o meu ser suspenso,
Não sinto já, não penso,
Pairo na luz, suspenso
Num doce esvaimento.
Ó morte, vem depressa,
Acorda, vem depressa,
Acode-me depressa,
Vem-me enxugar o suor,
Que o estertor começa.
É cumprir a promessa.
Já o sonho começa...
Tudo vermelho em flor...

de Clepsidra


a Alexandra leu um excerto do "Livro das sete cores" de Maria Alberta Menéres


a Helena Nogueira leu  "Como se faz cor-de-laranja" de António Torrado


a Adília leu-nos um texto da sua autoria

Uma homenagem às cores
Às emoções …
Ao calor que delas irradia…
À alegria que nos proporciona … um simples dia de sol, em que até as cores ganham vida!!!

Das fotografias a preto e branco à televisão a cores
Das flores… e das floristas… na baixa de Lisboa
Ao branco das casas alentejanas, com uma risca azul …
Da magia do nascer até ao pôr do sol …

E os significados das Cores???
O que seria da rosa encarnada… sem cor??? Que paixões despertaria?
Sem cor…como seria? … Branca? … Cinzenta? … Transparente? Existiria sequer???

E as cores em nós???
Sem cores, como seríamos???
Haveria realmente diferença entre brancos e pretos?
Como saberíamos que alguém estava apaixonado se ficasse corado ou corada quando passa alguém … especial?!?!?!?
A cor domina!!! Arrasa alguém que tenta conquistar aquela mulher com os lábios e as unhas pintadas de fogo!!!
E a inveja saudável causada pelos amigos que regressam das férias com um belo tom moreno…
E os teus olhos??? Fechem os olhos e imaginem as cores na música … dos teus olhos …a música que fala dos olhos verdes e do ciúme!!!
A cor dos olhos…
Que cores veem os olhos?
As mesmas cores que vemos hoje, amanhã podem estar diferentes … mais pálidas, mais secas ou, pelo contrário, com mais vida e mais resplandecentes que nunca!!!

Sabiam que as cores também dançam com os sabores???
Este verão perdi-me com os pêssegos amarelos … aqueles de roer, sabem??? E quanto mais alaranjados eram mais despertavam o apetite!!
A cor também é arte…beleza… a cor é amiga…
A simples cor da manga dá-me tranquilidade… é harmoniosa …
Não é também o que sentimos quando vemos no campo os lençóis brancos estendidos nos quintais, ao sabor do vento, rodeados pela relva ou por um jardim cheio de flores … e cores???!!!

Mas ainda deambulando pelos sabores…
Não ficam com água na boca ao pensar no amarelo da baunilha a contrastar com o doce de morango caseiro???
Ou se preferirem … algo salgado…
A cor salmão … do salmão!!! Bem acompanhado com uma rodela de limão…amarela!!!

Nunca contemplaram uma bancada do mercado de frutas e legumes pincelada com mil cores?
Imaginem uma tela com laranjas … uma fatia de melancia preta … melão verde … couve flor … brócolos … morangos … cebolas … pimentos, amarelos, verdes, encarnados!!! … Batatas com peles de várias cores!!! Cores com vários tons!!!

Ai … os sabores… que nos provocam …. as cores!!!
Hummm de morango … baunilha… tutifruti…
Delicioso não é?
Mas … quem ansiaria por um gelado ou uma gelatina  de morango, ou tutifruti sem cor???
E a salada de fruta? E a salada russa?
Se não tivessem cor ... não tinham graça nenhuma!!! E decerto também não faziam crescer água na boca!!!
Vamos, com os olhos, comer cores??? Que tal um arroz doce bem fresquinho, branco … de leite!!! Ou, com ovos que gentilmente oferecem um suave tom amarelado ao nosso desejo???!!!

E as estações do ano?
Não se distinguem elas próprias também pela cor???
Na primavera… a rosa desperta…cor de rosa!!!
No verão …
Como seria o céu e o mar, se não existisse a cor azul?
É tão bom sonhar com o azul do mar…
Com os diferentes tons de azul na água do mar … na praia da Comporta!!!
Apetece-me recordar também a areia dourada da praia de Porto Santo…
Lembram-se das noites de Agosto???
Da água transparente na noite escura onde apenas reina uma lua cheia… branca ou amarelada!!!
E no outono???
As cores mudam … alguns dias vão estar cinzentos e frios … a noite regressa mais cedo, acompanhada pela escuridão, pelo vento … esse vadio sem cor!!!
Mas o Outono também tem outras cores bem mais interessantes e saborosas como as castanhas quentinhas … castanhas!!!
No inverno …
Se chover e fizer sol…algures vai acontecer uma magia indescritível …

Sabem qual é a magia???

É a do … arco-íris!!!



e no final tivemos boleima