A partir de Outubro de 2017, a iniciar o seu 8º ano de existência, o Clube de Leitura em Voz Alta passa a Coro de Leitura em Voz Alta. Continuará a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passará a ser outra.

01 fevereiro 2011 - igualdade entre raças

Igualdade entre raças? ou "todos diferentes... todos iguais". Neste site encontram-se alguns artigos interessantes sobre este tema (em inglês). Defendem que o conceito de raça é uma construção social, sem fundamento biológico: se olharmos para o genoma humano... dificilmente se encontram "raças".




Mariana

Do Jornal ALCAXETE de 23 de Setembro de 2010, um artigo da própria Mariana.



Helena P.
Do livro "A fala do Índio" de Teri McLuhan, a Helena leu um excerto do discurso do Chefe Dan George por ocasião do centenário do Canadá.


Desde quando nos conhecemos nós, ó Canadá...



António
Ainda do mesmo livro o António seleccionou um outro excerto:


Se nos rendermos morreremos



João
Porque foi dia de grandes oradores, o João trouxe um excerto do Discurso Inaugural de Nelson Mandela.




Augusto
Trouxe mais um homem de vulto: Martin Luther King. Um excerto do discurso, extraído do livro 50 grandes discursos da História. Também podem ver aqui o discurso "I have a Dream" (eu tenho um sonho...) em video.



Fernando
(... mais uma sessão em que o fotógrafo ficou apenas atrás da objectiva)

de Manoel de Barros, excertos... com muitas, muitas raças!


"Sapo nu tem voz de arauto"
"Os grilos de olhos sujos se criam nos armazéns."
"Bicho acostumado na toca encega com estrela"
"Ovo de lobisomem não tem gema."
"Sapos com rio atrás da casa atraem borboletas amarelas"
"Vagalumes driblam a treva."
"Minhocas arejam a terra, poetas a linguagem"

Daniel
Trouxe-nos o Daniel, "Cores que se Amam" de Paco Abril, com ilustrações de Anne Decis


"havia uma mulher de cor deitada no chão. De que cor seria? Não sei porquê, mas imaginei-a verde!"



Helena M
Lágrima de preta de António Gedeão



Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

A versão cantada aqui ... e aqui outra versão por Adriano Correia de Oliveira.




Isabel
Também um excerto de um discurso de Nelson Mandela



Ao avaliarmos a nossa evolução como indivíduos, costumamos concentrar-nos em factores externos, como a posição social de uma pessoa(...) mas os factores internos podem ser ainda mais importantes na avaliação da evolução de uma pessoa como ser humano: a honestidade, a sinceridade, a simplicidade, a humildade, a integridade, a generosidade, a ausência de vaidade, a disponibilidade para ajudar os nossos concidadãos são qualidades ao alcance de todas as almas.




Alexandra F.
Do livro "Contos Negros para os Filhos dos Brancos" de Blaise Cendrars, a Alexandra trouxe-nos a hitória de uma árvorezinha irreverente que decide abandonar a floresta, mas é impiedosamente perseguida por uma rã! Vale a pena dar uma olhadela a história deste escritor, que perdeu o braço direito na I Grande Guerra, e que privou com grandes nomes da sua época.



Helena R.
Depois de lutar com o tema vários dias, cheguei à conclusão que só somos verdadeiramente iguais depois de morrer...

De Vinicius de Morais, "A Hora Íntima" (aqui pelo próprio, e aqui links para excertos do filme-documentário)



Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?

Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: – Nunca fez mal...
Quem, bêbedo, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: – Rei morto, rei posto...
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: – Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançará um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: – Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: – Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?

Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?




Mila
Trouxe de José Craveirinha: "Ao meu belo pai ex-emigrante"



Pai:
As maternas palavras de signos
vivem e revivem no meu sangue
e pacientes esperam ainda a época de colheita
enquanto soltas já são as tuas sentimentais
sementes de emigrante português
espezinhadas no passo de marcha
das patrulhas de sovacos suando
as coronhas de pesadelo.

E na minha rude e grata
sinceridade não esqueço
meu antigo português puro
que me geraste no ventre de uma tombasana
eu mais um novo moçambicano
semiclaro para não ser igual a um branco qualquer
e seminegro para jamais renegar
um glóbulo que seja dos Zambezes do meu sangue.

E agora
para além do antigo amigo Jimmy Durante a cantar
e a rir-se sem nenhuma alegria na voz roufenha
subconsciência dos porquês de Buster keaton sorumbático
achando que não valia a pena fazer cara alegre
e um Algarve de amendoeiras florindo na outra costa
Ante os meus sócios Bucha e Estica no "écran" todo branco
e para sempre um zinco tap-tap de cacimba no chão
e minha Mãe agonizando na esteira em Michafutene
enquanto tua voz serena profecia paternal: - "Zé:
quando eu fechar os olhos não terás mais ninguém."

Oh, Pai:
Juro que em mim ficaram laivos
do luso-arábico Algezur da tua infância
mas amar por amor só amo
e somente posso e devo amar
esta minha bela e única nação do Mundo
onde minha mãe nasceu e me gerou
e contigo comungou a terra, meu Pai.
E onde ibéricas heranças de fados e broas
se africanizaram para a eternidade nas minhas veias
e teu sangue se moçambicanizou nos torrões
da sepultura de velho emigrante numa cama de hospital
colono tão pobre como desembarcaste em África
meu belo Pai ex-português.

Pai:
O Zé de cabelos crespos e aloirados
não sei como ou antes por tua culpa
o "Trinta-Diabos" de joelhos esfolados nos mergulhos
à Zamora nas balizas dos estádios descampados
avançado-centro de "bicicleta" à Leónidas no capim
mortífera pontaria de fisga na guerra aos gala-galas
embasbacado com as proezas do Circo Pagel
nódoas de cajú na camisa e nos calções de caqui
campeão de corridas no "xituto" Harley-Davidson
os fundilhos dos calções avermelhados nos montes
do Desportivo nas gazetas à doca dos pescadores
para salvar a rapariga Maureen O'Sullivan das mandíbulas
afiadas dos jacarés do filme de Trazan Weissmuller
os bolsos cheios de tingolé da praia
as viagens clandestinas nas traseiras gã-galhã-galhã
do carro eléctrico e as mangas verdes com sal
sou eu, Pai, o "Cascabulho" para ti
e Sontinho para minha Mãe
todo maluco de medo das visões alucinantes
de Lon Chaney com muitas caras.

Pai:
Ainda me lembro bem do teu olhar
e mais humano o tenho agora na lucidez da saudade
ou teus versos de improviso em loas à vida escuto
e também lágrimas na demência dos silêncios
em tuas pálpebras revejo nitidamente
eu Buck Jones no vaivém dos teus joelhos
dez anos de alma nos olhos cheios da tua figura
na dimensão desmedida do meu amor por ti
meu belo algarvio bem moçambicano!

E choro-te
chorando-me mais agora que te conheço
a ti, meu pai vinte e sete anos e três meses depois
dos carros na lenta procissão do nosso funeral
mas só Tu no caixão de funcionário aposentado
nos limites da vida
e na íris do meu olhar o teu lívido rosto
ah, e nas tuas olheiras o halo cinzento do Adeus
e na minha cabeça de mulatinho os últimos
afagos da tua mão trémula mas decidida sinto
naquele dia de visitas na enfermaria do hospital central.

E revejo os teus longos dedos no dirlim-dirlim da guitarra
ou o arco da bondade deslizando no violino da tua aguda tristeza
e nas abafadas noites dos nossos índicos verões
tua voz grave recitando Guerra Junqueiro ou Antero
e eu ainda Ricardino, Douglas Fairbanks e Tom Mix
todos cavalgando e aos tiros menos Tarzan analfabeto
e de tanga na casa de madeira e zinco
da estrada do Zichacha onde eu nasci.

Pai:
Afinal tu e minha mãe não morreram ainda bem
mas sim os símbolos Texas Jack vencedor dos índios
e Tarzan agente disfarçado em África
e a Shirley Temple de sofisma nas covinhas da face
e eu também e que musámos.

E alinhavadas palavras como se fossem versos
bandos de sécuas ávidos sangrando grãos de sol
no tropical silo de raivas eu deixo nesta canção
para ti, meu Pai, minha homenagem de caniços
agitados nas manhãs de bronzes
chorando gotas de uma cacimba de solidão nas próprias
almas esguias hastes espetadas nas margens das úmidas
ancas sinuosas dos rios.

E nestes versos te escrevo, meu Pai
por enquanto escondidos teus póstumos projectos
mais belos no silêncio e mais fortes na espera
porque nascem e renascem no meu não cicatrizado
ronga-ibérico mas afro-puro coração.
E fica a tua prematura beleza realgarvia
quase revelada nesta carta elegia para ti
meu resgatado primeiro ex-português
número UM Craveirinha moçambicano

!




Cristina
Da "Árvore das Palavras" de Teolinda Gersão um excerto




Alexandra J.
Sem plano A nem B... salvou-a o namoro do outro dia: leu um excerto do livro "Encontrei o Principezinho" de Jorge Cabral dos Santos



Cecília
Também um excerto de um livro, desta feita sobre a II Guerra Mundial: "A bela Senhora Seidenman" de Andrej Szczypiorski



Ana Rita
Do livro "A voz igual - Ensaios sobre Agostinho Neto", a Ana Rita leu "Poema para todos"



Para quê chorar
porque esperamos
que outros venham consolar?

Para quê querer uma ilusão
para apagar uma mentira?
o choro cansou o mundo
e a nós mesmo já causa tédio
e quando julgamos que o riso é choro
ele é riso simplesmente
porque já nem sabemos lamentar

Mas olha a tua volta
abre bem os olhos
-vês?

Aí está o mundo
construamos.


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