A temporada de 2020-2021 foi cancelada na sequência da pandemia Covid-19.

Foi com grande tristeza que nos vimos forçados a tomar esta decisão, motivada pelo perigo de propagação da doença provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) e em nome da segurança e do bem-estar de todos os participantes.

A existência de um coro, como o CLeVA, não se coaduna com as regras de distância preconizadas como medida importante de redução da transmissão de covid-19. Ter várias pessoas juntas, a ler em voz alta, é criar um ambiente confortável à propagação do novo coronavírus se, entre elas, houver um caso positivo.

Voltaremos a avaliar a situação em meados de 2021 e então decidiremos se será possível retomar a actividade normal.


O Clube de Leitura em Voz Alta é agora Coro de Leitura em Voz Alta. Tem normalmente um periodicidade quinzenal e acontece na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.

...anda Luísa, Luísa sobe...

Calçada de Carriche

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.


Saíu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.


Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa,
Luísa sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.


Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.


Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu da sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa,
Luísa sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.


Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho,
a cada passada;
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga;

toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga.

Regressa a casa
é já noite cerrada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

Anda, Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

António Gedeão, Poesias Completas

1 comentário:

  1. Ele sempre há gente que trabalha muito!!! Este blogue é um mimo. Sempre actualizado, uma trabalheira do pior!
    Não acham???
    Bravo!
    Repito: Bravo!
    Beijos e até para o ano.
    Cristina

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