A partir de Outubro de 2017, a iniciar o seu 8º ano de existência, o Clube de Leitura em Voz Alta passa a Coro de Leitura em Voz Alta. Continuará a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passará a ser outra.

saúde



a Cristina leu um excerto de "A preparação do actor" de Constantin Stanislavski
de seguida fomos convidados a abandonar temporariamente a nossa zona de conforto



o Luís trouxe-nos o "Memorial do convento" de José Saramago

e entrámos nas leituras subordinadas ao tema da sessão

a Cristina leu-nos um excerto de "De Profundis - Valsa Lenta" de José Cardoso Pires


a Maria Teresa leu um excerto de "A nau de Quixibá" de Alexandre Pinheiro Torres
(...) Vou-te contar uma história. Havia aqui um homem quase cego desde nascença. Tanto lhe minguava a luz que, para ele, quem lhe falasse surgia-lhe como uma mancha equilibrada num varapau de palavras. Antes de o conhecer não acreditava que um cego pudesse ter confiança fosse no que fosse. Sempre dissera a mim próprio: “os cegos são as pessoas mais inseguras do mundo”. Com os anos descobri que me enganava. O cego de que te falo nunca tivera qualquer receio em atravessar as ruas de S. Tomé. Caramba!, sempre há algum tráfego! Mas se fosse forçado a cruzar uma das ruas da baixa de Lisboa, caso estivesse a elas afeito, não seria por se lhe deparar mais movimento que se mostraria mais aflito. Possuía, desde o mais fundo de si, uma confiança absoluta no poder da bengala às listas brancas e negras. Um dia perguntei-lhe: “Você não tem medo dos perigos?” Voltou para mim os olhos parados (eu seria apenas mais uma mancha, apenas uma voz diferente), e contestou-me: “Que perigos?” O homenzinho mostrava-se surpreendidíssimo. “Ser cego – disse-me – também tem as suas vantagens. Não posso ter medo daquilo que não vejo”. Era tão óbvia a minha incompreensão do mundo do cego que insisti: “Você não tem, por exemplo, medo das alturas?” Ele riu-se: “Oh! Meu bom senhor!, então vocemecê julga que eu vejo as alturas?” Olha, meu filho, fiquei com cara de parvo, mas como ele não podia ver-me a cara de parvo, aguentei firme. (...)


a Ana Maria leu outro excerto de "De Profundis - Valsa Lenta" de José Cardoso Pires


a Margarida e a Maria leram um excerto de "O anjo branco" de José Rodrigues dos Santos


a Alexandra leu de António Lobo Antunes
Todos os homens são maricas quando estão com gripe (pasodoble)

Pachos na testa
terço na mão
uma botija
chá de limão
zaragatoas
vinho com mel
três aspirinas
creme na pele
grito de medo
chamo a mulher -
ai Lurdes Lurdes
que vou morrer
mede-me a febre
olha-me a goela
cala os miúdos
fecha a janela
não quero canja
nem a salada
ai Lurdes Lurdes
não vales nada
se tu sonhasses
como me sinto
já vejo a morte
nunca te minto
já vejo o inferno
chamas diabos
anjos estranhos
cornos e rabos
vejo os demónios
nas suas danças
tigres sem listras
bodes de tranças
choros de coruja
risos de grilo
ai Lurdes Lurdes
que foi aquilo
não é a chuva
no meu-postigo
ai Lurdes Lurdes
fica comigo
não é o-vento
a cirandar
nem são as vozes
que vêm do mar
não é o pingo
de uma torneira
põe-me a santinha
à cabeceira
compõe-me a colcha
fala ao prior
pousa o Jesus
no cobertor
chama o doutor
passa a chamada
ai Lurdes Lurdes
nem dás por nada
faz-me tisanas
e pão de ló
não te levantes
que fico só
aqui sozinho
a apodrecer
ai Lurdes Lurdes
que vou morrer.


a Gabriela leu um excerto de "Aproveitem a vida" de António Feio


o Fernando leu o conto "Dor" de "O conta-gotas"
contos mínimos de António Torrado com desenhos posteriores de Gémeo Luís


a Ana e a Luísa também leram
"Todos os homens são maricas quando estão com gripe" de António Lobo Antunes


o Luís leu um excerto de "Paula" de Isabel Allende


a Teresa leu um excerto de "Trava" de "Reduto quase final" de Dinis Machado


o Tomás leu de Jean-Claude Carrière
A pulga

Entre as histórias que os cientistas gostam de contar a propósito dos seus métodos, ouve-se muitas vezes a da pulga.
Pode resumir-se assim:
Um cientista examina uma pulga pousada perto dele. Ordena-lhe: «Salta!» e a pulga salta.
O cientista escreve numa folha de papel: «Quando se manda uma pulga saltar, ela salta.»
Então, agarra delicadamente a pulga e arranca-lhe as patas. Pousa-a ao lado e ordena: «Salta!»
A pulga não se mexe.
O cientista anota na sua folha de papel: «Quando se arrancam as patas a uma pulga, ela fica surda.»

Mal universal

O cineasta iraniano Abbas Kiarostami, no seu filme "O sabor das cerejas", faz contar por um dos seus personagens a seguinte história:
Um homem vai ao médico e diz-lhe:
- Doutor, dói-me tudo. Quando pouso um dedo na cabeça, dói-me. Quando pouso aqui, na barriga, é o mesmo. Quando toco no joelho, dói-me; no pé, dói-me. Que devo fazer? Como hei-de encontrar alívio?
O médico examina-o e diz:
- Não tem nada no corpo. É o seu dedo que está partido.

de "Tertúlia de Mentirosos - Contos filosóficos do Mundo Inteiro"


a Maria João leu um excerto de "A jangada de pedra" de José Saramago


o Renato leu um excerto de "Os emigrantes" de W. G. Sebald


a Virgínia leu um excerto de "Anti-Cancro" de David Servan-Schreiber


e desta vez terminámos com Bolo de limão e iogurte com mel

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