Inscrições fechadas para a nova temporada 2019/2020

O Clube de Leitura em Voz Alta é agora Coro de Leitura em Voz Alta. Continua a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.


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2012.06.05 - Aventura


João
Aristides de Sousa Mendes - Um Herói Português (excerto)
de José Alain Fralon

Helena Nogueira
Novos contos da montanha (excerto do conto "Fronteira")
de Miguel Torga

Rita
O macaco gramático (excerto)
de Octavio Paz

Anabela
O diário de um mago (excerto)
de Paulo Coelho

Alexandra
Palavra que Voa
de João Pedro Mésseder
ilustrações de Gémeo Luís

Fernando
A mama - O espelho atormentado
de Russell Edson

Luís
Eu tenho um sonho
A autobiografia de Martin Luther King (excerto)
de Clayborne Carson


Ana Brandão
Aventura
de sua autoria

Qualquer história de vida se transforma numa aventura como se fosse uma viagem que todos temos que fazer, uma viagem pelo nosso interior ou uma viagem pela literatura nos leva através de um labirinto para vários recantos. É então que começamos a olhar para aquilo que nos acontece como desafios à nossa coragem – com isto não quero dizer que todos tenhamos que ser heróis – apenas, que todos temos que fazer a viagem, que todos temos que viver a nossa aventura, onde partilhamos, recebemos e acreditamos que seremos capazes de encontrar a saída do labirinto.

Miguel
A casa grande de Romarigães (excerto também incluído no livro de Miguel Boieiro "As plantas, nossas irmãs")
de Aquilino Ribeiro

Cíntia
A última viagem de Colombo
de Martin Dugard

António
Ode Marítima (excerto)
de Álvaro de Campos

Conceição e Manuel Aguiar
Uma aventura no reino do coelhinho
de sua autoria

ELA – «Uma Aventura no Reino do Coelhinho».
ELE – Era uma vez…
ELA – Assim começam todas as histórias de encantar.
ELE – E… como não podíamos fugir à regra, esta história      também começa por… Era uma vez.
ELA – Num reino, não muito distante…
ELE – Com vista para o mar…
ELA – Com sol e belas praias…
ELE – E encantadoras sereias espraiando-se no Verão.
ELA – Os coelhinhos iam vivendo alegres e contentes.
ELE – Com sorrisos fascinantes de orelha a orelha.
ELA – Com uma alegria e um viver…
ELE – De provocar inveja aos reinos vizinhos…
ELA – Pois claro… Bons tachos e boas mordomias…
ELE – Só podem gerar cobiças e ciúmes.
ELA – Vai daí…
ELE – Os caçadores vieram como abutres.
ELA – Atacaram pela calada…
ELE – E… Zás… Catrapus…
ELA – Vieram chupar o sangue fresco da manada…
ELE – Os vampiros são mesmo assim…
ELA – Pobres coelhinhos…
ELE – A comida começou a faltar…
ELA – Não chegava para todos…
ELE – Uns fartaram-se de viver…
ELA – Aniquilaram-se…
ELE - Suicidaram-se… 
ELA – O Sol deixou de brilhar para muitos…
ELE – A alegria de outrora…
ELA – Definhava-se… definhava-se…
ELE – Os sorrisos de orelha a orelha…
ELA – Deram lugar às expressões macambúzias…
ELE – O pai coelho, cioso do seu reino, começou a andar preocupado.
ELA – Então… pensou… pensou…
ELE – A cabeça já estava a tornar-se num melão.
ELA – Foi então que uma ideia brilhante…
ELE – Resplandeceu na sua mente…
ELA – É que…
ELE – Parecendo que não…
ELA – Os coelhos também têm ideias luminosas!
ELE – Meus caros coelhinhos!
ELA – Podereis procurar comidinha nos reinos vizinhos!
ELE – Como sabeis… A comidinha neste reino está a escassear…
ELA – A que existe é só para filhos…
ELE – E afilhados!
ELA – Além de que…
ELE – Podereis ser perigosos…
ELA – Sabeis de mais…
ELE – E podereis provocar distúrbios…
ELA – O que não convém nada para a paz no reino…
ELE – Sendo assim… vamos também nós para outro reino.
ELA – Então somos forçados a terminar a nossa história.
ELE – Adeus… e que o Sol brilhe para todos!


O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry por Helena Barros

Cândida
leu um texto de sua autoria a partir de um outro de Enid Blyton

Adília
Inês da minha alma (excertos)
de Isabel Allende

Antónia
O castelo de Carter (excerto)
de Wilbur Wright

Marília
Onde vivem os monstros
de Maurice Sendak


Ana Paula
A estrada para o Gabão de "Tournée"
de Gonçalo Cadilhe


Helena Barros
Ulisses
de Maria Alberta Menéres

José Luís
O Principezinho
de Antoine de Saint-Exupéry

Cristina
Caminante...
de Antonio Machado

como "quase" sempre acabámos a comer

desta vez a Cristina aventurou-se a fazer brigadeiros

faltavam cromos à caderneta:





CLeVA 3.0 - o início

bem-vindos!


o Paulo, o António e a Helena Machado, fizeram a passagem do testemunho aos novos membros

O Paulo leu-nos um excerto das "Metamorfoses" de Ovídio, Os Gigantes; começa assim:

Nem o alto éter seria mais seguro que a terra, pois consta que os Gigantes quiseram apoderar-se do reino celeste, e, para chegarem até aos astros, colocaram montanhas umas sobre as outras...

de seguida a Cristina leu-nos um excerto de "Como um Romance" de Daniel Pennac

Pois é...
O desaparecimento da leitura em voz alta é muito estranho. O que teria Dostoievski pensado disto? E Flaubert? Já não há o direito de colocar as palavras na boca antes de as meter na cabeça? Já não há ouvidos? Já não há música? Já não há saliva? As palavras já não sabem a nada? O que é que se passa? Não declamou Flaubert a sua Bovary em altos gritos, até furar os tímpanos? Não estará ele definitivamente melhor colocado do que qualquer outro para saber que a compreensão do texto passa pelo som das palavras, de onde deriva todo o seu sentido? Não saberia ele como ninguém, ele que tanto lutou contra a música intempestiva das sílabas, contra a tirania das cadências, que o sentido se pronuncia? Então? Textos mudos para puros espíritos? Rabelais, ajuda-me! Flaubert, Dosto, Kafka, Dickens, acudam-me! Gigantescos anunciadores de sentido, venham cá! Venham soprar nos nossos livros! As palavras precisam de corpo! Os nossos livros precisam de ter vida!

e nada melhor para conhecermos as vozes de todos do que limpar palavras

O Limpa-Palavras

Limpo palavras.
Recolho-as à noite, por todo o lado:
a palavra bosque, a palavra casa, a palavra flor.
Trato delas durante o dia
enquanto sonho acordado.
A palavra solidão faz-me companhia.

Quase todas as palavras
precisam de ser limpas e acariciadas:
a palavra céu, a palavra nuvem, a palavra mar.
Algumas têm mesmo de ser lavadas,
é preciso raspar-lhes a sujidade dos dias
e do mau uso.
Muitas chegam doentes,
outras simplesmente gastas, estafadas,
dobradas pelo peso das coisas
que trazem às costas.

A palavra pedra pesa como uma pedra.
A palavra rosa espalha o perfume no ar.
A palavra árvore tem folhas, ramos altos.
Podes descansar à sombra dela.
A palavra gato espeta as unhas no tapete.
A palavra pássaro abre as asas para voar.
A palavra coração não pára de bater.
Ouve-se a palavra canção.
A palavra vento levanta os papeis no ar
e é preciso fechá-la na arrecadação.

No fim de tudo voltam os olhos para a luz
e vão para longe,
leves palavras voadoras
sem nada que as prenda à terra,
outra vez nascidas pela minha mão:
a palavra estrela, a palavra ilha, a palavra pão.

A palavra obrigado agradece-me.
As outras não.
A palavra adeus despede-se.
As outras já lá vão, belas palavras lisas
e lavadas como seixos do rio:
a palavra ciúme, a palavra raiva, a palavra frio.

Vão à procura de quem as queira dizer,
de mais palavras e de novos sentidos.
Basta estenderes a mão para apanhares
a palavra barco ou a palavra amor.

Limpo palavras.
A palavra búzio, a palavra lua, a palavra palavra.
Recolho-as à noite, trato delas durante o dia.
A palavra fogão cozinha o meu jantar.
A palavra brisa refresca-me.
A palavra solidão faz-me companhia.

Álvaro Magalhães
de O Limpa-Palavras e Outros Poemas


e aqui fica a caderneta de cromos da 3ª edição do Clube de Leitura em Voz Alta de Alcochete:







































dia 22 de maio, 1ª sessão do 3º CLeVA

é já na próxima terça-feira, dia 22 de maio, pelas 20h30 que iniciaremos a terceira edição do