A temporada de 2020-2021 foi cancelada na sequência da pandemia Covid-19.

Foi com grande tristeza que nos vimos forçados a tomar esta decisão, motivada pelo perigo de propagação da doença provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) e em nome da segurança e do bem-estar de todos os participantes.

A existência de um coro, como o CLeVA, não se coaduna com as regras de distância preconizadas como medida importante de redução da transmissão de covid-19. Ter várias pessoas juntas, a ler em voz alta, é criar um ambiente confortável à propagação do novo coronavírus se, entre elas, houver um caso positivo.

Voltaremos a avaliar a situação em meados de 2021 e então decidiremos se será possível retomar a actividade normal.


O Clube de Leitura em Voz Alta é agora Coro de Leitura em Voz Alta. Tem normalmente um periodicidade quinzenal e acontece na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.

próxima sessão | 26 Abril 2016

será o tema das leituras
***ATENÇÃO***
os textos terão de ter sido escritos por mulheres

a Cristina lerá um autor para si desconhecido

Labirinto



Esta sessão do CLEVA foi subordinada ao tema Labirinto, um tema restringido a textos poéticos.

Começámos por ouvir falar do mito grego onde se conta a história de um monstro, o Minotauro, filho de uma mulher (Parsifae, esposa de Minos, rei de Creta) e de um touro oferecido por Poseidon, encerrado numa construção labiríntica idealizada pelo arquitecto Dédalo, que era alimentado a jovens virgens vindas de Atenas. E de como Teseu, filho de Egeu, rei de Atenas, o herói da história, mata o monstro e regressa vivo do labirinto seguindo o fio de Ariadne (filha de Minos e Parsifae, irmã do Minotauro) por quem se apaixonou.

A forma como os poetas e os seus leitores se apropriam destas palavras, Minotauro, Labirinto, Fio de Ariadne, e o sentido que daí retiram são múltiplas e muito variadas. As escolhas desta noite recaíram todas sobre autores portugueses. À excepção de uma: o poema "Labirinto" de Jorge Luis Borges. Aliás este autor e o seu "Poema dos Dons" é o mote para o belíssimo poema de José Mário Silva "ainda um outro poema dos dons" que também ouvimos. Ouvimos poemas de Jorge de Sena "Em Creta com o Minotauro", José Régio "Cântico Negro", David Mourão-Ferreira "Labirinto ou não foi nada", Mário de Sá-Carneiro "Dispersão", Eugénio de Andrade "Labirinto ou alguns lugares de amor", Sophia de Mello Breyner Andresen "Epidauro" e "Maria Helena Vieira da Silva ou o itinerário inelutável", Camões "Cá nesta Babilónia...", Manuel Gusmão "No labirinto das imagens — o que falta para serem um filme", Nuno Moura "Agora escreve-se assim", Nuno Júdice "Confissão" e "Labirinto", José Luís Peixoto "Na hora de pôr a mesa", Júlio Dinis "As nuvens" e Alberto Pimenta; dois poemas do livro "Tomai Isto é o meu Porco".

Ainda houve tempo para rirmos até às lágrimas com a Eugénia Casadinho que nos trouxe um livro de José Carlos Barros "Um amigo para o Inverno", um autor que anda a descobrir. Ficámos todos com vontade de descobrir esta obra que fala do nosso Portugal e da nossa história recente numa aldeia minhota: um espectáculo de teatro na paróquia, uma bebedeira, os inspectores da Pide à perna, e por aí fora.

No final comemos e bebemos e cantámos duas vezes os parabéns: à Alexandra Ferreira e à Virgínia.