Com uma periodicidade quinzenal, este clube destina-se a promover o prazer da leitura partilhada, bem como o desenvolvimento de algumas técnicas que a ajudem a pôr em prática.
Para quem gosta de ler para os outros e de ouvir ler.

Fidelidade (texto dramático)



Antónia
A traição do Tibério


O Tibério Malaquias
Querendo passar uns três dias
Com uma conquista qualquer
Chega a casa e entre afectos
A postos com seus projectos
Diz assim para a mulher:

Eu amanhã vou caçar
Vou uns três dias passar
Por entre matas espessas
Prepara-me o cinturão
A espingarda mais o cão
Chama-me cedo não esqueças

Logo ao romper da manhã
Sai o nosso Don Juan
Feliz cantando raias
Antevendo mil delicias
Gozar as ternas caricias
Da sua caça de saias

Finda a caçada mistério
Regressa ao lar o Tibério
Com seu cão de dois narizes
Trazendo no cinturão
Dois coelhos e um faisão
Uma lebre e dez perdizes

A mulher ao vê-lo entrar
Muito irado e a gritar
Com esta frase o desarma
Esta agora é que tem graça
Como é que mataste a caça
Se tu nem levaste a arma

O Tibério até corou
Porém não se desmanchou
E respondeu muito a custo
É que eu ao notar a falta
Gritei à caça em voz alta
E a caça morreu de susto.



Miguel Cantiga de harmonia conjugal
do livro Fala da criada dos Noailles que no fim de contas vamos descobrir chamar-se também Séverine numa noite do Inverno 1975 em Hyères 
de Jorge Silva Melo


Ana Vieira
excerto de "Agora a Sério"
de Tom Stoppard


Ana Brandão
excerto de "Frida e a casa azul: Quatro peças em um acto"
de José Jorge Letria


Fernando
excerto de "Alta Fidelidade"
tradução Maria Augusta Júdice

As minhas cinco namoradas mais memoráveis de todos os tempos, que levaria para uma ilha deserta, por ordem cronológica: 

1) Alison Ashworth 
2) Penny Hardwick 
3) Jackie Allen . 
4) Charlie Nicholson 
5) Sarah Kendrew. 

Estas foram as que doeram mais. Vês o teu nome na lista, Laura? Acho que tu até entrarias no top das dez mais, mas não há lugar para ti no top das cinco mais; esses lugares estão reservados para o tipo de humilhações e corações destroçados que tu muito simplesmente és incapaz de provocar. É provável que isto soe mais cruel do que eu desejaria, mas a verdade é que somos velhos demais para fazer a vida negra um ao outro, e isso é uma coisa boa, e não uma coisa má, portanto não consideres um fracasso o facto de não entrares na lista. Esse tempo passou, que se lixe; naquela altura, a infelicidade significava alguma coisa. Agora é só uma chatice, como uma constipação  ou não ter dinheiro. Se querias mesmo fazer-me mal, devias ter vindo mais cedo. 


Eugénia Egas Moniz
Excerto de Terra Lusa
de Teresa Leitão de Barros




Texto explicativo da peça:
Esta peça de Molière data do século XVII e foi uma das suas grandes batalhas,   pois para a conseguir pôr em cena, ele tentava ter apoio real para que a sua peça conseguisse vingar uma vez que atacava fortemente o clero e as aparências em que viviam os padres . O próprio Louis XIV aconselhava Molière a não se meter com o clero e chegou mesmo a dizer-lhe “Não irrite os devotos. São gente implacável”.
Basta referir que do momento da sua criação à sua representação decorreram cinco anos, entre 1664 e 1669.
Esta adaptação de Tartufo foi apresentada em 1969 em Madrid e a 1ªversão portuguesa foi estreada pela Companhia de Raul Solnado em 25 de Janeiro de 1972, no Teatro Villaret, em Lisboa.
Trata-se de uma comédia em cinco atos - que no seu original é em verso -  e  critica a sociedade da época, sobretudo o clero, daí  a dificuldade de ser posta em cena.


Sinopse:
Orgon, recolhe Tartufo, um falso devoto, que o domina sob a aparência de um religioso, cheio de qualidades morais. Apesar de todos os moradores da casa de Orgon lhe dizerem que Tartufo é um impostor, ele não acredita e idolatra-o  cada vez mais. Como seu filho Damis detesta e contesta, furiosamente, Tartufo, o pai expulsa-o de casa e transfere os seus bens para Tartufo, e dá-lhe a gerência dos seus negócios, pois pensa casá-lo com a sua filha Mariana. Tudo continua até ao dia em que a sua mulher Elmira o faz testemunhar, escondido, a falsidade de Tartufo. Desiludido, expulsa-o de casa mas Tartufo diz-lhe que quem vai sair não é ele pois agora é ele  o dono. Mais tarde, Tartufo aparece com um agente da polícia e pede que este cumpra o seu dever mas o agente prende-o a ele, afirmando que há muito o seguiam, no entanto, nunca tinham conseguido provas para o apanharem. Assim, todos ficam felizes e em casa regressando a harmonia inicial ao lar.
 Na peça de Tartufo há vários tipos de FIDELIDADE: de Orgon ao seu suposto amigo Tartufo; de Mariana ao seu amor Valério; de Dorina a sua prima Mariana; de Elmira a seu marido Orgon; de Cleante a seu cunhado Orgon; de Cleante a sua irmã Elmira ; de Damis a seu pai Orgon, entre outros.
 Vamos então ler-vos uma passagem da peça, as cenas V,VI e VII, do Quarto Ato, onde Elmira dialoga com Tartufo preparando-lhe uma armadilha sob o olhar atento de Orgon que se encontra escondido. Orgon sai do seu esconderijo, furioso, e expulsa Tartufo de casa mas algo vai mudar…

Personagens:
Narrador - Cristina;
Tartufo – Fernanda;
Elmira – Graciete;
Orgon – Helena






Manuel e Conceição
Fidelidade de Catarina Portela adaptado por Manuel Aguiar


Helena Nogueira
Excerto de "Piaf, nossa senhora da agonia" de José Jorge Letria
do livro "Mataram o Che e outras peças"


Marília
Excerto de "Cinza às cinzas" de Harold Pinter
de Teatro II


António, Cíntia, Anabela, Alexandra e Adília
Excerto de "Há tanto tempo" de Harold Pinter
de Teatro I


Ana Paula
Excerto de "Marley e eu" de John Grogan


a Ana Paula trouxe-nos "ir e vir" de Isabel Minhós Martins, ilustrado por Bernardo Carvalho


e por fim a Cíntia e a Ana Brandão foram escolhidas para um exercício com um excerto de "Os anjinhos" de Rui Zink



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