A temporada de 2020-2021 foi cancelada na sequência da pandemia Covid-19.

Foi com grande tristeza que nos vimos forçados a tomar esta decisão, motivada pelo perigo de propagação da doença provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) e em nome da segurança e do bem-estar de todos os participantes.

A existência de um coro, como o CLeVA, não se coaduna com as regras de distância preconizadas como medida importante de redução da transmissão de covid-19. Ter várias pessoas juntas, a ler em voz alta, é criar um ambiente confortável à propagação do novo coronavírus se, entre elas, houver um caso positivo.

Voltaremos a avaliar a situação em meados de 2021 e então decidiremos se será possível retomar a actividade normal.


O Clube de Leitura em Voz Alta é agora Coro de Leitura em Voz Alta. Tem normalmente um periodicidade quinzenal e acontece na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.

Renúncia

o Fernando e a Cristina leram a partir de Bernardo Soares, Manuel Alegre e Eugénio de Andrade

A renúncia é a libertação. Não querer é poder.

É possível falar sem um nó na garganta.
É possível amar sem que venham proibir.
É possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.

Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.

É possível andar sem olhar para o chão.
É possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros.
Se te apetece dizer não, grita comigo: não!

Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.

É possível viver de outro modo.
É possível transformar em arma a tua mão.
É possível viver o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.

Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre, livre, livre.

Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.

Quero um cavalo só meu,
seja baio ou alazão,
sentir o vento na cara,
sentir a rédea na mão.

Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.

Não quero muito do mundo:
quero saber-lhe a razão,
sentir-me dono de mim,
ao resto dizer que não.

Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.


a Mariana e o António leram de Florbela Espanca

Para Quê?!

Tudo é vaidade neste mundo vão ...
Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!

Até o amor nos mente, essa canção
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão! ...

Beijos de amor! Pra quê?! ... Tristes vaidades!
Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!

Só neles acredita quem é louca!
Beijos de amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta! ...

de "Livro de Mágoas"


a Eugénia e a Rosa leram  "Deixa sempre para amanhã o que podes fazer hoje" de Pedro Bandeira Freire, do livro "A linguagem do gesto"



a Mila leu excertos do conto "Miura" de "Bichos" de Miguel Torga




Anabela, António, Alexandra, Ana Maria, Helena e Adília leram "Não vou" de Júlio de Sousa




a Isabel leu de Florbela Espanca

Renúncia

A minha mocidade outrora eu pus
No tranquilo convento da Tristeza;
Lá passa dias, noites, sempre presa,
Olhos fechados, magras mãos em cruz...

Lá fora, a Lua, Satanás, seduz!
Desdobra-se em requintes de Beleza...
É como um beijo ardente a Natureza...
A minha cela é como um rio de luz...

Fecha os teus olhos bem! Não vejas nada!
Empalidece mais! E, resignada,
Prende os teus braços a uma cruz maior!

Gela ainda a mortalha que te encerra!
Enche a boca de cinzas e de terra,
Ó minha mocidade toda em flor!

de Livro de Sóror Saudade


o Manuel falou-nos de Gao Xingjian e leu-nos excertos de "A montanha da alma"

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