A partir de Outubro de 2017, ao entrar no seu 8º ano de existência, o Clube de Leitura em Voz Alta passou a Coro de Leitura em Voz Alta. Continua a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.

18 janeiro 2011 - viagens



Numa noite carregadinha de novidades (espalhadas pelos outros posts) e em que o Rodrigo nos fez uma surpresa, viajámos do nosso poiso habitual para o canto acolhedor da televisão... mas não a ligámos! Quem precisa de TV para viajar quando se tem uma mão cheia de livros para ler!?


Destino: América do Sul; Amazonia
Isabel Allende - A Cidade dos Deuses Selvagens (Helena M.)

Destino: Ásia; Índia
Arundathi Roy - O Deus das Pequenas Coisas (Helena P.)

Destino: América do Sul; Porto Seguro
Pero Vaz de Caminha - Carta a D. Manuel sobre o descobrimento das terras de Vera Cruz (António)

Destino: Ásia
Fernão Mendes Pinto - Peregrinação (Mila, Helena Ramos e Virgínia)
O Estúdio Raposa gravou 12 capítulos de uma versão reduzida da peregrinação - por Aquilino Ribeiro - que podem ser ouvidos aqui.

Destino: O centro da terra (com escala na Islândia)
Júlio Verne - Viagem ao Centro da Terra (Daniel)


Bolhos (cá em casa há quem goste de descer ao coração da Terra)
 Destino: Algures no Próximo Oriente
Carl Norac e Carll Cneut - Um Segredo para Crescer (Alexandra F.)

Destino: A nossa viagem pessoal
Isabel Leal - A realidade já não é o que era (Cecília)

Destino: Solidariedade
Isabel Wolmar - História da Gatinha Miau Miau (Xana)

Aqui a página da Abrigo no FB. Quem quiser pode encomendar o livro à Xana! Os direitos revertem a favor desta Associação.

Destino: América do Norte e uma viagem extracorporea
Michael Grosso - A construção da Alma (Ana Rita)

Destino: S. Tomé e Principe, as ilhas mal tratadas
Miguel Sousa Tavares - Sul (João)

Destino: Algures no pacífico
Júlio Verne - A Ilha Misteriosa (Rodrigo)

Destino: Santarém
Almeida Garrett - Viagens na Minha Terra (Augusto)

Destino: Desconhecido
Sérgio Godinho - Fugitivo (Fernando)

Fugitivo

Um homem corre na noite

é uma imagem banal
podia ser em Madrid
ou Johanesburgo, ou em S. Paulo
ou Budapeste, Nova Iorque
ou Hollywood
ou é claro em Portugal
um homem corre na noite
é uma imagem banal

Porque foge? De onde vem?
porque olha para trás inquietado?
será soldado? vagabundo?
criminoso? ratoneiro?
será apenas o primeiro
dos que vão fugir com ele?
foge p´ra salvar a pele
só a sua? a pele dos outros?
a pele clara ou a escura?
quanto tempo vai durar a sua fuga?
quanto dura? o que espera?
o que espera o homem- fera
se chegar a quem o espera?
alguém o quer? alguém se acende
alguém o chora?
alguém por quem ele chorou
chorará por ele agora?
alguém que nunca o trairá
e se sim, onde será?

Um homem luta contra o sangue
que derrama
e diz: valeu a pena?

Que os barcos
voltem a subir o Guadiana
vindos de longe
do mar

Que os barcos
voltem a subir o Guadiana
descarregando à passagem
todo o trigo
que o cavalo esbaforido
chegue à relva, sua cama
que o fugitivo
encontre seu porto de abrigo

Um homem corre na noite
é uma imagem banal
esgueirado de holofotes
com a estrada que atravessa
se confunde
com o breu o seu corpo
se confunde
e se passa num muro branco
fica branco como a cal
tal e qual
o camaleão
é uma imagem banal

Um homem luta contra o sangue
que derrama
em que cama
terá ele o seu repouso?
está ansioso? e como não?
não estaria quem pisasse
um desconhecido chão?
não estaria de garganta afogueada
quem por nada
assim fugisse?
quem por tudo suplicasse
dai-me forças, dá-te forças
a ti próprio te confias
dá-te alento, dá-te tempo
dá-te dias
sobrevive de agonias
respirando sobrevives
sobrevive

Um homem vive
contra o sangue
que derrama
e diz: vale a pena?

Que os barcos
voltem a subir o Guadiana ...

Um homem corre na noite
é uma imagem banal
porque insiste? porque teima?
não há pânico na rua
não há fogo no quintal
labaredas? só nas camas
dos amantes
já distantes
chegam ruídos, utopias
quanto vale uma utopia?
vale tudo? quanto vale?
um homem corre na noite
é uma imagem banal

O que fez o fugitivo? porque corre?
se está vivo é porque morre
se morrer é porque o matam
se o matarem ,será justo?
inocentes são os culpados de outros crimes
de que culpa?
de paixão? de inconsciência?
será justo ou não será
desbaratar a inocência
tão a custo conquistada?
porque corre o fugitivo nessa estrada?

E agora para para agora
o homem para
para agora para agora
será que sente que chegou a sua hora?

É impossível
não é possível
correr tanto
e pensar tão
lucidamente
o coração
não aguenta
a cabeça também não
porque tenta
ultrapassar os seus limites?
provavelmente
é por vontade de viver
(quente quente ...)
que ultrapassa os seus limites
«Estamos quites!»
diz para o seu coração
«Ainda não, ainda não ...
sentes que valeu a pena?
se te obrigam a fugir
mais te obrigam
a chegar junto de ti
valeu a pena?»

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