A temporada de 2020-2021 foi cancelada na sequência da pandemia Covid-19.

Foi com grande tristeza que nos vimos forçados a tomar esta decisão, motivada pelo perigo de propagação da doença provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) e em nome da segurança e do bem-estar de todos os participantes.

A existência de um coro, como o CLeVA, não se coaduna com as regras de distância preconizadas como medida importante de redução da transmissão de covid-19. Ter várias pessoas juntas, a ler em voz alta, é criar um ambiente confortável à propagação do novo coronavírus se, entre elas, houver um caso positivo.

Voltaremos a avaliar a situação em meados de 2021 e então decidiremos se será possível retomar a actividade normal.


O Clube de Leitura em Voz Alta é agora Coro de Leitura em Voz Alta. Tem normalmente um periodicidade quinzenal e acontece na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.

começa hoje o CLeVA 2.0

(...) Pois é...
O desaparecimento da leitura em voz alta é muito estranho. O que teria Dostoievski pensado disto? E Flaubert? Já não há o direito de colocar as palavras na boca antes de as meter na cabeça? Já não há ouvidos? Já não há música? Já não há saliva? As palavras já não sabem a nada? O que é que se passa? Não declamou Flaubert a sua Bovary em altos gritos, até furar os tímpanos? Não estará ele definitivamente melhor colocado do que qualquer outro para saber que a compreensão do texto passa pelo som das palavras, de onde deriva todo o seu sentido? Não saberia ele como ninguém, ele que tanto lutou contra a música intempestiva das sílabas, contra a tirania das cadências, que o sentido se pronuncia? Então? Textos mudos para puros espíritos? Rabelais, ajuda-me! Flaubert, Dosto, Kafka, Dickens, acudam-me! Gigantescos anunciadores de sentido, venham cá! Venham soprar nos nossos livros! As palavras precisam de corpo! Os nossos livros precisam de ter vida! (...)

Daniel Pennac

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