Com uma periodicidade quinzenal, este clube destina-se a promover o prazer da leitura partilhada, bem como o desenvolvimento de algumas técnicas que a ajudem a pôr em prática.
Para quem gosta de ler para os outros e de ouvir ler.

2012.07.03 - Amor lésbico







Olha para mim e diz-me quem sou!

Ainda antes de entrar no tema, experimentámos ler... sem voz.
Apenas com a imagem do nosso corpo tentámos contar uma história.
Fizemos alguns exercícios que nos permitem ir ganhando consciência da imagem que o nosso corpo produz e das leituras que suscita nos outros.

missa


baile


comício


escola


casamento


Leituras:


Antónia
Excerto do artigo "Lésbica"
da Wikipédia


Eugénia, Cândida e Ana Brandão
Um amor além da amizade 
do blogue "Quarto vazio"


Ana Vieira
Presente de desaniversário
de Nuno Cardoso Dias


Isabel
excerto de Fausto
Terceiro acto

(...) Amo como o amor ama.
Não sei razão pra amar-te mais que amar-te.
Que queres que te diga mais que te amo,
Se o que quero dizer-te é que te amo?
Não procures no meu coração...(...)
de Fernando Pessoa


Segredo
de Maria Teresa Horta

Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar

de Poesia Completa


Rita
de Octavio Paz

Regresso 

Estendias-te diante de meus olhos,
país de dunas - ocres, claras.
O vento, em busca de água, se deteve,
país de fontes e palpitações.
Vasta como a noite,
cabias na cova da minha mão.

Depois, o despenhar-se imóvel
dentro fora de nós mesmos.
Comi trevas com os olhos,
bebi água do tempo, bebi noite.
Toquei, então, o corpo da música
ouvida com as pontas dos dedos.

Juntos, barcas obscuras
à sombra amarradas,
os nossos corpos estendidos.
As almas, soltas,
lâmpadas navegantes
na água nocturna.

Por fim, abriste os olhos.
Vias-te vista por meus olhos,
e na minha vista te vias:
como o fruto na erva,
como a pedra no tanque,
em ti mesma caías.

Dentro de mim subia uma maré,
e, com punho impalpável, golpeava-te
a porta das pálpebras:
a morte minha, que te queria conhecer,
a minha morte, que se queria conhecer.
No teu olhar me enterrei.

Fluem pelas planícies da noite
os nossos corpos: são tempo que finda,
presença num abraço dissipada;
porém, são infinitos, e, ao tocá-los,
banhamo-nos num rio de pulsações,
voltamos ao perpétuo recomeço.

de Árvore Adentro


João
excerto de 4 & 1 Quarto
de Rita Ferro


Ana Paula
excerto de Os sinais do medo
de Ana Zanatti


Fernando

249

Noites Loucas — Noites Loucas!
Estivesse eu contigo
Noites Loucas seriam
Nosso luxuoso abrigo!

Para Coração em porto —
Ventos — são coisas fúteis —
Bússolas — dispensáveis —
Portulanos — inúteis!

Navegando em pleno Éden —
Ah, o Mar!
Quem dera — esta Noite — em Ti
Ancorar!

Emily Dickinson

Tradução: Paulo Henriques Britto


Fernanda, Cristina, Graciete e Helena
leram um poema de Safo, traduzido por Pedro Alvim

"De ti, Áttis, me enamorei um dia
no amor que passa
e tão criança me eras,
tão pequena,
e tão sem graça.

Enfim, cara, vieste - e bem. Com
ânsia te esperava - e muito. Que
saibas: em minha alma acendeste
um fogo que a devora."

e também Amor d'água fresca
de Rosa Lobato de Faria





no final da leitura distribuíram fruta pelas presentes


Marília
leu de Adília Lopes

A Elisabeth foi-se embora
(com algumas coisas de Anne Sexton)

Eu que já fui do pequeno-almoço à loucura
eu que já adoeci a estudar morse   
e a beber café com leite
não posso passar sem a Elisabeth
porque é que a despediu senhora doutora?
que mal me fazia a Elisabeth?
eu só gosto que seja a Elisabeth
a lavar-me a cabeça
não suporto que a senhora doutora me toque na cabeça
só ela sabe as cores os cheiros a viscosidade
de que eu gosto nos shampoos
só ela sabe como eu gosto da água quase fria
a escorrer-me pela cabeça abaixo
eu não posso passar sem a Elisabeth
não me venha dizer que o tempo cura tudo
contava com ela para o resto da vida
a Elisabeth era a princesa das raposas
precisava das mãos dela na minha cabeça
ah não haver facas que lhe cortem o
pescoço senhora doutora eu não volto
ao seu anti-séptico túnel
já fui bela uma vez agora sou eu
não quero ser barulhenta e sozinha
outra vez no túnel o que fez à Elisabeth?
a Elisabeth era a princesa das raposas
porque me  roubou a Elisabeth?
a Elisabeth foi-se embora
é só o que tem para me dizer senhora doutora
com uma frase dessas na cabeça
eu não quero voltar à minha vida

Adília Lopes,

de Caras Baratas - antologia,
Relógio D’Água, Lisboa, 2004


a Sara acompanhou musicalmente as leituras do António, da Anabela e da Cíntia

António
excertos de O desejo
de Safo

Anabela
Excerto de O preço do sal
de Patrícia Highsmith

Cíntia
Carta para June
de Henry & June, 
do Diário Íntimo de Anaïs Nin
aqui também o link para o trailer do filme realizado por Philip Kaufman, com Fred Ward, Maria de Medeiros, e Uma Thurman


Adília
Homossexualidade feminina
Amor lésbico
Amor entre mulheres
Amor no feminino

Só em 1993 é que a Organização Mundial da Saúde deixou de considerar a homossexualidade como uma doença, passando a ser uma condição da personalidade humana.

    A aceitação de casais homossexuais masculinos sempre foi maior. Mas mais importante que procurar possíveis causas, é fazer com que a sociedade compreenda que a homossexualidade em si não é um mal e que o problema está na solidão, na exclusão e na marginalidade que ela provoca, nessas pessoas, pelo preconceito.

Para melhor compreender o conceito …

    A expressão lesbianismo deriva de Lesbos, ilha grega que tinha como chefe uma poetisa de nome Safo. Esta musa escreveu versos que contam livremente o amor entre mulheres e, seus amores e paixões por sua companheiras ( seis séculos atrás). Daí os nomes safismo, sáfico, safista e lesbismo, lesbianismo, lesbiana, lésbica.

Lílian Federmam (1981) define o amor sáfico: “O lesbianismo descreve uma relação na qual duas mulheres trocam fortes emoções e afetos entre si. O contato sexual pode ser parte dessa relação num maior ou menor grau, ou pode estar inteiramente ausente”. Nesta mesma perspectiva, o “Grupo de Luta pela Libertação Lesbiana” de Barcelona (1981) acrescentou: “A lésbica não persegue o prazer sexual como finalidade única na relação com a companheira. Seu objetivo não é tanto o sexo, senão a busca de níveis profundos de comunicação, esferas de ternura, carinho e delicadeza. A essência do amor lésbico é a pura sensibilidade. Poder-se-ia dizer que a lesbiana sexualiza a amizade, pois a relação sexual nasce de um sentimento profundo que tem sua base no amor.”

Charlote Wolff definiu bem este conceito no seu livro – Amor entre mulheres – “...não é o homossexualismo, mas o homoemocionalismo, que constitui o centro e a própria essência do amor das mulheres entre si.”

Excertos do texto “Homossexualidade Feminina”da autoria da Dra. Sylvia Faria Marzano - Diretora do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Pscicossomática no Brasil

O Amor existe entre os seres, é universal, não tem limites de idade, sexo, raça, religião ou outras condicionantes.

O amor é … quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.

O amor acontece quando podemos expor o nosso coração a nu.

O amor … nunca acabará.

Adília Silva


Luís
leu-nos uma sinopse da série de televisão "a letra L"


O livro do dia:

A Ana Perinhas, que deveria apresentar esta rubrica, saiu do CLeVA. Logo duas pessoas se prepararam para a substituir: a Cristina e a Graciete.
Acabou por ser apresentado o livro que a Cristina levou, já que o texto escolhido também tinha a ver com o tema de sessão.

Por quem os sinos dobram - Ernest Hemingway



Há muitos anos, li um livro do Hemingway de que não gostei nada. Quando comentava isso com uma amiga, a Ana Saragoça*, ela disse-me, que eu tinha pegado mal neste autor, não deveria ter começado por ali (acho que era o Verdes Colinas de África). O livro indicado para começar era este: Por quem os sinos dobram. Desde essa altura até agora, nunca mais o larguei, já usámos na Andante excertos desta obra em dois espectáculos. E a Maria, a personagem que entra no nosso Às escuras, o amor, continua a acompanhar-me.
Cristina Paiva

* e já agora aconselho vivamente a leitura do primeiro romance desta minha amiga, Todos os dias são meus


Sugestão:

A revista LER tem na edição deste mês, uma crónica de Eduardo Pitta (Heterodoxias- Pessoas como nós) sobre alguns escritores homossexuais famosos e o modo como isso influenciou a sua escrita.

Uma outra crónica, a de José Eduardo Agualusa (Os meus personagens - O triunfo da ficção) aborda um outro assunto de que também temos falado aqui. A autoria dos textos que circulam na internet.

Aqui fica o blogue:  
 mas o melhor é ler a revista.


e no final da sessão, como já vem sendo hábito,

tivemos festa

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