Inscrições fechadas para a nova temporada 2019/2020

O Clube de Leitura em Voz Alta é agora Coro de Leitura em Voz Alta. Continua a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.


RCL - Rádio Clube de Leitura - 18.5 Alcochete

é oficial, o CLeVA vai estrear-se nas ondas hertzianas e a primeira emissão já tem data marcada. Será no próximo dia 18 de Maio de 2013, pelas 17h00 no Fórum Cultural de Alcochete.

Uma emissão de rádio ao vivo e a cores.


...e hoje começaram os ensaios









ainda houve tempo para falar do livro A Casa de papel de Carlos María Dominguez



e para um docinho

próxima sessão - 22 janeiro 2013

sessão de ensaios para o espectáculo final do CLeVA 3.0

Música


a Marília falou-nos do projecto wordsong e leu-nos um excerto do conto "Desenho" do livro "Água, cão, cavalo, cabeça" de Gonçalo M. Tavares

Alexandra, Cíntia, Fernando e Adília falaram-nos um pouco da história de Alcochete e da Banda da Sociedade Imparcial  15 de Janeiro de 1898


Hino da restauração do concelho de Alcochete

Povo, acorda p'rá glória
da nossa mãe e terra amada.
Leu e escreveu a vitória,
Alcochete restaurada.

És livre, és livre, portanto,
não há já que duvidar.
Haja riso cesse o pranto
e vamos todos a cantar.

Refrão

Povo irmão valente,
nobre povo e gente,
se queres morrer
herói e vencedor
abraça a união
e dá-lhe o coração,
que terás a glória e o amor.

Se mais tarde a tirania
nos quiser martirizar,
basta apenas este dia
para nos desafrontar.

E se lermos o passado
na história livro fiel,
veremos com D. Manuel
o nosso nome gravado.

Refrão

Povo irmão valente,
nobre povo e gente,
se queres morrer
herói e vencedor
abraça a união
e dá-lhe o coração,
que terás a glória e o amor.

Luís Cebola
Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 de Alcochete


(…) No imaginário colectivo dos alcochetanos ao longo de sucessivas gerações, até mesmo nos nossos dias, paira uma imagem nítida, quase real, das festas da Restauração, da agitação e do burburinho que se viveu na época, nas imagens recriadas mentalmente em que se vêm as iluminações dos archotes, as barricas a arder e até se consegue ouvir a música a tocar o Hino da Restauração. (…)

Cíntia Mendes


(…) A população do Concelho secundou a da Vila com o mesmo entusiasmo. Chorava-se de satisfação. Chorava-se de alegria.
Nas ruas pejadas de gente, abraçavam-se uns aos outros. A filarmónica, reunida à pressa, percorreu as ruas da Vila, no meio de muito povo, de muitos vivas, de muito fogo, tocando o “Hino da Restauração”esse hino que um alcochetano compôs, (João Baptista Nunes Júnior) e que todos nós alcochetanos sabemos cantar e sentir.
Ia, enfim, soar a hora da libertação!
- Duas semanas depois, no dia 30 de Janeiro, entrava solenemente nos seus Paços Municipais, o Arquivo do Concelho de Alcochete, não trazido por um simples oficial de diligências, mas sim pelas mãos fidalgas de D. António Pereira Coutinho, o primeiro presidente do Município restaurado.- Muito propositadamente o fora buscar em pessoa a Aldegalega, o ilustre Marquês de Soydos, com D. João Pereira Coutinho, António Luís Nunes e José Francisco Evangelista.
A população inteira, acompanhada pela filarmónica, esperou, fremente de alegria e comoção, à entrada do Concelho (...) – À noite não houve edifício público, não houve casa particular, rica ou pobre, grande ou pequena, que não iluminasse a sua fachada em sinal de regozijo. – E desta forma começaram as festas da “Restauração”. (...)
(…) Grande banquete na sala nobre do Palácio Pereira Coutinho, durante o qual a filarmónica executou vários trechos musicais, e finalmente, como fecho da festa, uma imponentíssima marcha luminosa, apoteose formidável, extranha faixa de luz, melhor, de fogo, alastradora, interminável, por toda a beira-rio, onde dezenas de barricas, alcatroadas, ardiam fantàsticamente. E, para tudo haver nessa marcha rubra de calor e frenesi, nem faltaram mãos delicadas de mulheres, sustentando, gentis e orgulhosas, clássicos e portuguesissimos archotes.
Assim terminaram, exuberantes de alegria e de nobreza, as grandes Festas da Restauração, consoladora recompensa de dois anos de martírio, estupenda manifestação de uma liberdade reconquistada.

José Grilo Evangelista
Restauração do Concelho de Alcochete - Exortação aos Novos,
In: Jornal A voz de Alcochete, Nº 7, Ano I, Janeiro de 1949


E agora algo completamente diferente


A história da moral

Você tem-me cavalgado,
seu safado!
Você tem-me cavalgado,
mas nem por isso me pôs
a pensar como você.

Que uma coisa pensa o cavalo;
outra quem está a montá-lo.

Alexandre O´Neill
Poesias Completas


Fernanda, Helena e Graciete leram-nos de Sérgio Godinho






Manuel  de Charles Baudelaire


A Música

A música p'ra mim tem seduções de oceano!
Quantas vezes procuro navegar,
Sobre um dorso brumoso, a vela a todo o pano,
Minha pálida estrela a demandar!

O peito saliente, os pulmões distendidos
Como o rijo velame d'um navio,
Intento desvendar os reinos escondidos
Sob o manto da noite escuro e frio;

Sinto vibrar em mim todas as comoções
D'um navio que sulca o vasto mar;
Chuvas temporais, ciclones, convulsões

Conseguem a minh'alma acalentar.
— Mas quando reina a paz, quando a bonança impera,
Que desespero horrivel me exaspera!

de "As Flores do Mal"
Tradução de Delfim Guimarães




a Conceição leu de Camilo Pessanha


Violoncelo

Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...
De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.
Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas, (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...
Trêmulos astros,
Soidões lacustres...
_ Lemes e mastros...
E os alabastros

Dos balaústres!
Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
_ Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.

de "Clepsidra"




a Eugénia leu um excerto de "O meu livro de música" de Chris de Sousa



a Antónia leu uma definição da palavra música



o Miguel leu-nos um soneto de Cecília Meireles do livro " Circulatura do quadrado"

Chuva


A chuva chove mansamente ... como um sono
Que tranquilize, pacifique, resserene ...
A chuva chove mansamente ... Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine ...

E vem-me o sonho de uma véspera solene,
Em certo paço, já sem data e já sem dono ...
Véspera triste como a noite, que envenene
A alma, evocando coisas líricas de outono ...

... Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha ...
Paço de imensos corredores espectrais,

Onde murmurem velhos órgãos árias mortas,
Enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
Revira in-fólios, cancioneiros e missais ...




a Cristina leu um excerto de "O chão que ela pisa" de Salman Rushdie


a Isabel leu de Vasco Graça Moura,

O suporte da música


o suporte da músicao suporte da música pode ser a relação
entre um homem e uma mulher, a pauta
dos seus gestos tocando-se, ou dos seus
olhares encontrando-se, ou das suas

vogais adivinhando-se abertas e recíprocas,
ou dos seus obscuros sinais de entendimento,
crescendo como trepadeiras entre eles.
o suporte da música pode ser uma apetência

dos seus ouvidos e do olfacto, de tudo o que se
ramifica entre os timbres, os perfumes,
mas é também um ritmo interior, uma parcela
do cosmos, e eles sabem-no, perpassando

por uns frágeis momentos, concentrado
num ponto minúsculo, intensamente luminoso,
que a música, desvendando-se, desdobra,
entre conhecimento e cúmplice harmonia.

de "Antologia dos Sessenta Anos"



a Helena leu um excerto de "O contrabaixo" de Patrick Suskind


o António leu

Chupa no dedo de Micaela

Quando eu te queria, tu rias de mim
Nem reparavas que eu tava crescendo

Agora queres mas eu digo assim
Chupa Chupa Chupa
Chupa no dedo

Quando eu queria ser mulher pra ti
Tu me disseste que era muito cedo

Agora queres mas eu digo assim
Chupa Chupa Chupa
Chupa no dedo

Quando eu queria que dissesses sim
Deste-me um não que até meteu medo

Agora queres mas eu digo assim
Chupa Chupa Chupa
Chupa no dedo

Quando eu te queria num amor sem fim
Tu me trataste, ai como um brinquedo

Agora queres mas eu digo assim
Chupa Chupa Chupa
Chupa no dedo

E hoje sou o teu nó na garganta,
A tua insónia, o teu desassossego

Agora queres mas sou eu quem manda
Chupa Chupa Chupa
Chupa no dedo

E hoje sou o teu nó na garganta,
A tua insónia, o teu desassossego


A Cristina trouxe o Anibaleitor de Rui Zink que logo de seguida passou para as mãos da Cíntia


e porque é Janeiro e o tema é a música, todos cantámos as Janeiras




e não poderíamos ter terminado de outra forma

Camões - sessão especial



Esta sessão especial do CLeVA realizou-se no Museu da Rádio e Televisão





















Muito obrigado à Rosário Vivaldo que tão bem nos guiou nesta visita.


O desafio era o seguinte:
os textos terão obrigatoriamente de ser preparados em grupo
não poderão ser propositadamente escritos para o tema
deverão ser apresentados como fossem um anúncio de rádio
não poderão exceder 1 minuto

aqui estão os resultados:

Graciete, Helena, Fernanda e Cristina



António, Cíntia, Anabela, Adília e Fernando



Eugénia e Antónia



Conceição e Manuel



Ana Paula, Ana Maria e Cristina



Helena e Miguel




próxima sessão - 15 dezembro - sessão especial

será o tema

atenção: 

a sessão realizar-se-á no Museu da Rádio, às 15h00

os textos terão obrigatoriamente de ser preparados em grupo
não poderão ser propositadamente escritos para o tema
deverão ser apresentados como fossem um anúncio de rádio
não poderão exceder 1 minuto

Magia



A Cristina começou por aconselhar a leitura do livro "A intuição leitora, a intenção narrativa" de Rodolfo Castro


Leituras do tema:

Cristina e Fernando
O jovem mágico de Mário Cesariny

O jovem mágico das mãos de ouro
que a remar não se cansa muito
e olha muito depressa (como se fosse de moto)
veio hoje ficar a minha casa

Vivia longe longe já se sabia
tão longe que era absurdo querer determinar
metade campo metade luz
aí era a sua casa o sítio onde era longe

mesmo de olhos fechados (como ele estava)
e de braços cruzados (como parecia dormir)
o jovem mágico das mãos de ouro
que era todo de empréstimo à minha noite

que falou por acaso que nem se chamava assim
(segundo também contou) tinha vivido há muito
ele, que estava ali, era um falsário
um fugido de outro basta ver os meus olhos

nada sabemos de nós a não ser que chegámos
sem uma luz a esconder-nos o rosto
belos e apavorados de estranhos casacos vestidos
altos de meter medo às aves de longo curso

nem há noites assim não há encontros
ao longo das enseadas
não há corpos amantes não há luzeiros de astros
sob tanto silêncio tão duradoura treva

e não me fales nunca eu sou surdo eu não te oiço
eu vou nascer feliz numa cidade futura
eu sei atravessar as fronteiras das coisas
olha para as minhas mãos que te pareço agora?

No entanto surgiu como simples criança
conseguia sorrir sentar-se verter águas
com as mãos na cintura livre natural
ele que era um fantasma um fugido de outro

um que nem mesmo se chamava assim
o jovem mágico das mãos de ouro
desaparecido nu de todos os sítios da terra


Cristina, Graciete, Helena e Fernanda

Introdução (Fernanda)
Falar de magia lança-nos de imediato para os truques dos mágicos, o fazer aparecer e desaparecer coisas ou pessoas, para a envolvência própria dos castelos e das fadas, para o fantástico que nos faz imaginar e, despertar, para outras vivências, outros mundos…
Goethe disse um dia: “Seja qual for o seu sonho, comece. Ousadia tem genialidade, poder e magia”
E é esta magia que nos faz vibrar, apreciar a vida, querer mais e mais para chegar mais longe!
Nós quisemos trazer-vos a magia de coisas variadas, perspetivada de um outro modo, a magia do dia, a magia da noite, a magia existente nos fenómenos da natureza, a magia que teima em vingar dentro de nós. A Magia existe em toda a parte, basta estarmos atentos!
E revendo poetas cientistas como António Gedeão e João Barbosa, procurámos alguns desses belos poemas onde se “vê” a interseção entre a poesia, a ciência e toda a sua magia.
Para começar, vamos ouvir o poema “Noite” de João Barbosa, dito pela Cristina:

NOITE

Quando o dia se faz noite
a luz desaparece?
Apenas adormece.

Põe-se o Sol no seu poente
mas tudo isso é aparente
pois, ao Sol, noutros países
brincam crianças felizes…

E quando o dia se faz noite
não é dia nem é noite
ou meia noite, meio dia,

são momentos de Poesia…

Isto eleva-nos a uma outra dimensão: a do mistério e/ou a da magia.
Selecionámos um poema ilustrativo dessas dimensões – pensamos nós – e que nos transporta à magia da evasão pessoal. O Poema é “Aurora Boreal” incluído no livro "Teatro do Mundo" de António Gedeão. Vamos ouvi-lo:

AURORA BOREAL

Tenho quarenta janelas
Nas paredes do meu quarto. ----------------- Helena
Sem vidros nem bambinelas
posso ver através delas
o mundo em que me reparto.
Por uma entra a luz do Sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas ----------------------- Graciete
que andam no céu a rolar.
Por esta entra a Via Láctea
como um vapor de algodão,
Por aquela a luz dos homens,
Pela outra a escuridão. ------------------- Cristina
Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza
que inunda de canto a canto.
Pela quadrada entra a esperança
de quatro lados iguais, ----------------- Helena
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.
Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala ---------------Fernanda
à semelhança das ondas.
Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa,
e o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio
a que se chama poesia,
e a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia, ----------------------- Graciete
e a viuvez, e a piedade,
e o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo,
todos os risos e choros
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra
nas minhas quatro paredes. ----------------- Helena

Oh janelas do meu quarto,
Quem vos pudesse rasgar!
Com tanta janela aberta
Falta-me a luz e o ar.

Continuando esta nossa visão daquilo que poderá ser a magia, vamos ouvir, uma vez mais a Cristina, mas desta vez com o poema “DIA” de João Barbosa:

DIA

Quando a noite se faz dia,
dizem que não é por magia.

Nasce o Sol no seu nascente
Mas tudo isso é aparente
- a Terra é que não dorme
no seu movimento uniforme.

Mas, digam o que disserem
Os livros d’astronomia,
Quando a noite se faz dia
E não é noite nem é dia

são momentos de Magia…






Miguel
brindou-nos com uma sessão de Mentalismo e com a ajuda de uma 'partnaire' fez-nos um Quadrado mágico


Ana Maria
Autêntica magia de Nuno Cardoso Dias



Ana Paula
excerto de "A luz é como a água" de Gabriel García Marquéz


Isabel
excerto de "Era uma vez natal outra vez" de Deolinda Pereira da Silva
de Era uma vez uma palavra mágica


Eugénia
excerto de "As fadas" de Antero de Quental


Alexandra, António, Adília e Anabela
iniciaram-nos na Magia celta com um excerto de "Magia Celta" de D.J. Conway




Antónia

Hoje não estou preparada,
não trouxe nada para vos ler,
por favor, fechem os olhos.
Não me viram desaparecer?


Helena
excerto de "O Rei do Monte Brasil"
de Ana Cristina Silva


e foi também a Helena que nos trouxe 'o livro do dia', neste caso 'os livros do dia'


de Manuel Bandeira, "Vou-me embora pra Pasárgada"
ilustrado com o poema do mesmo nome:


Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.



e de António Gedeão, "Poesias completas"
com excertos de:

Sou assim

Transcendente.
Sobre-humano.
Oh feliz de quem entende,
de quem busca e surpreende
os pontos, a recta e o plano!

Um pobre homenzinho ignaro,
com os pés colados ao mundo,
olha o alto e olha o fundo,
consegue ver tudo claro.

Deus te abençoe, meu amigo.
Deus te dê o que desejas.
Que palpes, que oiças, que vejas
o sonho que anda contigo.

Todo claro é escuro em mim.
Não tenho asas nem rabo.
Não sou Anjo nem Diabo.
Sou assim.

de Calçada de carricheLágrima de Preta e de Poema para Galileu



como não podia deixar de ser acabámos a comer e a beber

felizmente ninguém se magoou 



próxima sessão - 4 dezembro

será o tema



será responsável pelo livro do dia

Mudar de vida



já várias vezes nos tinha visitado, mas hoje declarou oficialmente querer ser membro do clube
Reiki Francisco

A Cristina começou por apresentar o livro do dia

Uma história da leitura de Alberto Manguel

e do Alberto Manguel passou naturalmente para o Jorge Luís Borges e acabámos a fazer um exercício com uma citação de Ficções, precisamente de Jorge Luis Borges e várias de Barranco de Cegos e Ensaio sobre a cegueira de Alves Redol e José Saramago, respectivamente.



O medo cega.

Gradualmente, o formoso universo foi-o abandonando; uma teimosa neblina confundiu-lhe as linhas da mão, a noite despovoou-se de estrelas, a terra era insegura sob os seus pés. Tudo se afastava e confundia. Quando soube que estava a ficar cego, gritou

O medo cega.

Uns emigram, outros pedem esmola, outros rebocam cegos por feiras e estradas (…) No fundo estão cegos todos, e, mais ainda, os que vão adiante; esses acabam por atirar com os outros para o barranco, como disse S. Mateus. (…)

O medo cega.

-O medo cega... são palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos,

O medo cega.

o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos.

O medo cega.

“Deixai-os; cegos são e condutores de cegos; e se um cego guia a outro cego, ambos vêm a cair no barranco.
S. Mateus”

O medo cega.

A cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança.

O medo cega.

Quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira.

O medo cega.

É que vocês não sabem, não o podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos.

O medo cega.

Costuma-se até dizer que não há cegueiras, mas cegos, quando a experiência dos tempos não tem feito outra coisa que dizer-nos que não há cegos, mas cegueiras.

O medo cega.

-Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.

e ainda a propósito




e passámos às leitura:

Cíntia, Adília e Anabela
Trans-Género-Humano de Pedro de Freitas


Cristina, Fernanda, Helena e Graciete
Excertos de "Entre dois mundos" de Pedro d´Orey da Cunha


Introdução:
Mudar de vida conduz-nos a mil e uma direções: mudar de profissão, mudar de terra, mudar de país, mudar de sexo, mudar de guerra, mudar de atitudes, mudar de língua, mudar de nome, mudar de partido, mudar de religião, mudar de …
Viver entre dois mundos pode acontecer mesmo ao nosso lado, na nossa cidade, na nossa rua, na nossa casa… Os dramas do quotidiano são muitas vezes - como dizia Pedro d’Orey -  “…uma realidade possível, um homem sensível, angustiado pela apatia, pela  indiferença, pela  incapacidade de quantos olham e não veem (…) quantas crianças, quantos jovens, quantos pais, quantas mães, não vivem entre dois mundos, buscando sentido onde, por  vezes, só há alienação” 
E nós? Será que continuamos indiferentes, incapazes de ver esses dilemas? O stress domina todos aqueles que correm atrás de um futuro e não se apercebem daquilo que se passa no nosso presente, no nosso dia a dia.
 Os problemas que aqui vos trazemos são retirados do livro ENTRE DOIS MUNDOS que é dividido em capítulos: A Família; a Escola; Entre a Escola e o Trabalho; Condenados: pelos médicos; pelos professores; pelo patrão e pelos companheiros. Este livro é de Pedro d’Orey da Cunha que foi Chefe de Gabinete do Ministro da Educação entre 1987 e 1989, e exerceu o cargo de Psicólogo Conselheiro de Orientação Escolar e Profissional nos Estados Unidos, sendo um grande defensor e dinamizador  da integração das minorias – e narra  histórias reais, daqueles que deixam o seu país para irem viver no estrangeiro, com todos os problemas inerentes à adaptação a um novo país, a uma nova língua e a uma nova cultura, à  vivência diária nesse  país que adotaram, quer  dos jovens quer de seus pais mas também no sentido inverso, daqueles que tentam “compreender” os estrangeiros ou que - simplesmente -  os julgam face à sua cultura . 
Os anos -  que esses emigrantes passam nesses países -  vão interferir nos seus hábitos, nas suas culturas e até na sua própria linguagem e, é essa aculturação que faz com que o seu léxico se transforme e seja uma adaptação - tantas vezes – das duas línguas. É assim que dizem estoa em vez de store, cela para cellar que significa cave, barrum em vez de bar room que é a taberna, entre muitas outras que vão sendo substituídas por um termo intermédio.
Vamos pois ouvir três dessas histórias: em 1º lugar a Helena vai apresentar-vos “Bonito” história 29, (pág.103) que pertence ao capítulo A Escola; e em seguida, a Fernanda  apresenta-vos “Contente” história 60 ( pág. )incluída no capítulo dos condenados, aqui condenado pelos professores; e, por fim  a Cristina  apresenta-vos “Liberdade” história 6 (pág.43)  incluída no capítulo “A Família”.



Eugénia
Excerto do conto "A invenção do tempo" de Mário Domingues, do Magazine Bertrand de 1928


Ana Maria
Não me sinto mudar de Pablo Neruda

Não me sinto mudar. Ontem eu era o mesmo.
O tempo passa lento sobre os meus entusiasmos
cada dia mais raros são os meus cepticismos,
nunca fui vítima sequer de um pequeno orgasmo

mental que derrubasse a canção dos meus dias
que rompesse as minhas dúvidas que apagasse o meu nome.
Não mudei. É um pouco mais de melancolia,
um pouco de tédio que me deram os homens.

Não mudei. Não mudo. O meu pai está muito velho.

As roseiras florescem, as mulheres partem
cada dia há mais meninas para cada conselho
para cada cansaço para cada bondade.

Por isso continuo o mesmo. Nas sepulturas antigas
os vermes raivosos desfazem a dor,
todos os homens pedem de mais para amanhã
eu não peço nada nem um pouco de mundo.

Mas num dia amargo, num dia distante
sentirei a raiva de não estender as mãos
de não erguer as asas da renovação.

Será talvez um pouco mais de melancolia
mas na certeza da crise tardia
farei uma primavera para o meu coração.

de Cadernos de Temuco
Tradução de Albano Martins


Marília
Excerto de "O pastor amoroso" de Alberto Caeiro

O pastor amoroso perdeu o cajado,
E as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
E, de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe para tocar.
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu... Nunca mais encontrou o cajado.
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo:
Os grandes vales cheios dos mesmos vários verdes de sempre,
As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem,
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor, uma liberdade no peito.



Fernando
Ninguém se mexa! Mãos ao ar! de Alexandre O´Neill

«Ninguém se mexa! Mãos ao ar!», disse o histérico
e frívolo homenzinho com mais medo
da arma que empunhava que de nós.
«Mãos ao ar!», repetiu para convencer-se.

Mas ninguém se mexeu, como ele queria...
Deu-lhe então a maldade. Quase à toa,
escaqueirou o espelho biselado
que tinha as Boas Festas da gerência

escritas a sabão. Todos baixámos,
medrosos, a cabeça. Se era um louco,
melhor deixá-lo. (O barman escondera-se
por detrás do balcão). Ali estivemos
um ror de medo, até que o rabioso
virou a arma à boca e disparou.

Alexandre O'Neill
de Poesias Completas



Ana Paula
Excerto de "Memórias das minhas putas tristes" de Gabriel García Márquez



Miguel
Os pobrezinhos de António Lobo Antunes

Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.
 Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria:
 - Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da minha Teresinha.
 O plural de pobre não era «pobres». O plural de pobre era «esta gente». No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, uma bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre. Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:
 - Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.
 Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto
(- Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro)
de forma de deletéria e irresponsável. O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico
 - Agora veja lá, não gaste tudo em vinho
 o atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo:
 - Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeo
 Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros
 - O que é que o menino quer, esta gente é assim
 e eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.
 Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse
 - Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar
 e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.
 Na minha ideia o padre Cruz e a Saõzinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado «Almanaque da Sãozinha», se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso.
 Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis.



Alexandra
falou-nos de como os livros de auto-ajuda mudaram a sua vida



e no final da noite, como ninguém fazia anos, fizemos uma festa com crumble de maçã e bolo de especiarias, acompanhados de porto e moscatel.
Brindámos ao CLeVA.











próxima sessão - 20 novembro

será o tema

será o responsável pelo livro do dia

Fidelidade (texto dramático)



Antónia
A traição do Tibério


O Tibério Malaquias
Querendo passar uns três dias
Com uma conquista qualquer
Chega a casa e entre afectos
A postos com seus projectos
Diz assim para a mulher:

Eu amanhã vou caçar
Vou uns três dias passar
Por entre matas espessas
Prepara-me o cinturão
A espingarda mais o cão
Chama-me cedo não esqueças

Logo ao romper da manhã
Sai o nosso Don Juan
Feliz cantando raias
Antevendo mil delicias
Gozar as ternas caricias
Da sua caça de saias

Finda a caçada mistério
Regressa ao lar o Tibério
Com seu cão de dois narizes
Trazendo no cinturão
Dois coelhos e um faisão
Uma lebre e dez perdizes

A mulher ao vê-lo entrar
Muito irado e a gritar
Com esta frase o desarma
Esta agora é que tem graça
Como é que mataste a caça
Se tu nem levaste a arma

O Tibério até corou
Porém não se desmanchou
E respondeu muito a custo
É que eu ao notar a falta
Gritei à caça em voz alta
E a caça morreu de susto.



Miguel Cantiga de harmonia conjugal
do livro Fala da criada dos Noailles que no fim de contas vamos descobrir chamar-se também Séverine numa noite do Inverno 1975 em Hyères 
de Jorge Silva Melo


Ana Vieira
excerto de "Agora a Sério"
de Tom Stoppard


Ana Brandão
excerto de "Frida e a casa azul: Quatro peças em um acto"
de José Jorge Letria


Fernando
excerto de "Alta Fidelidade"
tradução Maria Augusta Júdice

As minhas cinco namoradas mais memoráveis de todos os tempos, que levaria para uma ilha deserta, por ordem cronológica: 

1) Alison Ashworth 
2) Penny Hardwick 
3) Jackie Allen . 
4) Charlie Nicholson 
5) Sarah Kendrew. 

Estas foram as que doeram mais. Vês o teu nome na lista, Laura? Acho que tu até entrarias no top das dez mais, mas não há lugar para ti no top das cinco mais; esses lugares estão reservados para o tipo de humilhações e corações destroçados que tu muito simplesmente és incapaz de provocar. É provável que isto soe mais cruel do que eu desejaria, mas a verdade é que somos velhos demais para fazer a vida negra um ao outro, e isso é uma coisa boa, e não uma coisa má, portanto não consideres um fracasso o facto de não entrares na lista. Esse tempo passou, que se lixe; naquela altura, a infelicidade significava alguma coisa. Agora é só uma chatice, como uma constipação  ou não ter dinheiro. Se querias mesmo fazer-me mal, devias ter vindo mais cedo. 


Eugénia Egas Moniz
Excerto de Terra Lusa
de Teresa Leitão de Barros




Texto explicativo da peça:
Esta peça de Molière data do século XVII e foi uma das suas grandes batalhas,   pois para a conseguir pôr em cena, ele tentava ter apoio real para que a sua peça conseguisse vingar uma vez que atacava fortemente o clero e as aparências em que viviam os padres . O próprio Louis XIV aconselhava Molière a não se meter com o clero e chegou mesmo a dizer-lhe “Não irrite os devotos. São gente implacável”.
Basta referir que do momento da sua criação à sua representação decorreram cinco anos, entre 1664 e 1669.
Esta adaptação de Tartufo foi apresentada em 1969 em Madrid e a 1ªversão portuguesa foi estreada pela Companhia de Raul Solnado em 25 de Janeiro de 1972, no Teatro Villaret, em Lisboa.
Trata-se de uma comédia em cinco atos - que no seu original é em verso -  e  critica a sociedade da época, sobretudo o clero, daí  a dificuldade de ser posta em cena.


Sinopse:
Orgon, recolhe Tartufo, um falso devoto, que o domina sob a aparência de um religioso, cheio de qualidades morais. Apesar de todos os moradores da casa de Orgon lhe dizerem que Tartufo é um impostor, ele não acredita e idolatra-o  cada vez mais. Como seu filho Damis detesta e contesta, furiosamente, Tartufo, o pai expulsa-o de casa e transfere os seus bens para Tartufo, e dá-lhe a gerência dos seus negócios, pois pensa casá-lo com a sua filha Mariana. Tudo continua até ao dia em que a sua mulher Elmira o faz testemunhar, escondido, a falsidade de Tartufo. Desiludido, expulsa-o de casa mas Tartufo diz-lhe que quem vai sair não é ele pois agora é ele  o dono. Mais tarde, Tartufo aparece com um agente da polícia e pede que este cumpra o seu dever mas o agente prende-o a ele, afirmando que há muito o seguiam, no entanto, nunca tinham conseguido provas para o apanharem. Assim, todos ficam felizes e em casa regressando a harmonia inicial ao lar.
 Na peça de Tartufo há vários tipos de FIDELIDADE: de Orgon ao seu suposto amigo Tartufo; de Mariana ao seu amor Valério; de Dorina a sua prima Mariana; de Elmira a seu marido Orgon; de Cleante a seu cunhado Orgon; de Cleante a sua irmã Elmira ; de Damis a seu pai Orgon, entre outros.
 Vamos então ler-vos uma passagem da peça, as cenas V,VI e VII, do Quarto Ato, onde Elmira dialoga com Tartufo preparando-lhe uma armadilha sob o olhar atento de Orgon que se encontra escondido. Orgon sai do seu esconderijo, furioso, e expulsa Tartufo de casa mas algo vai mudar…

Personagens:
Narrador - Cristina;
Tartufo – Fernanda;
Elmira – Graciete;
Orgon – Helena






Manuel e Conceição
Fidelidade de Catarina Portela adaptado por Manuel Aguiar


Helena Nogueira
Excerto de "Piaf, nossa senhora da agonia" de José Jorge Letria
do livro "Mataram o Che e outras peças"


Marília
Excerto de "Cinza às cinzas" de Harold Pinter
de Teatro II


António, Cíntia, Anabela, Alexandra e Adília
Excerto de "Há tanto tempo" de Harold Pinter
de Teatro I


Ana Paula
Excerto de "Marley e eu" de John Grogan


a Ana Paula trouxe-nos "ir e vir" de Isabel Minhós Martins, ilustrado por Bernardo Carvalho


e por fim a Cíntia e a Ana Brandão foram escolhidas para um exercício com um excerto de "Os anjinhos" de Rui Zink