Com uma periodicidade quinzenal, este clube destina-se a promover o prazer da leitura partilhada, bem como o desenvolvimento de algumas técnicas que a ajudem a pôr em prática.
Para quem gosta de ler para os outros e de ouvir ler.

boas festas

mais fotos de André Kertész com pessoas a ler aqui e aqui

mais fotos de Steve McCurry de pessoas a ler, aqui

A minha Terra



Esta noite a festa foi diferente e foi maior. Convidámos os membros dos antigos Clubes de Leitura e juntámos-nos todos. Saímos da Biblioteca mas trouxemos os livros connosco. Fomos muitíssimo bem recebidos na IN.fusão de Sabores. Comemos, bebemos, lemos e porque o natal está à porta, trocámos prendas (livros).

Para o ano há mais.


a Eduarda trouxe-nos "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago como livro do dia


mais um pouco da festa


Somos prisioneiros de guerra. Os nossos sonhos foram medicados. Não pertencemos a lugar nenhum. Velejamos sem âncora por mares revoltos. Podemos nunca ter licença para aportar. As nossas dores nunca serão suficientemente tristes. As nossas alegrias nunca suficientemente felizes. Os nossos sonhos nunca suficientemente grandes. As nossas vidas nunca suficientemente importantes. Para importarem. 
Vamos imaginar que a terra - 4600 milhões de anos de idade – era uma mulher de 46 anos. A Mulher Terra. Toda a sua vida de Mulher-Terra foi dedicada a fazer da terra o que ela é hoje. Dividiu os Oceanos. Fez as montanhas emergir. A Mulher-Terra tinha 11 anos quando surgiram os primeiros organismos unicelulares. Os primeiros animais, criaturas como os vermes e as acalefas, só surgiram quando ela tinha 40 anos. E tinha mais de 45 anos – só há 8 meses – quando os dinossauros deambulavam pela Terra. Toda a civilização humana tal como a conhecemos, começou apenas há duas horas na vida da Mulher-Terra. Portanto, toda a história contemporânea, as guerras mundiais, a guerra dos sonhos, o homem na lua, a ciência, a literatura, a filosofia, a busca do conhecimento, mais não são do que uma piscadela de olho da Mulher-Terra. E nós, tudo o que somos e seremos, é um lampejo nos seus olhos. 
Mais tarde, à luz de tudo o que aconteceu, lampejo parecia uma palavra completamente errada para descrever a expressão nos olhos da Mulher-Terra. Lampejo era uma palavra com rebordos ondulantes e felizes. 

Arundhati Roy de O Deus das pequenas coisas

próxima sessão | 6 Dezembro 2016

será o tema das leituras

será responsável pelo livro do dia

Espaço




Esta sessão do CLEVA dedicada ao tema ESPAÇO começou com notícias sobre o espectáculo de teatro do Grupo de Teatro Comunitário da Casa da Achada a que assistimos no Liceu Camões. Esse trabalho revelou-nos uma forma corajosa e simples de trabalhar a leitura em voz alta. A não perder.
Ainda passámos a seguir pela conversa sobre promoção da Leitura, nos Dias do Desassossego, onde a Cristina foi convidada a participar em nome da Andante.
Depois ouvimos a história La noche en que las letras se liberaron de Pep Duran e da sua livraria, o livreiro e contador de histórias catalão. Apesar da pronúncia, ouvimos o texto em espanhol, tal como estava escrito no livro "Palavras por la lectura".
Os exercício práticos recaíram desta vez sobre a espacialidade e sobre a propagação do som da voz. Partimos do poema de Nuno Júdice:

Semiologia


Digo: o amor. Há palavras que parecem sólidas,
ao contrário de outras que se desfazem nos dedos.
Solidão. Ou ainda: medo. As palavras, podemos
escolhê-las, metê-las dentro do poema como
se fosse uma caixa. Mas não escondê-las. Elas
ficam no ar, invisíveis, como se não precisassem
dos sons com que as dizemos.

A partir daqui tentámos construir uma linha musical com palavras libertadas no espaço pela nossa voz, e tentámos dominar o nosso movimento usando apenas a audição de um som previamente definido.

Depois tivemos direito a leituras verdadeiramente entusiasmantes sobre o tema:
Cada vez mais este grupo elabora as suas prestações, as trabalha, as prepara, para nos surpreender, para nos conquistar, ganhando consciência das dificuldades e dos objectivos a atingir.
 as leituras passaram por:
A máquina do mundo e Poema do homem só de António Gedeão;
Uma noite caiu uma estrela de David Machado e Paulo Galindro;
Diário mínimo de Umberto Eco;
Liberdade e A fada Oriana de Sophia de Mello Breyner Andresen


a Isabel trouxe-nos Os transparentes de Ondjaki como livro do dia

O último texto que ouvimos foi o do livro do dia: Os transparentes de Ondjaki. O único senão é que já estávamos todos conquistados antes, este é um livro excepcional. Agradecemos à Isabel por nos lembrar.

E comemos e bebemos e rimos e conversámos e ...

próxima sessão | 22 Novembro 2016

será o tema das leituras


a Isabel será responsável pelo livro do dia

Costura




Com um tema destes foram muitas as linhas e panos que vieram a esta sessão; até tivemos direito a um desfile de alta... leitura.
Começámos como sempre pela "agenda cultural" e regressámos aos direitos inalienáveis do leitor de Daniel Pennac mas desta vez para brincar com eles. Experimentámos com eles as dificuldades das leituras em grupo: coros e canons. As dificuldades da simultaneidade: como ir a tempo sem tornar numa melopeia sem sentido e desinteressante aquilo que o coro está a dizer. As dificuldades de criar uma música com as palavras, sendo a de cada um diferente da do parceiro e mesmo assim inteligível e interessante. Como ouvir os outros sem perder a nossa voz.

Começaram então as leituras sobre o tema da sessão:

foram lidos excertos de:
Alinhas? de Margarida Teodora Trindade e Alexandra Sirgado
O tecido do diabo de Michel Pastoureau
A casa do fim de José Riço Direitinho
O alfaiate do Panamá de John Le Carré
A liberdade de pátio de Mário de Carvalho
As viagens de Gulliver de Jonathan Swift
Edwin Abbott Abbott - Flatland 
Tereza Coelho e Maria Conceição Avillez - A moda em Portugal nos últimos 30 anos
O patusco de Mário-Henrique Leiria de Novos contos do gin
e ainda Caladryl e Não di noité di dia, de Adília Lopes, respectivamente de Manhã e Obra

em dia de eleições nos EUA
a Cristina trouxe "Notas sobre um país grande" de Bill Bryson como livro do dia.
Expressámos os nossos medos mas com esperança de que não se concretizassem. Não foi o caso.
Aí temos o monstro à solta.


E terminámos com um desfile de alta leitura e uma festa de comida e bebida e conversa. Na verdade, a festa da comida e da bebida (era S. Martinho) começou logo no início da sessão. Tornou tudo muito mais animado e descontraído.

Mar (com humor)



Este grupo novo do CLEVA só nos traz alegrias e riso à desfilada. Nesta sessão houve quem chorasse... de rir; houve quem trajasse a preceito para seduzir o diabo; houve quem entortasse as palavras de tal maneira que até entraram "halifantes", houve redacções sobre para onde os pais olham e as mães não gostam, houve sotaques, houve senhoras a fazer xixi no mar, e mais e mais, enfim, uma noite memorável. Mas antes disso tudo, cantámos. E em cima das canções dissemos poemas. E trabalhámos muito o nosso sentido crítico. Ah, é verdade, e depois houve um repasto de se lhe tirar o chapéu. Este clube promete!

Aqui ficam os autores e obras lidas nesta sessão:

Ruy Belo, "Na praia" de "Todos os poemas"
Jorge Amado, excerto de "Mar morto"
Gil Vicente, excerto de "Auto da Barca do Inferno"
Luís de Sttau Monteiro, "Ontem na praia" de "Redacções da Guidinha"
Afonso Cruz, excerto de "Mar - Enciclopédia da Estória Universal"
Mia Couto, excerto de  "O jardim marinho" de "Cronicando"
Frederico Pombares e Henrique Dias, excerto de "É como diz o outro"
Russell Edson, "A mensagem" de "O espelho atormentado"
Manuel Alegre, excerto de "Cão como nós"
Rui Zink, "Amanhã chegam as águas" de "A palavra mágica"
Herman Melville, excerto de Moby Dick


a Oriana trouxe-nos "Romance de Amadis" de Afonso Lopes Vieira

próxima sessão | 25 Outubro 2016

será o tema da próxima sessão

*****ATENÇÃO*****

os textos terão de ser humorísticos

será responsável pelo livro do dia


Porta aberta


Nesta 2ª sessão começámos o trabalho prático de abordagem, ainda que superficial, a algumas técnicas de leitura em voz alta - respiração, descontração, projecção de voz. 

Ainda sobre este tema, falámos do livro A INTUIÇÃO LEITORA, A INTENÇÃO NARRATIVA de Rodolfo Castro

A Cristina iniciou a ronda de leituras falando primeiro de um conjunto de projectos de promoção da leitura em situações onde quase todas as portas parecem fechadas e onde a leitura se apresenta como uma possibilidade de chave para essas portas. É o caso dos projectos: 

- LEITURA FURIOSA - A Associação Cardan, sediada na cidade de Amiens (Picardia), organiza a Leitura Furiosa desde 1992 e desde então acontece em várias cidades europeias simultaneamente. É um encontro de pessoas zangadas com a leitura com escritores, permitindo que as primeiras possam acompanhar o processo de criação de um texto.

 - A POESIA NÃO TEM GRADES - Projecto de Filipe Lopes de promoção da leitura, realizado dentro de prisões com o objectivo de promover a experimentação artística e assim contribuir para o desenvolvimento intelectual e pessoal daquela população.

 - MEDIAÇÃO LEITORA EM CONTEXTO PRISIONAL - Projecto de Miguel Horta com a Laredo Associação que já há muitos anos desenvolve projectos de promoção da leitura em continuidade, dentro das prisões.

Falou-se ainda de uma série de projectos desenvolvidos nestas áreas pelos técnicos que trabalham nas prisões: edição de livros, edição de revistas literárias, oficinas de escrita, bibliotecas prisionais, etc. 

E começaram as leituras do dia: 

A Cristina leu de Nazim Hikmet, "Angina Pectoris", poema inserido na antologia de Egito Gonçalves, A PALAVRA INTERDITA; a Alexandra leu um pequeno excerto de um conto de Ondjaki "Padre Inácio, o mata anjos" do livro MOMENTOS DE AQUI; voltámos à poesia com a Ana que, de Miguel Cardoso, leu um excerto do poema "Então passou o tempo" do livro VÍVERES; a Eduarda leu um excerto de DESUMANIZAÇÃO de Valter Hugo Mãe; a Oriana leu um excerto do SENHOR DOS ANÉIS de J. R. R. Tolkien; a Manuela Loja leu de José Rentes de Carvalho, um excerto de O MEÇAS; a Isabel leu o início de AFRODITE de Isabel Allende numa brincadeira dengosa e colorida; o Avelino trouxe-nos o ADMIRÁVEL MUNDO NOVO de Aldous Huxley; o Fernando leu um poema de Miguel Manso, "A falha do Tejo" do livro POESIA, UM DIA, POETAS EM RÓDÃO, um projecto de Vila Velha de Ródão de que nos falou um pouco; a Marina trouxe de Emma Donoghue, um excerto do livro O QUARTO DE JACK; a Rosalina leu de Sapphire, PRECIOUS - A FORÇA DE UMA MULHER que talvez conheçamos melhor do filme que ganhou o Óscar em Hollywood; a Neuza trouxe a porta aberta de ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS, a menina de Lewis Carroll, que preferia manter-se de olhos fechados para sonhar melhor. E no final, tivemos uma convidada. A Leo, veio para ver se gostava, nós esperamos que sim, e trouxe um excerto de um conto de Saki com o nome exacto do tema: "Porta aberta". O conto pertence ao livro GATO INDISCRETO E OUTROS CONTOS




a Alexandra trouxe
Eu e os Políticos - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje - O livro proibido - de José António Saraiva

Finalmente bebemos e comemos... e conversámos.

próxima sessão | 11 Outubro 2016

será o tema das leituras

será a responsável pelo Livro do Dia

CLeVA 7 - Início



"Recomeça, se puderes sem angústia e sem pressa.."

Este início do poema Sísifo de Miguel Torga, podia ser o mote para esta nova edição do CLeVA.

Um novo grupo de pessoas a reunir-se quinzenalmente em Alcochete para partilhar leituras; um novo grupo de amigos.

Começámos, como sempre, por explicar o funcionamento deste sui generis Clube de Leitura: regras , técnicas, horários, locais, sessões abertas ao público, bibliografia, agenda cultural, etc.
Como é normal num primeiro encontro, apresentámo-nos. Depois de nos conhecermos um pouco melhor (vamos aprendendo os nomes aos poucos e a reconhecermo-nos) passámos à proposta de leitura: poesia para crianças.

Uma mesa repleta de livros de poesia para a infância. Cada um escolheu o seu livro e desse livro escolheu um poema e leu-o em voz alta. Ficámos assim a conhecer também a voz de cada um.

o Fernando apresentou o livro do dia
Instruções para salvar o mundo de Rosa Montero


E no final houve festa, claro: doces e moscatel marcaram as conversas finais e a despedidas.

Nesta primeira sessão fomos poucos: de 23 inscritos, estávamos 13. Esperamos que as próximas sessões nos tragam quem faltou nesta.

Aqui ficam os rostos dos presentes nesta primeira sessão:

vamos aprender os nomes?

O que é, como funciona e regras básicas



O que é o CLeVA?
Clube de Leitura em Voz Alta de Alcochete.
Um grupo de pessoas que se reúne quinzenalmente, na Biblioteca de Alcochete, para ler em voz alta.
É dinamizado pela Andante Associação Artística (Cristina Paiva e Fernando Ladeira).
O grupo de inscritos para cada temporada encontra-se quinzenalmente (às terças-feiras) durante nove meses e é normalmente um grupo de 20 a 25 pessoas, muito heterogéneo, nas idades, nos interesses, nas profissões.

Como funciona?
Para cada sessão há um tema para as leituras. Os temas são escolhidos pelos participantes na primeira sessão e postos dentro de um saquinho. No final de cada sessão é sorteado o tema de leitura da próxima. Sobre esse tema cada pessoa escolhe um texto curto (máx. 3 minutos) que prepara para ler em voz alta para todo o grupo.

Só isto?
Basicamente, sim. Mas, claro, não é só isto. As pessoas têm que se expor. Mostrar de que livros gostam, de que autores, se têm boa voz ou não, boa articulação, se é eficaz a sua leitura. E vamos fazendo alguns exercícios, trabalhando algumas técnicas para melhorar estas competências.
Mas as “malhas” que seguram um grupo e o fazem evoluir, são muitas e variadas. Mais do que um grupo de leitores, somos um grupo de amigos. Preocupamo-nos uns com os outros, organizamos actividades fora da biblioteca e dos horários normais, emprestamos livros uns aos outros, damos a conhecer autores que prezamos, por vezes até fazemos apresentações públicas. E também... bolos. Sim, gostamos muito de comer e beber e conviver. Fazemos disso um hábito tão bom como ler.
O CLeVA é um espaço de liberdade, um escape às amarguras do dia a dia, um lugar onde se podem criar laços... Quando alguém pensa que não pode ir à sessão porque não se sente muito bem, deve ultrapassar esse primeiro instinto e vir, pois aqui deixamos à porta as tristezas e durante 90 minutos esquecemos o resto.

O que se vê de fora?
O CLeVA tem uma ferramenta preciosa: este blogue:
http://a-ler-em-voz-alta.blogspot.pt/
Aqui registamos tudo o que se passa nas sessões, deixamos sugestões, textos, autores, vídeos, fotos.

Regras básicas para os participantes?
- escolham textos curtos (máx. 3 minutos)
- vão à literatura (poesia e prosa) e deixem de fora a auto-ajuda e os “livrinhos de capa cor-de-rosa”
- as leituras terão de ser feitas a partir dos livros e não de textos retirados da internet
- cada um deve trabalhar bem a sua leitura antes de a apresentar ao grupo, de forma a causar maior impacto
- tentem sempre surpreender, quer através dos textos escolhidos, quer através da forma como os apresentam aos outros

Estão abertas as inscrições para a 7ª temporada do CLeVA

(só para novos membros)

A primeira sessão será no dia 27 de Setembro e a última em Junho de 2017.

Decorrerá na Biblioteca de Alcochete, quinzenalmente, às terças-feiras entre as 20h30 e as 23h00

Poderá inscrever-se na Biblioteca de Alcochete ou por email para andante@andante.com.pt

Festa é festa!



A última sessão desta edição do CLeVA tinha um tema bastante sugestivo: FESTA É FESTA. Para complicar um pouquinho as pesquisas, a Cristina pediu que se trouxessem textos escritos já neste século. Para além do coro de protestos pelas dificuldades de encontrar os textos também houve o prazer da descoberta de novos livros e autores. Foi ainda uma sessão muito festiva porque vieram muitos convidados assistir e ler connosco. E claro, no final houve "pão de ló molhado em malvasia", uma grande festa para celebrar o prazer que estes encontros nos têm proporcionado. Aqui ficam os autores e obras lidas nesta sessão:

Ondjaki - Os da minha rua - A piscina do tio Victor e excerto de Os transparentes
José Luís Peixoto - Abraço - As chamas a crepitar na lareira
Nuno Cardoso Dias - Alice através do Mercado - excerto
Alice Vieira - Um livro com cheiro a baunilha - Cantilena muito aguda
Helena Sacadura Cabral - O amor é difícil - excerto
Manuel Alegre - Poesia e prosa - Canção do tempo que passa 
Vicente Alves do Ó - Kiss me - excerto
Donna Wool Folk - A Papisa Joana - excerto
Paulo Varela Gomes - Ouro e cinza - Morrer com um touro 
Matilde Campilho - Jóquei - Um coração que mora dentro do olho do jaguar
António Manuel Venda - Os sonhos e outras perigosas embirrações - excerto
José Niza - Festa da vida 
David Mitchell - Cloud Atlas - excerto
João de Melo - As coisas da alma - O vinho
Amadeu Alves e Reginaldo Souza - As ganhadeiras de Itapuã 
Parábola do filho pródigo - excerto - Biblia

em Setembro estaremos de volta

próxima sessão - última da temporada | 21 Junho 2016

será o tema das leituras
***ATENÇÃO***
os textos terão de ser sido escritos no séc. XXI

Parece mentira




Com um tema destes, a sessão começou com uma rodada de mentiras. Detectar sinais físicos e comportamentais nos outros quando dizem algo que é verdade ou mentira, foi a proposta de jogo da Cristina. Foi bastante divertido assistir ao trabalho de máscara que cada um compõe, que cada um imagina que é a mais convincente para os outros. 

Depois passámos aos profissionais da mentira, aos dramaturgos, uma vez que a proposta do tema vinha acompanhada com a referência de que os textos escolhidos deveriam ser teatrais: Manuel António Pina (O inventão), Gil Vicente (Auto da barca do inferno), Gabriel Bosco (Uma criada moderna), Yasmina Reza (Arte), Mário de Carvalho (Se perguntarem por mim não estou), Bernard Shaw (Pigmalião), Eugène Ionesco (O rinoceronte), António Patrício (Pedro, o cru), Sófocles (Antígona), Almeida Garrett (Falar verdade a mentir) e António Gedeão (A história breve da lua). Ainda tivemos textos não teatrais adaptados pelos leitores: (Pinóquio) de Carlo Collodi e (Antigamente) de Luísa Ducla Soares

a Mila falou-nos um pouco de Katherine Pancol,  autora até agora desconhecida para si,
e leu-nos um excerto de "Amamos como nos amaram"
Foi uma sessão divertidíssima e que acabou em festa como é costume.

próxima sessão | 10 Maio 2016

será o tema das leituras
***ATENÇÃO***
os textos terão de ser "Teatro"

a Mila lerá um autor para si desconhecido

eu vi um sapo



Com um tema destes e com textos escritos por mulheres, esperava-nos uma noite aliciante e seguramente divertida. E assim aconteceu. Começámos por ouvir os sapos, ou seja, as vozes dos sapos. A Cristina propôs que ouvíssemos como soa a voz dos animais nos diferentes países, ou melhor, como os humanos dizem e escrevem as vozes dos animais. Algumas formas são realmente surpreendentes. Aqui e aqui podem ver e ouvir algumas.

Depois ainda brincámos todos com o trava-línguas de Luísa Costa Gomes

Papo de vento,

Se o papa papasse papa
Se o papa papasse pão o
papa papava tudo seria o
papa papão. O sapo dentro
do saco, o saco com sapo
dentro, o sapo batendo papo
e o papo soltando vento.
Se o papa visse esse sapo
Batendo papo de vento
Dizia salta para o saco ou papo-
te o papo a seco. O papo de
vento não! Grita o sapo no
sacão. Sapo papo papo-pão,
papo saco sapo-pão. Quem
bate papo de vento papando
papa de sapo. Acaba dentro
do saco papado pelo papão.

Luísa Costa Gomes de "Trava-Línguas"

De seguida desfilaram os textos sobre o tema da noite:
As autoras: Sophia de Mello Breyner Andresen, o poema "Esta gente"  e um excerto do conto "O homem"; Matilde Rosa Araújo, o poema "Felicidade" e um excerto do conto "História de uma flor", onde se ouviu a voz do sapo feita por um instrumento que foi tocado por mãos valiosas e sábias, as mãos da Aida, uma visita muito especial desta noite; Clara Pinto Correia, da sua história infantil "O sapo Francisquinho"; Violeta Figueiredo, o poema "O sapo e o Caçapo"; Clara Ferreira Alves com um excerto da crónica "Love online"; Joanne Harris com um excerto do conto "Irmã feia" e Isabel Allende com o excerto do conto "Boca de sapo". Houve ainda um poema feito e lido pela Antónia "Eu vi um sapo" e um poema popular adaptado por um homem "Canção da Princesa" de Andrade e Silva retirado de um disco de vinil dos anos 70.

Era a vez da Cristina Alves nos falar de um autor para si desconhecido. Contou-nos como tentou ler as "Cinquenta sombras de Grey" e não conseguiu. Pensando que tinha algum problema com o género, decidiu tirar as teimas com um clássico. Assim, dedicou as leituras de verão a Henry Miller, e ficou rendida. Não só não tem problemas com o género, como se entusiasmou bastante com "Trópico de Câncer".


Como sempre acabámos a comer e a beber.

próxima sessão | 26 Abril 2016

será o tema das leituras
***ATENÇÃO***
os textos terão de ter sido escritos por mulheres

a Cristina lerá um autor para si desconhecido

Labirinto



Esta sessão do CLEVA foi subordinada ao tema Labirinto, um tema restringido a textos poéticos.

Começámos por ouvir falar do mito grego onde se conta a história de um monstro, o Minotauro, filho de uma mulher (Parsifae, esposa de Minos, rei de Creta) e de um touro oferecido por Poseidon, encerrado numa construção labiríntica idealizada pelo arquitecto Dédalo, que era alimentado a jovens virgens vindas de Atenas. E de como Teseu, filho de Egeu, rei de Atenas, o herói da história, mata o monstro e regressa vivo do labirinto seguindo o fio de Ariadne (filha de Minos e Parsifae, irmã do Minotauro) por quem se apaixonou.

A forma como os poetas e os seus leitores se apropriam destas palavras, Minotauro, Labirinto, Fio de Ariadne, e o sentido que daí retiram são múltiplas e muito variadas. As escolhas desta noite recaíram todas sobre autores portugueses. À excepção de uma: o poema "Labirinto" de Jorge Luis Borges. Aliás este autor e o seu "Poema dos Dons" é o mote para o belíssimo poema de José Mário Silva "ainda um outro poema dos dons" que também ouvimos. Ouvimos poemas de Jorge de Sena "Em Creta com o Minotauro", José Régio "Cântico Negro", David Mourão-Ferreira "Labirinto ou não foi nada", Mário de Sá-Carneiro "Dispersão", Eugénio de Andrade "Labirinto ou alguns lugares de amor", Sophia de Mello Breyner Andresen "Epidauro" e "Maria Helena Vieira da Silva ou o itinerário inelutável", Camões "Cá nesta Babilónia...", Manuel Gusmão "No labirinto das imagens — o que falta para serem um filme", Nuno Moura "Agora escreve-se assim", Nuno Júdice "Confissão" e "Labirinto", José Luís Peixoto "Na hora de pôr a mesa", Júlio Dinis "As nuvens" e Alberto Pimenta; dois poemas do livro "Tomai Isto é o meu Porco".

Ainda houve tempo para rirmos até às lágrimas com a Eugénia Casadinho que nos trouxe um livro de José Carlos Barros "Um amigo para o Inverno", um autor que anda a descobrir. Ficámos todos com vontade de descobrir esta obra que fala do nosso Portugal e da nossa história recente numa aldeia minhota: um espectáculo de teatro na paróquia, uma bebedeira, os inspectores da Pide à perna, e por aí fora.

No final comemos e bebemos e cantámos duas vezes os parabéns: à Alexandra Ferreira e à Virgínia.

próxima sessão | 22 Março 2016

será o tema das leituras
***ATENÇÃO***
os textos terão de ser poesia

a Eugénia lerá um autor para si desconhecido

penso nisso todos os dias



Começámos esta sessão por anunciar o nascimento de mais um clube de leitura em voz alta: CLEIO - Clube de leitura oral. Nasce na Biblioteca da Sertã, na sequência das maratonas de leitura ali realizadas e usando um pouco as estratégias usadas no nosso clube. Muito os há-de ajudar o trabalho do João Duarte Victor sobre o CLeVA  onde estão registadas as sessões do último ano. 

Anunciámos depois a estreia do nosso novo espectáculo para dia 7 de Maio, às 21.30h no Fórum Municipal de Alcochete: "Aleatório - concerto de palavras". Passámos ainda pelo humor do livro "Todos os dias são meus" de Ana Saragoça

O tema da noite: "Penso nisso todos os dias", pareceu complicado a várias pessoas mas todos acabaram por encontrar alguma "obsessão" ou mania diária que encontraram na literatura e que trouxeram para nos divertir, uma vez que um dos requisitos para os textos escolhidos é que fossem humorísticos. A lista dos autores lidos é impressionante: Werner Holzwarth e Wolf Erlbruch e "A toupeira que queria saber quem lhe fizera aquilo na cabeça" lido pela Marília, pela Inês e pelo Martim; Ricardo Araújo Pereira e a "Esperança Gramatical", uma das "Novíssimas Crónicas da Boca do Inferno" lido pela Olívia; a Vitória trouxe-nos um excerto de "Terapia" de David Lodge; a Mila trouxe duas Fábulas de Henrique O'Neill; o grupo da Cristina, Graciete, Lena Barros e Ana Brandão leram textos de Rui Zink retirados do seu "Luto pela Felicidade dos Portugueses"; A Cristina leu "Ginásio", uma crónica de Pedro Mexia; a Eugénia, a Rosa e a Antónia Batalha leram um texto de Luís Fernando Veríssimo retirado do livro "O analista de Bagé"; a Ana Maria Vieira não larga o "Pantaleão e as Visitadoras" de Mário Vargas Llosa e trouxe mais um excerto; ouvimos uma das "Redacções da Guidinha" de Luís de Sttau Monteiro pela Lena Pinto e Virgínia; a Alexandra Ferreira não cantou mas trouxe uma canção de de Mallu Magalhães intitulada "Velha e louca"; a Gabriela Postulache lembrou Umberto Eco, que nos deixou aos 84 anos, com um excerto de "O Pêndulo de Foucault"; o Fernando voltou a uma das suas obsessões, o autor Russell Edson, desta vez um texto com um nome sugestivo: "A mama"; a Maria Abelha trouxe um excerto de "O diário de um fumador" de David Sedaris e por fim, a Celina trouxe-nos Miguel Esteves Cardoso com uma crónica hilariante sobre o sono dos portugueses retirada do livro "Os meus problemas".

a Graciete falou-nos de um autor que acabou de descobrir; Armando Silva Carvalho

 No final houve várias "obsessões" para alegrar: chocolate, bolos, licores e chá.

Formar o “leitor público”: contributos do teatro para o desenvolvimento da leitura em voz alta

já está disponível para todos a dissertação de mestrado
que o João Duarte Victor fez sobre o nosso CLeVA.


Pode ser lida neste link: http://hdl.handle.net/10400.21/5655

próxima sessão | 23 Fevereiro 2016

será o tema das leituras
***ATENÇÃO***
os textos terão de ser humorísticos

a Graciete lerá um autor para si desconhecido

Correspondências



Antes de entrarmos nas leituras do tema do dia assistimos à exposição da tese do João Duarte Victor sobre o CLEVA, bem como o vídeo que a acompanhou. Foi emocionante assistir em conjunto àquilo que tem sido este clube de leitura: relembrar momentos e pessoas, ver tratado academicamente e de forma tão generosa aquele que tem sido o trabalho da Andante com a comunidade em Alcochete.

Depois deste banho emocional, foi entregue pela senhora vereadora da cultura, Raquel Prazeres, uma lembrança da Câmara Municipal de Alcochete à Andante pelo trabalho desenvolvido nas comemorações dos 500 anos do Foral de Alcochete. Houve também um "diploma" de participação para os membros do CLEVA que colaboraram no espectáculo "À barca!", realizado em Janeiro de 2015 para as ditas comemorações.

Entrámos finalmente no tema do dia: CORRESPONDÊNCIAS.

No fim da sessão podia-se dizer que Fernando Pessoa era o grande vencedor da noite. A sua correspondência com Ofélia Queiroz e não só e ainda um romance de Sónia Louro (Fernando Pessoa O romance, ed. Saída de Emergência) onde as suas cartas são citadas.
Para além de Pessoa, tivemos correspondência de: Florbela Espanca, Eça de Queiroz (uma carta a Oliveira Martins e outra de Fradique Mendes a Guerra Junqueiro), Pero Vaz de Caminha (a maravilhosa Carta do Achamento do Brasil), Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena (a troca acutilante de cartas entre os dois poetas que foi editada pela Ed. Guerra e Paz), Ana Bacalhau ( a vocalista dos Deolinda que escreveu uma carta à avó, incluída no livro 21 Cartas de Amor, editado pela Associação Abraço) e Marta Gautier (excerto do romance Tanto que não te disse, editado pela Relógio D'Água). Houve ainda um poema de António Ramos Rosa, Telegrama, lido de forma entusiasmante pela Gabriela Postolache. Estes foram os autores portugueses. Dos estrangeiros, ouvimos: James Long ( um excerto do romance "Ferney" da ed. Planeta), Ian McEwan (um excerto de A Balada de Adam Henry, editado pela Gradiva), Susanna Tamaro (excerto de O fogo e o vento editado pela Presença) e Mario Vargas Llosa (um excerto do hilariante Pantaleão e as visitadoras, editado pela Dom Quixote).

A nossa "Feira do Livro Emprestado" vai de vento em popa e claro, acabámos como sempre: a comer e a beber.

Como a pessoa encarregue da rubrica "Autor desconhecido", neste caso a Graciete Correia, não pode estar presente, a Cristina falou de uma autora que nunca tinha lido: Elena Ferrante. O sucesso editorial de 2014 e 2015, o número elevado de leitores entusiastas, o mistério que envolve a autora (sabe-se muito pouco sobre a sua vida, não dá entrevistas e não aparece em público na divulgação dos seus romances), os críticos literários rendidos à sua forma de escrita, enfim, são muitas as razões que despertam a nossa curiosidade. Na biblioteca de Alcochete há dois livros seus e a Cristina requisitou logo "Os dias do abandono" que já está a ler e a adorar!!!