A partir de Outubro de 2017, ao entrar no seu 8º ano de existência, o Clube de Leitura em Voz Alta passou a Coro de Leitura em Voz Alta. Continua a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.

10 março 2011 - humor II

Rir em Equipa

Isto hoje esteve agitado! O humor começou com o filme "a porta fechada"... mas afinal havia outra (porta). Conseguimos deixar três sítios a postos para o clube (ou seja... podemos franchisar isto e abrir mais dois!) e depois de virar e revirar mesas, pôr e tirar sofás, lá se conseguiu dar início à sessão.

Isabel e João



A recriação do Nelo e da Idália em "Ponte Vasco da Gama"

Nelo: Sempre a corrigir, parece que é parda! sempre a corrigir, eu sou uma pessoa
especializada em ler na vertical percebe, eu sou uma pessoa artística, sou uma pessoa
aérea, não sou como você, que vai às letras todas ver o que lá tá escrito, eu não, estúpida,
sou uma pessoa que não, não conto as bolachas de água e sal cada vez que vai ao pacote.

Idália: Olha eu pelo menos, vou ao pacote, tomo decisões, não sou como certas
pessoas, que não vão, nem saem de cima.

Mariana e Cecília



Arrasaram, com a versão "Acordo Ortográfico 2010" da história do Capuchinho Vermelho.

Tás a ver uma dama com um gorro vermelho? Yah, essa cena! A pita foi obrigada pela kota dela a ir à toca da velha levar umas cenas, pq a velha tava a bater mal, tázaver? E então disse-lhe:
- Ouve, nem te passes! Népia dessa cena de ires pelo refundido das árvores, que salta-te um meco marado dos cornos para a frente e depois tenho a bófia à cola!
Pá, a pita enfia a carapuça e vai na descontra pela estrada, mas a toca da velha era bué longe, e a pita enfiou-se pelo bosque. Népia de mitra, na boa e tal, curtindo o som do iPod...
É então que, ouve lá, salta um baita dog marado, todo chinado e bué ugly mêmo, que vira-se pa ela e grita:
- Yoo, tá td? Dd tc?
- Tásse... do gueto alí! E tu... tásse? - disse a pita
- Yah! E atão, q se faz?
- Seca, man! Vou levar o pacote à velha que mora ao fundo da track, que tá kuma moka do camano!
- Marado, marado!... Bute ripar uma até lá?
- Epá, má onda, tázaver? A minha cota não curte dessas cenas e põe-me de pildra se me cata...
- Dasse, a cota não tá aqui, dama! Bute ripar até à casa da tua velha, até te dou avanço, só naquela da curtição. Sem guita ao barulho nem nada.
- Yah prontes, na boa. Vais levar um baile katéte passas!!!
E lá riparam. Só que o dog enfiou-se por um short no meio do mato e chegou à toca da velha na maior, com bué avanço, tázaver?
Manda um toque na porta, a velha 'quem é e o camano' e ele 'ah e tal, e não sei quê, que eu sou a pita do gorro vermelho, e na na na...'. A velha abre a porta e PIMBA, o dog papa-a toda... Mas mesmo, abre a bocarra e o camano e até chuchou os dedos...
O mano chega, vai ao móvel da velha, saca uma shirt assim mêmo à velha que a meca tinha lá, mete uns glasses na tromba e enfia-se no VL... o gajo tava bué abichanado mêmo, mas a larica era muita e a pita era à maneira, tásaver?
A pita chega, e tal, e malha na porta da velha.
- Basa aí cá pa dentro! - grita o dog.
- Yo velhita, tásse?
- Tásse e tal, cuma moca do camâno... mas na boa...
- Toma esta cena, pa mamares-te toda aí...
- Bacano, pa ver se trato esta cena.
- Pá, mica uma cena: pa ké esses baita olhos, man?
- Pá, pa micar melhor a cena, tázaver?
- Yah, yah... E os abanos, bué da bigs, pa ke é?
- Pá, pa poder controlar melhor a cena à volta, tázaver?
- Yah, bacano... e essa cremalheira toda janada e bué big?
- Pa que é a cena?
- É PA CHINAR ESSE CORPO TODO!!! GRRRRRRRR!!!!
E o dog manda-se à pita, naquela mêmo de a engolir, né? Só que a pita dá-lhe à brava na capoeira e saca um back-kick mesmo directo aos tomates do man e basa porta fora! Vai pela rua aos berros e tal, o dog vem atrás e dá-lhe um ganda-baite, pimba, mêmo nas nalgas, e quando vai para engolir a gaja, aparece um meco daqueles que corta as cenas cum serrote, saca de machado e afinfa-lhe mêmo nos cornos. O dog kinou logo alí, o mano china a belly do dog e saca de lá a velha toda cheia da nhanha.
Ina man, a malta a gregoriar-se toda!!!
E prontes, já tá...


António e Helena



Um excerto da "meditação na pastelaria" de Alexandre O'Neill

Por favor, Madame, tire as patas,
Por favor, as patas do seu cão
De cima da mesa, que a gerência
Agradece.

Nunca se sabe quando começa a insolência!
Que tempo este, meu Deus, uma senhora
Está sempre em perigo e o perigo
Em cada rua, em cada olhar,
Em cada sorriso ou gesto
De boa educação!

A inspecção irónica das pernas,
Eis o que os homens sabem oferecer-nos,
Inspecção demorada e ascendente,
Acompanhada de assobios
E de sorrisos que se abrem e se fecham
Procurando uma fresta, uma fraqueza
Qualquer da nossa parte...

*

Mas uma senhora é uma senhora.
Só vê a malícia quem a tem.
Uma senhora passa
E ladrar é o seu dever – se tanto for preciso!

Alex, Xana, Ana Rita e Helena



"Zero" de Alberto Pimenta

HR
deixou
AJ
deixou cair
HR
deixou cair o quê?
XJ
deixou cair o que tinha na mão.
HR
deixou cair o que tinha na mão e?
XJ
deixou cair o que tinha na mão e caiu morto


TODAS
ah ah! deixou cair o que tinha na mão e caiu morto!


XF
não tinha
AR
não tinha o quê?
XF
não tinha nada na mão.
AR
não tinha nada na mão?
XF
não tinha nada na mão quando caiu morto.


TODAS
ah ah! não tinha nada na mão quando caiu morto!


HR
não tinha
XJ
não tinha o quê?
HR
não tinha onde cair morto.
XJ
não tinha onde cair morto?
HR
não tinha onde cair morto e caiu morto na mesma.


TODAS
ah ah! não tinha onde cair morto e caiu morto na mesma!


XF
deixou cair o que tinha na mão e caiu morto.
AR
não tinha nada na mão quando caiu morto.
HR
não tinha onde cair morto e caiu morto na mesma.


XJ
o que tinha na mão e
XJ
não tinha nada na mão
XJ
não tinha onde
XJ
e caiu


TODAS – XJ
na mesma?


AR
o que tinha na mão e
AR
não tinha nada
AR
não tinha onde
AR
e caiu


XF
o que tinha
HR
não tinha nada
AR
não tinha onde
XJ
e


HR
tinha
XF
tinha não
AR
não tinha


HR+XF+XJ
tinha


AR
não tinha


HR+XF+XJ
tinha


TODAS
ah ah

O nosso "ensaio drive-in: é para 4, se faz favor!"




E o resultado final



Rodrigo


Epílogo

João e Fernando
José Sesinando
Obra Ântuma

Entrevista – Tipo

ou
Como desencorajar entrevistadores



P. - Diga-me: que pensa do cinema português?
R. - A essa pergunta não posso deixar de responder com a maior clareza.

P. - Muito bem. E o teatro?
R. Mutatis mutandis, a minha resposta é a mesma.

P. Quer dizer-nos o que pensa acerca da renovação dos valores no cinema?
R. Quero.

P. E nas outras artes?
R. Também

P. Acha que o cinema sonoro é mais artístico do que o mudo?
R. Depende: para os surdos, o cinema sonoro é mudo.

P. E entre René Clair e Eisenstein, qual escolhe?
R. Com certeza.

P. Gosta dos primeiros filmes de cow-boys do Ford?
R. De quantos cavalos?

P. Qual lhe parece ter maior valor expressivo – o teatro ou o cinema?
R. Sim.

P. Acha fundamental e difícil a função do operador, a quem incumbe gravar as imagens das estrelas
na película virgem?
R. Impressionar uma virgem é sempre fácil.

P. E a montagem?
R. Não seja malcriado.

P. Quando vai ver um filme português, do que gosta mais?
R. Dos intervalos.

P. Qual dos irmãos Marx prefere?
R. O Karl.

P. Queira dizer o nome de um grande vulto do cinema.
R. O Jacques.

P. Tati?
R. Tou bem, obrigado

Virgínia e Paulo



Berthold Brecht
Dificuldade de Governar

Aqui dito por Mário Viegas

Dificuldade de governar


1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
como é difícil governar. Sem os ministros
o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
se o chanceler não fosse tão inteligente.
Sem o ministro da Propaganda
mais nenhuma mulher podia ficar grávida.
Sem o ministro da Guerra nunca mais haveria guerra.
E atrever-se-ia a nascer o sol
sem autorização do Fuhrer?
Não é nada provável e, se o fosse,
nasceria por certo fora do lugar.

2
É também difícil, ao que nos é dito,
dirigir uma fábrica. Sem o patrão
as paredes cairiam
e as máquinas enchiam-se de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
ele nunca chegaria ao campo sem
as palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
senão ele, lhes poderia falar na existência de arados?
E que seria da propriedade rural sem o lavrador?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio
onde já havia batatas.

3
Se governar fosse fácil
não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos
como o do Fuhrer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
e se o camponês soubesse distinguir um campo
de uma forma para tortas,
não haveria necessidade de patrões
nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4
Ou será que
governar só é assim tão difícil porque
a exploração e a mentira
são coisas que custam a aprender?

Augusto
Com música, que isto é para ser bem divertido!

"The Muppet Show" (uma das inúmeras versões da apresentação do mais fantástico, marretástico espectáculo...)

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